Artigo
05/07/2024

Desafios da Gestão de Riscos no Segmento de Seguradoras

Analisa desafios atuais e estratégias dos CROs para riscos financeiros, climáticos, cibernéticos e tecnológicos em seguradoras.

Imagem de capa do artigo

Vejo notícias todos os dias na midia de desastres climáticos, como as enchentes no sul, ou o furação no caribe, os incendios e terremotos, ao mesmo tempo que não paro de ver notícias sobre ataques cibernéticos, e paro para pensar em como anda a vida dos Chief Risk Officers (CROs) das seguradoras, que estão enfrentando um cenário de riscos cada vez mais complexo e dinâmico.

Além dos riscos financeiros tradicionais, como taxas de juros e flutuações de capital, há uma crescente exposição a riscos não financeiros, incluindo eventos climáticos extremos e a rápida evolução da Inteligência Artificial Generativa (Gen AI), por isto que para enfrentar todos esses desafios, vejo os CROs dotando estratégias inovadoras que equilibram cautela e crescimento sustentável, atuando alinhados com CEOs e conselhos para mitigar ameaças geopolíticas, complexidade regulatória e ciberameaças, além de navegar nas novas tecnologias emergentes.

Queria abordar algums pontos que imagino que sejam relevantes neste momento para esta gestão de riscos:

Gestão de Capital como Tema Estratégico

A gestão de capital tornou-se ainda mais estratégica devido às mudanças no ambiente econômico e regulatório. As seguradoras estão sob pressão para repensar a composição ideal de seus balanços, especialmente devido às flutuações macroeconômicas e novas normas contábeis.

As seguradoras estecializadas em propriedades e acidentes tem particularmente enfrentado desafios significativos com a crescente demanda por cobertura de seguros devido a catástrofes frequentes e severas, assim a busca por capital alternativo tem se intensificado, e parcerias público-privadas apresentam novas oportunidades de participação de capital.

Uso de Gen AI em Escala

A Gen AI está se tornando um diferencial essencial para as seguradoras, oferecendo uma oportunidade de transformar processos manuais e legados em operações mais eficientes, assim a Gen AI pode aumentar a produtividade em 10 a 30% nas funções de risco e compliance, melhorando a qualidade da informação das apólices e automatizando a extração de dados.

No entanto como já falei outras vezes, o outro lado desta moeda é que a tecnologia também apresenta riscos, como preocupações com privacidade e segurança, exigindo uma abordagem responsável e transparente na sua implementação.

Gestão Avançada de Riscos Climáticos

Mas acho que o ponto mais relevante neste momento, e no curto prazo, são as capacidades avançadas de gestão de riscos climáticos, que como podem imaginar estão se tornando diferenciais competitivos.

As seguradoras precisam entender melhor suas exposições a riscos climáticos e preparar-se para mudanças abruptas nos padrões climáticos. Investimentos em análises climáticas avançadas e acesso a dados de terceiros são essenciais para integrar riscos climáticos na estratégia organizacional.

Neste sentido algumas regulamentações recentes, como as adotadas pela SEC nos EUA, estão pressionando as seguradoras a melhorar suas capacidades de análise de riscos climáticos. Muito ainda para avançar neste sentido. Estamos vendo o início deste movimento.

Gestão de Riscos Cibernéticos

Outro ponto cada vez mais crítico, esta na gestão de riscos cibernéticos, que se tornou uma prioridade estratégica, atraindo investimentos significativos e exigindo uma rigorosa priorização.

Com a crescente sofisticação das ciberameaças, as seguradoras precisam implementar práticas robustas de cibersegurança e adotar arquiteturas de confiança zero para melhorar a postura de segurança. A gestão de riscos cibernéticos de terceiros também está em foco, com as seguradoras examinando cuidadosamente os riscos associados aos seus parceiros e fornecedores.

Queria então comentar abaixo sobre 4 pontos que podem ajudar nisto:

Tornar a Função de Risco Mais Eficiente

As seguradoras enfrentam pressão crescente de custos, impactando os orçamentos de gestão de riscos. A eficiência das funções de risco pode ser melhorada através de investimentos seletivos em análises e automação, eliminando exercícios burocráticos desnecessários e clarificando papéis e responsabilidades das linhas de defesa.

Construir Capacidades Adequadas de Identificação de Riscos Emergentes

Uma visão clara e oportuna dos riscos emergentes permite que a seguradora navegue eficazmente pela volatilidade e incerteza. Isso requer capacidades de identificação de riscos habilitadas por dados e uma infraestrutura tecnológica flexível para coletar, agregar e monitorar riscos com dados em tempo real.

Usar Riscos e Compliance para a Fase Inicial da Tomada de Decisões

Integrar as funções de risco e compliance nas decisões de negócios desde o início é cada vez mais importante, especialmente para riscos emergentes, pois promove uma cultura de tomada de decisão baseada em riscos e permite uma execução mais rápida dentro do apetite de risco definido.

