Notícia
29/10/2021

ANBIMA SUMMIT: é preciso acelerar o “S” da agenda ASG, afirmam especialistas

Especialistas destacam a necessidade de acelerar o foco social na agenda ASG no Brasil, abordando desigualdades e inclusão.

Em um momento em que lideranças globais se reúnem na COP26, em Glasgow, para tratar de temas urgentes relacionados ao meio ambiente, o Brasil também precisa voltar as atenções para outro pilar fundamental da agenda ASG: o social. Monitoramento do trabalho escravo e infantil nos processos produtivos das empresas, implementação de programas de equidade étnico-racial e de gênero, ações de inclusão LGBTQI+ e combate à desigualdade social, potencializada durante a pandemia: essas e outras questões que demandam respostas urgentes, entretanto, ainda não foram completamente assimiladas por empresas, gestoras e investidores e é preciso acelerar as propostas, segundo os participantes do painel “Uma agenda ASG made in Brazil”, que aconteceu nesta sexta-feira, 29, no ANBIMA Summit

“A agenda social, aos poucos, começa a ser assimilada, mas não da forma como precisamos ou gostaríamos”, resumiu Fernanda Camargo, sócia e cofundadora da Wright Capital Wealth Management. A explicação é simples: a maioria das agências de rating que desenvolvem os frameworks para reportes ASG é de países desenvolvidos, dos EUA ou da Europa, que não enfrentam os mesmos problemas de desigualdade do Brasil. “Por isso, o olhar para as questões ambientais por parte das empresas brasileiras tem um peso muito maior do que as questões sociais, principalmente quando falamos de alguns setores extrativistas”, disse.

Para Fabio Alperowitch, sócio-fundador da Fama Investimentos, havia, até alguns anos atrás, uma “repulsa” da alta liderança de empresas e do mercado de capitais em discutir temas relacionados a direitos humanos. “O debate não ocorreu por muitas décadas. Essa era uma questão vista como ideológica, como se quem propusesse (o debate sobre) esses temas pertencesse a uma determinada ideologia contrária à ideologia predominante no mercado”, disse. Em anos recentes, entretanto, a agenda ganhou relevância e “caiu como um meteoro”, com a necessidade do mercado em fornecer respostas imediatas sobre questões sociais relevantes. “Mas as questões de direitos humanos são complexas, densas e profundas e é impossível que o mercado dê respostas imediatas. Estamos em um nível superficial de conscientização”, disse.

Racismo climático
Em um debate moderado pela jornalista Rosana Jatobá, o gestor defendeu que as ações voltadas à resolução de problemas sociais têm que andar lado a lado com a agenda ambiental. “O S e o A são indissociáveis. Um exemplo é o que chamo de racismo ambiental. A população mais vulnerável às mudanças climáticas é a negra, que não participa das discussões para a busca de soluções. Há predominância branca e falta inclusão no debate sobre esses temas”, opinou. 

Negócios de impacto não são filantropia
Marco Gorini, cofundador do Grupo Dyn4mo, que investe em startups de impacto, lembrou que esses negócios não podem ser confundidos pelos investidores e o mercado com filantropia. As empresas de impacto, explicou, têm em seu core business a intenção de gerar impacto social e ambiental positivos, com indicadores que mensuram esses impactos e, não menos importante, buscam gerar retorno aos acionistas. “São negócios viáveis que trazem retorno e transformam a sociedade. Ainda estamos no processo inicial de entendimento de que impacto positivo gera valor e impacto negativo destrói valor e aumenta riscos. São pontos de entendimento necessários para empurrar a transformação mental no mercado financeiro nesse momento”, disse.