Notícia
30/05/2025

Regras sobre impactos ASG serão construídas com diálogo, diz PREVIC no Seminário Gestão de Investimentos

PREVIC destaca construção normativa dialogada para regulamentar impactos ASG na gestão de investimentos das EFPC.

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) participou ativamente do 14º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC, promovido pela Abrapp, nos dias 28 e 29/5, em São Paulo.

O diretor-superintendente da PREVIC, Ricardo Pena, falou do papel do Estado na regulação e supervisão das EFPC. E disse que uma comunicação malfeita com o participante pode gerar um passivo. O diretor de Normas da PREVIC, Alcinei Cardoso Rodrigues, explicou como será a regulamentação da Resolução CMN 5202/2025, no aspecto da mensuração de impactos ASG (Ambiental, Social e Governança).  

Ricardo Pena, diretor-superintendente da PREVIC, destacou que o setor de Previdência Complementar Fechada é privado, “cabendo ao Estado, regular e fiscalizar. A sanção também é uma política pública”, definiu. Ele participou da plenária principal que debateu “O Futuro da Previdência e a Regulação do Setor”, ao lado do diretor-presidente da Abrapp, Devanir Silva, que defendeu o olhar para o mercado de trabalho, a criação de produtos simplificados e o Código de Defesa do Poupador Previdenciário.

Supervisão

Pena falou que a PREVIC não tem como objetivo penalizar dirigente com multas e sanções. “Nosso objetivo é que o sistema funcione com higidez. Queremos uma supervisão cada vez mais preditiva e orientativa. Mas não vamos compactuar com irregularidades; se tiver alguma, seremos até mais severos na aplicação do regime”, alertou, ao se referir ao texto que atualiza o Decreto 4942/2003, que está na Casa Civil da Presidência da República. “O que a gente quer com esse novo regime sancionador é classificar as infrações, dosar as penalidades e oferecer um ambiente de maior segurança para as decisões das EFPC, visando a tomada de risco adequado, que otimize a gestão em prol do plano e dos participantes”, resumiu.

Ao expor sobre a Resolução CMN 5202/2025, que atualiza a regulação dos investimentos dos fundos de pensão, Ricardo Pena disse que o objetivo é melhorar o cardápio de investimentos para permitir maior diversificação nas aplicações. “Existe uma grande concentração atualmente em títulos públicos, pagando em torno de 7% de juros em termos reais que, a médio e longo prazo, pode trazer uma incerteza para o rebalanceamento do portfólio das Entidades”, ponderou, com a visão de que é preciso olhar o futuro e pensar na estratégia dos investimentos, em período de juros menores.

O diretor de Normas da PREVIC, Alcinei Cardoso Rodrigues, apresentou o “Panorama Estratégico para EFPC: Desafios Regulatórios e Oportunidade de Crescimento”. Ele disse que os fundos de pensão fazem gestão de riscos, de ativos e passivos. “Nós [as EFPC] sabemos arrecadar contribuições, capitalizar, sabemos administrar planos previdenciários e gerimos para o longo prazo”, argumentou, destacando que o setor é um “excelente pagador de benefícios, de forma consistente”.

Em referência à Resolução CMN 5202/2025, Alcinei Rodrigues, anunciou que a PREVIC prepara a regulamentação, via consulta pública, na Resolução PREVIC nº 23.  Em nova atualização da norma, serão estabelecidos os critérios de avaliação e transparência sobre os impactos ambientais, sociais e de governança da carteira de investimentos dos planos de benefícios. “Será uma construção normativa baseada em diálogo com as EFPC e com as associações representativas do setor: Abrapp, Anapar e APEP para ver as experiências nacionais e internacionais. O objetivo é criar um modelo proporcional, respeitando a segmentação por porte e complexidade, auditável e transparente”, tranquilizou. Ele ressaltou que os critérios ASG são importantes e estão na gestão de riscos. Vão exigir a definição de indicadores, a profissionalização das entidades e dos auditores da PREVIC e, posteriormente, o monitoramento, a supervisão e a fiscalização da autarquia.

Equacionamento

A PREVIC também defende a alteração nas regras de solvência para que os planos de equacionamento possam ser exigidos a partir da situação real de cada plano. Ricardo Pena disse que se o plano não tem problema de liquidez no curto prazo, demonstra capacidade de honrar os compromissos no longo prazo, o plano de equacionamento poderia ser adiado na expectativa de melhoria futura dos indicadores econômicos. “Se tem problemas estruturais, o plano de equacionamento deve ser imediato”, destacou.

O diretor-superintendente voltou a falar sobre a importância da comunicação com o participante. “Tem que ter clareza para comunicar como funciona um plano de previdência. Nós trabalhamos num regime de capitalização, não é um regime estático.” Ele defendeu que as entidades expliquem quando os resultados forem bons, mas também quando forem insatisfatórios, expondo a evolução ao longo do tempo, os altos e baixos do mercado, o que é déficit em relação a prejuízo e que essas flutuações são normais e a rentabilidade pode ser recuperada mais à frente, mediante o trabalho da entidade. “Comunicar é um ato de aproximação com os verdadeiros donos da reserva previdenciária acumulada, que são os participantes e assistidos”, completou.

O diretor de Normas da PREVIC, Alcinei Rodrigues, também informou sobre o processo de modernização da autarquia. “A Diretoria Colegiada revisou 20 manuais internos para o trabalho da fiscalização. Isso quer dizer que a gente está organizando um sistema de indicadores, um sistema parametrizado de fiscalização, institucional, republicana e eficiente”, explicou.

Ao discorrer sobre a Supervisão Baseada em Risco (SBR), o diretor de Normas enfatizou que há uma mudança de conceito. “Você atua de forma preditiva e educativa na governança da Entidade antes de os problemas aparecerem”, completou. Esse é um dos pilares estratégicos da PREVIC que também atua, de forma republicana, garantista, na modernização da fiscalização, na inovação e sustentabilidade.