Melhorar a Agilidade Estratégica e Resiliência

Priorizar a agilidade estratégica e resiliência é fundamental para enfrentar condições econômicas incertas e paisagens industriais em evolução. Implementar estratégias flexíveis e estruturas operacionais ágeis capacita as organizações a responder dinamicamente às mudanças, sejam elas de mercado, avanços tecnológicos ou atualizações regulatórias.

Os CROs das seguradoras estão enfrentando uma multiplicidade de demandas de riscos financeiros e não financeiros, adotando uma abordagem estratégica para proteger a empresa, seus clientes, funcionários e acionistas. A colaboração estreita entre os CROs, CEOs e conselhos e seus comitês é essencial para construir capacidades de identificação de riscos emergentes, fomentar uma cultura de inovação e melhorar a agilidade e resiliência estratégica. Esses esforços garantirão que as seguradoras não apenas sobrevivam, mas prosperem em um ambiente de riscos em constante mudança.

Achou interessante? Leia mais artigos de Luiz Henrique Lobo em seu perfil do LinkedIn.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é um Chief Risk Officer (CRO)?
Um Chief Risk Officer (CRO) é um executivo responsável pela gestão de riscos em uma organização, incluindo a identificação, avaliação e mitigação de riscos financeiros e não financeiros.
Quais são os principais desafios enfrentados pelos CROs das seguradoras atualmente?
Os principais desafios incluem a gestão de riscos financeiros tradicionais, eventos climáticos extremos, evolução da Inteligência Artificial Generativa (Gen AI), ameaças geopolíticas, complexidade regulatória e ciberameaças.
Por que a gestão de capital se tornou um tema estratégico para as seguradoras?
A gestão de capital se tornou estratégica devido às mudanças no ambiente econômico e regulatório, flutuações macroeconômicas e novas normas contábeis, exigindo que as seguradoras repensem a composição de seus balanços.
Como a Gen AI está impactando as seguradoras?
A Gen AI está transformando processos manuais e legados em operações mais eficientes, aumentando a produtividade em 10 a 30% nas funções de risco e compliance, melhorando a qualidade da informação das apólices e automatizando a extração de dados.
Quais são os riscos associados à implementação da Gen AI nas seguradoras?
Os riscos incluem preocupações com privacidade e segurança, exigindo uma abordagem responsável e transparente na implementação da tecnologia.
Por que a gestão de riscos climáticos é importante para as seguradoras?
A gestão de riscos climáticos é importante porque ajuda as seguradoras a entender melhor suas exposições a riscos climáticos e a se preparar para mudanças abruptas nos padrões climáticos, integrando esses riscos na estratégia organizacional.
Quais regulamentações recentes estão pressionando as seguradoras a melhorar suas capacidades de análise de riscos climáticos?
Regulamentações adotadas pela SEC nos EUA estão pressionando as seguradoras a melhorar suas capacidades de análise de riscos climáticos.
Por que a gestão de riscos cibernéticos se tornou uma prioridade estratégica para as seguradoras?
A gestão de riscos cibernéticos se tornou uma prioridade devido à crescente sofisticação das ciberameaças, exigindo práticas robustas de cibersegurança e arquiteturas de confiança zero para melhorar a postura de segurança.
Como as seguradoras podem tornar a função de risco mais eficiente?
As seguradoras podem tornar a função de risco mais eficiente através de investimentos seletivos em análises e automação, eliminando exercícios burocráticos desnecessários e clarificando papéis e responsabilidades das linhas de defesa.
Qual é a importância de construir capacidades adequadas de identificação de riscos emergentes?
Construir capacidades adequadas de identificação de riscos emergentes é importante para que a seguradora possa navegar eficazmente pela volatilidade e incerteza, utilizando dados em tempo real para coletar, agregar e monitorar riscos.
Por que é importante integrar as funções de risco e compliance nas decisões de negócios desde o início?
Integrar as funções de risco e compliance nas decisões de negócios desde o início é importante para promover uma cultura de tomada de decisão baseada em riscos e permitir uma execução mais rápida dentro do apetite de risco definido.
Como as seguradoras podem melhorar a agilidade estratégica e resiliência?
As seguradoras podem melhorar a agilidade estratégica e resiliência implementando estratégias flexíveis e estruturas operacionais ágeis, permitindo que respondam dinamicamente às mudanças de mercado, avanços tecnológicos ou atualizações regulatórias.
Qual é a importância da colaboração entre CROs, CEOs e conselhos nas seguradoras?
A colaboração entre CROs, CEOs e conselhos é essencial para construir capacidades de identificação de riscos emergentes, fomentar uma cultura de inovação e melhorar a agilidade e resiliência estratégica, garantindo que as seguradoras prosperem em um ambiente de riscos em constante mudança.

Autor

Foto de perfil de Luiz Henrique Lobo

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante