Artigo
17/06/2025

Gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos em Instituições Financeiras: Desafios e Sugestões

Analisa desafios e propõe abordagens para gestão de riscos sociais, ambientais e climáticos em instituições financeiras.

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Existem inúmeras evidências convincentes de que a gestão corporativa dos riscos sociais, ambientais e climáticos (RSAC, ou do inglês Environmental, Social, and Corporate Governance– ESG Risk) contribui para o desempenho positivo dos negócios e que essa relação persiste ao longo do tempo. As razões são relativamente simples: a consciência dos fatores de RSAC está aumentando rapidamente à medida que os riscos ambientais e sociais se tornam mais pronunciados e visíveis. Ou seja, consumidores e investidores querem fazer negócios com empresas que partilhem os seus valores.

Juntamente com a crescente pressão dos consumidores e dos investidores, a agenda regulatória social, ambiental e climática não para: desde 2018, foram propostas globalmente mais de 180 regulamentações de RSAC novas ou alteradas – mais do que nos seis anos anteriores combinados. Além disso, os reguladores colocam especial ênfase nas instituições financeiras como “agentes de mudança” para mobilizar os recursos financeiros necessários para financiar a transição para uma economia mais sustentável. Isto também é evidente no aumento do financiamento sustentável, através do qual os bancos e os investidores fornecem o financiamento necessário para projetos de energia verde e inovação.

Principais Desafios para as Organizações na Gestão de RSAC

A maioria dos tomadores de decisão nas organizações atuais já está alinhada com a dinâmica de RSAC, tomando medidas para garantir que as suas empresas operem com base nos princípios sociais, ambientais e climáticos estabelecidos pelas boas práticas de mercado. No entanto, muitos ainda lutam para definir e implementar uma abordagem sistemática à gestão de RSAC, principalmente devido à sua complexidade. Muitos estão “voando às cegas”, alinhando-se com fatores de RSAC com base no que aprendem na vida cotidiana. Dados estes desafios estruturais, a conformidade corporativa em matéria de RSAC é frequentemente implementada de forma não estruturada, com controles espalhados de forma não organizada por documentos estratégicos, comunicados de imprensa e relatórios.

Sob esse aspecto, acredito que os principais desafios que as empresas (incluindo as instituições financeiras), normalmente precisam enfrentar podem ser agrupados em 4 questões:

1. Falta de uma estratégia coerente para a gestão de RSAC, dadas as abordagens fragmentadas aos fatores de RSAC individuais.

O primeiro grande desafio para a maioria das empresas é a falta de uma estratégia coerente para a gestão de RSAC. Historicamente, tópicos individuais de RSAC surgiram em momentos diferentes, com ritmo e proeminência variados. Embora o clima fosse anteriormente a única questão, há agora um foco crescente em questões como a biodiversidade ou os direitos humanos. Esperam-se desenvolvimentos semelhantes para todos os elementos de RSAC, podendo até levar à adição de novos componentes que ainda não estão na agenda. Como resultado, o RSAC é atualmente utilizado como um guarda-chuva para vários movimentos individuais com graus de maturidade muito diferentes e a indústria carece de uma estratégia abrangente.

2. Deficiências na estrutura de governança existente para permitir uma orientação e tomada de decisões eficazes.

As estruturas de governança existentes muitas vezes não permitem uma orientação e tomada de decisões eficazes em questões de RSAC. Fatores de RSAC individuais raramente podem ser atribuídos a apenas uma unidade de negócios ou função específica. Em muitos casos, os painéis de tomada de decisão multifuncionais necessários para abordar a conformidade de RSAC de forma holística ainda não estão estabelecidos nas organizações e os processos de escalonamento são frequentemente pouco claros. Isto pode aumentar as chances de violações regulatórias ou permitir que RSAC se materializarem em algum aspecto do negócio.

3. Dificuldades na identificação e implementação de um número cada vez maior de requisitos regulamentares relacionados com RSAC.

Outra causa subjacente comum das deficiências de conformidade de RSAC é a dificuldade em identificar e implementar um número cada vez maior de requisitos regulamentares relacionados para uma gestão eficaz do risco. Para além do foco crescente das autoridades de supervisão, o grande número de normas e melhores práticas da indústria complica ainda mais esse aspecto. Sem um ciclo de gestão central, começando pela transmissão dos requisitos externos aos processos internos, seguida da sua implementação, monitoramento e avaliação, as organizações não podem assegurar a supervisão e abrangência necessárias para cumprir os requisitos de RSAC de forma eficaz ou mitigar todos os riscos relevantes.

4. Fraca alavancagem dos facilitadores de gestão de RSAC, incluindo processos manuais de recolhimento e consolidação de dados para satisfazer os requisitos cada vez maiores de relatórios.

Vários facilitadores, incluindo pessoas, dados e tecnologia, apoiam as empresas no desenvolvimento de uma abordagem sistemática para a gestão eficaz de RSAC. No entanto, a maioria das organizações não prestou atenção suficiente à sua necessidade e valor. Elas são confrontadas com requisitos de divulgação significativamente maiores, mas carecem de dados ou apenas têm acesso a dados altamente fragmentados que, em grande parte, necessitam de ser processados manualmente. Ou seja, não fazem uso de tecnologia adequada e nem possuem mão de obra tecnologicamente capacitada para geração de relatórios e gestão confiável e consistente de RSAC.

Modelo de Gestão de RSAC: Uma Abordagem Holística

A natureza multidimensional e interoperacional das questões de RSAC exige que as empresas desenvolvam uma abordagem holística para abordá-las de forma organizada. Uma solução possível é definir um modelo operacional de gestão de RSAC que incorpore todos os componentes necessários, fornecendo uma visão de 360 graus de todos os possíveis fatores que influenciam as classificações de RSAC e os níveis de conformidade da entidade, servindo como referência para todas as principais partes interessadas. Um exemplo de construção desse modelo é descrito abaixo:

Estratégia de RSAC

O principal alicerce do modelo operacional é uma estratégia de RSAC. Isso consiste em quatro elementos:

- Materialidade: A avaliação da materialidade é o primeiro passo essencial na definição dos principais fatores ambientais, sociais e climáticos que a organização deve monitorizar e abordar. Exemplos de tais fatores incluem práticas de direitos humanos ou gestão de recursos naturais. Para as instituições financeiras, isto é especialmente crítico, uma vez que elas podem ser indiretamente afetadas pelos RSAC através das suas carteiras de financiamento.

- Ambiente Regulatório: O segundo elemento estratégico é ambiente regulatório. Criar um mapa das regulamentações de sustentabilidade aplicáveis e avaliar o seu impacto na organização é um passo crítico na formulação de uma estratégia de RSAC em uma empresa. Tal avaliação deve basear-se na estrutura sua jurídica e na geografia das suas operações. Considerando tanto o ritmo como a magnitude das mudanças na regulamentação de RSAC, as empresas fariam bem em também acompanhar as iniciativas regulamentares emergentes para antecipar requisitos futuros.

- Apetite ao Risco: Uma vez definidos os dois itens anteriores, a organização está então pronta para definir a seu apetite ao RSAC, encarando esses riscos como “drivers” de riscos financeiros ou não financeiros. A formulação de um nível de apetite de RSAC está se tornando uma expectativa regulamentar, bem como uma componente-chave da sua estratégia de gestão. É importante ressaltar que o nível de apetite deve estar acima do requisito mínimo regulatório. Os níveis de apetite também devem, idealmente, ser quantificáveis e, portanto, mensuráveis por padrões objetivos.

Roadmap de Transformação: O alicerce final da estratégia de gestão de RSAC é o roadmap de transformação que resumirá o status quo e delineará um roteiro para construir o modelo operacional de gestão de RSAC e alcançar o nível de apetite acordado. Mais detalhadamente, isto significa identificar a lacuna entre o ponto de partida e os objetivos de gestão de RSAC, para depois identificar medidas significativas e oportunas para implementação.

Organização e Governança de RSAC

Embora a gestão de riscos seja responsabilidade de todos na organização, é essencial mapear as funções e responsabilidades no que diz respeito à sustentabilidade e incorporá-las na estrutura organizacional existente. A configuração organizacional ideal garante resultados impactantes e, ao mesmo tempo, minimiza a sua complexidade. Tal como a estratégia, a governança de RSAC consiste em quatro componentes principais:

- Mandato do Conselho: A governança de RSAC começa com o mandato do conselho, que pode ser descrito como a formalização das responsabilidades de gestão individuais e coletivas a nível do conselho. Tal formalização segue dois objetivos: (i) referência aos conselheiros e demais stakeholders sobre suas respectivas atribuições em relação à sustentabilidade, e (ii) conscientização sobre questões de RSAC.

- Três Linhas de Defesa (3LDD): O conceito de Três Linhas de Defesa ou 3LDD agora amplamente adotado pelas empresas também tem que incorporar o componente de RSAC, alocando as respectivas funções e responsabilidades a 1º LDD (unidades de negócios como proprietárias de risco), 2º LDD (funções internas de controle de risco) e 3º LDD (funções de auditoria interna).

- Estrutura de Políticas: Um quadro de políticas e procedimentos relacionados à RSAC é o próximo elemento essencial da estrutura de governança. É aconselhável conceber um quadro de políticas de RSAC que incorpore todas as políticas e procedimentos relacionados à todos os tópicos de RSAC relevantes para a organização e que codifique as definições internas dos termos-chave de maneira uniforme para a manutenção de uma taxonomia de riscos coesa.

- Diretor de Sustentabilidade: Embora a sustentabilidade seja uma responsabilidade de todos, ter um Diretor de Sustentabilidade (Chief Sustainability Officer - CSO) é essencial para uma governança de RSAC adequada. Os maiores bancos do mundo (incluindo JP Morgan, Credit Suisse, Goldman Sachs e Bank of America) criaram funções dedicadas de CSO para supervisionar a transição para a sustentabilidade. O CSO terá uma responsabilidade abrangente pelo desenvolvimento e manutenção do inventário de RSAC, manutenção de controles, bem como gerenciamento de relatórios relacionados internos e externos.

Ferramentas de Gestão de RSAC

É agora claro que os RSAC exigem o mesmo nível de governança e supervisão que os riscos financeiros e não financeiros mais tradicionais. Ao mesmo tempo, os RSAC por si só ainda não são vistos como uma categoria de risco separada nas organizações. Em vez disso, olhando para as instituições financeiras, é comumente reconhecido que os RSAC podem ter impacto em outras categorias de risco mais conhecidas no quadro de Basileia III.

Um exemplo disso é o impacto das alterações climáticas no risco de crédito das instituições financeiras. Pense num banco local com uma grande carteira de empréstimos a agricultores numa área sujeita a inundações causadas pelo aquecimento global. Ao mesmo tempo, não são apenas os riscos financeiros que são afetados: outro exemplo seria um banco emprestar a setores da indústria como fabricantes de tabaco ou de armas de fogo, e ver como resultado um aumento do risco para a reputação. Devido à sua natureza multidimensional, o RSAC atravessa categorias de risco financeiro e não financeiro.

É, portanto, aconselhável incorporar os RSAC nos modelos e ferramentas de gestão de risco já existentes, em vez de vê-los isoladamente de outros riscos. Minha recomendação seria começar por construir uma função central que monitore continuamente todo o panorama regulamentar, incluindo os organismos criadores de padrões e melhores práticas, para identificar questões relevantes, direcioná-las para as funções afetadas e escalar caso uma atribuição clara não seja viável. Se tal função já estiver em vigor, é aconselhável integrar a orientação e a gestão de riscos relacionadas com RSAC.

Facilitadores de Gestão de RSAC

Para garantir uma transição bem-sucedida para uma gestão eficaz de RSAC e, consequentemente, para a sustentabilidade, as empresas precisam de se concentrar nos componentes-chave necessários para que essa transição aconteça. Existem também 4 componentes principais, conforme detalhado abaixo:

- Pessoas: A capacitação dos colaboradores para a transformação RSAC é fundamentalmente importante e pode ser alcançada através do fornecimento de informações sobre todos os tópicos de RSAC através do desenvolvimento contínuo das pessoas. Ter funções e responsabilidades claramente definidas e incorporadas organicamente na estrutura organizacional também pode ajudar ainda mais as organizações à realizar a transição RSAC de forma mais tranquila.

- Cultura: Assim como qualquer outro tema de risco, RSAC e sustentabilidade são responsabilidade de todos na organização. O estabelecimento de uma cultura de RSAC, incluindo a criação de um entendimento em todo o grupo sobre a importância da conformidade RSAC para o sucesso da empresa, é fundamental. Começa com um "tom vindo de cima" (tone for the top) adequado e refletido em treinamentos contínuos e sessões de conscientização sobre a visão de RSCA da organização e o caminho para a sustentabilidade, bem como atualizações frequentes sobre temas relacionados.

- Análise de dados e tecnologia: Definir os dados relevantes para a gestão e relatórios de RSAC, identificar as fontes de dados e implementar um processo para sua coleta, análise e geração de relatórios contínuos é fundamental para fazer a gestão de RSAC funcionar, à medida que investidores e partes interessadas começam a exigir divulgações de dados de melhor qualidade e métricas específicas. Os componentes de rede e infraestrutura tecnológica são a espinha dorsal de quaisquer esforços de dados e análise, bem como o elemento de ligação para todos os outros facilitadores. Assim, soluções automatizadas e centralizadas estão ganhando cada vez mais impulso à medida que as organizações compreendem a complexidade e a importância do recolhimento, processamento e gestão sistemática de dados de RSAC.

- Ecossistemas Corporativos: A troca regular de informações com pares e associações do mesmo setor de atuação é fundamental para identificar as melhores práticas e formas de implementar os requerimentos de RSAC, especialmente em jurisdições sem orientações ou padrões regulatórios claros.

 Conclusão

Os riscos sociais, ambientais e climáticos cada vez mais se tornam um fator chave para tomadores de decisões corporativas e partes interessadas em todos os tipos de organizações. A natureza global das alterações climáticas e dos riscos ambientais, aliado à universalização das boas práticas de direitos humanos, significa que praticamente todas as empresas serão afetadas. Ao mesmo tempo, à medida que o mundo transita para uma economia mais sustentável, as instituições financeiras serão particularmente importantes. Elas não são apenas obrigadas a atuar como impulsionadores dos princípios de RSAC nos negócios, mas também como facilitadores para ajudar as empresas a superar potenciais assimetrias de informação e garantidores de capital para atividades sustentáveis. Para gerir os riscos e oportunidades, os líderes de instituição financeiras precisam de controles e capacidades de gestão dedicados ao tema. Isto criará uma lente mais nítida através da qual será possível visualizar as eventuais exposições e garantir a construção de um quadro confiável para governar a conformidade, a supervisão e a gestão de RSAC, incluindo sistemas de TI e gestão de dados.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que são Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) e qual sua relação com <em>ESG Risk</em>?
Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) referem-se aos riscos que as empresas enfrentam relacionados a questões sociais (como direitos humanos), ambientais (como gestão de recursos naturais) e climáticas (como o aquecimento global). A gestão corporativa desses riscos também é conhecida pelo termo em inglês Environmental, Social, and Corporate Governance – ESG Risk.
Por que a gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) é considerada importante para o desempenho dos negócios?
A gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) é considerada importante porque existem evidências de que ela contribui para o desempenho positivo dos negócios, e essa relação tende a persistir ao longo do tempo. Isso ocorre, em parte, porque a consciência sobre os fatores de RSAC está aumentando rapidamente à medida que os riscos ambientais e sociais se tornam mais pronunciados e visíveis, levando consumidores e investidores a preferirem se relacionar com empresas que compartilham seus valores.
Como a agenda regulatória relacionada a Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) tem evoluído globalmente?
A agenda regulatória social, ambiental e climática tem se expandido continuamente. Desde 2018, por exemplo, foram propostas globalmente mais de 180 regulamentações de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) novas ou alteradas. Esse número é superior ao total de propostas nos seis anos anteriores combinados, indicando uma intensificação na criação de normativas para essa área.
Qual é o papel das instituições financeiras na promoção da agenda de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
As instituições financeiras são vistas pelos reguladores como cruciais “agentes de mudança” na promoção da agenda de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC). Seu papel é mobilizar os recursos financeiros necessários para financiar a transição para uma economia mais sustentável. Isso se manifesta, por exemplo, no aumento do financiamento sustentável, onde bancos e investidores fornecem capital para projetos de energia verde e inovação.
Quais são os principais desafios que as organizações geralmente enfrentam ao gerenciar Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
As organizações geralmente enfrentam quatro principais desafios na gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC):1. Falta de uma estratégia coerente para a gestão de RSAC, resultante de abordagens fragmentadas aos fatores individuais de RSAC.2. Deficiências na estrutura de governança existente, o que impede uma orientação e tomada de decisões eficazes sobre o tema.3. Dificuldades na identificação e implementação do crescente número de requisitos regulamentares relacionados com RSAC.4. Fraca alavancagem dos facilitadores de gestão de RSAC, como o uso de processos manuais para coleta e consolidação de dados, dificultando o atendimento aos crescentes requisitos de relatórios.
Por que muitas organizações têm dificuldade em implementar uma abordagem sistemática para a gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
Muitas organizações enfrentam dificuldades para definir e implementar uma abordagem sistemática à gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) principalmente devido à sua complexidade inerente. Frequentemente, as empresas alinham-se com fatores de RSAC com base no que aprendem no dia a dia, o que pode levar a uma conformidade corporativa implementada de forma não estruturada. Nessa situação, os controles podem estar espalhados de forma não organizada por documentos estratégicos, comunicados de imprensa e relatórios, em vez de integrados em um sistema coeso.
Qual é considerado o primeiro grande desafio para a maioria das empresas na gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
O primeiro grande desafio para a maioria das empresas na gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) é a falta de uma estratégia coerente. Historicamente, tópicos individuais de RSAC, como clima, biodiversidade ou direitos humanos, surgiram em momentos diferentes e com proeminências variadas. Como resultado, o termo RSAC é frequentemente utilizado como um guarda-chuva para diversos movimentos individuais com diferentes graus de maturidade, e a indústria ainda carece de uma estratégia abrangente que integre todos esses elementos de forma coesa.
De que maneira as estruturas de governança existentes podem representar um desafio para a gestão eficaz de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
As estruturas de governança existentes em muitas organizações frequentemente não estão preparadas para permitir uma orientação e tomada de decisões eficazes em relação a questões de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC). Os fatores de RSAC raramente podem ser atribuídos a uma única unidade de negócios ou função específica. Em muitos casos, os painéis de tomada de decisão multifuncionais, que são necessários para abordar a conformidade de RSAC de forma holística, ainda não estão estabelecidos. Além disso, os processos de escalonamento para questões de RSAC são frequentemente pouco claros, o que pode aumentar as chances de violações regulatórias ou permitir que riscos sociais, ambientais e climáticos se materializem em algum aspecto do negócio.
Quais dificuldades as empresas enfrentam em relação aos requisitos regulamentares de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
Uma causa subjacente comum das deficiências na conformidade de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) é a dificuldade em identificar e implementar o crescente número de requisitos regulamentares relacionados. Além do foco cada vez maior das autoridades de supervisão sobre o tema, o grande volume de normas e melhores práticas da indústria complica ainda mais esse aspecto. Sem um ciclo de gestão centralizado – que comece pela transmissão dos requisitos externos aos processos internos, seguido de sua implementação, monitoramento e avaliação – as organizações não conseguem assegurar a supervisão e a abrangência necessárias para cumprir os requisitos de RSAC de forma eficaz ou mitigar todos os riscos relevantes.
Como a subutilização de facilitadores de gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) impacta as empresas?
A maioria das organizações não tem dedicado atenção suficiente à necessidade e ao valor de facilitadores essenciais para a gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC), como pessoas capacitadas, dados e tecnologia. Como consequência, essas empresas são confrontadas com requisitos de divulgação significativamente maiores, mas frequentemente carecem de dados adequados ou têm acesso apenas a dados altamente fragmentados que, em grande parte, necessitam ser processados manualmente. Isso significa que não fazem uso de tecnologia apropriada nem possuem mão de obra tecnologicamente capacitada para a geração de relatórios e para uma gestão confiável e consistente de RSAC.
O que é um Modelo de Gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) e qual a sua finalidade?
Um Modelo de Gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) é uma abordagem holística desenvolvida para que as empresas possam lidar com as questões multidimensionais e interoperacionais de RSAC de forma organizada. A finalidade de tal modelo é definir um modelo operacional que incorpore todos os componentes necessários, fornecendo uma visão de 360 graus de todos os possíveis fatores que influenciam as classificações de RSAC e os níveis de conformidade da entidade. Ele serve como uma referência para todas as principais partes interessadas (stakeholders).
Quais são os quatro elementos que compõem a Estratégia de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) em um modelo de gestão?
A Estratégia de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC), que é o principal alicerce de um modelo operacional de gestão de RSAC, consiste em quatro elementos essenciais:Materialidade: Este é o primeiro passo e envolve a avaliação dos principais fatores ambientais, sociais e climáticos que a organização deve monitorar e abordar. Exemplos incluem práticas de direitos humanos ou gestão de recursos naturais. Para instituições financeiras, isso é especialmente crítico, pois podem ser indiretamente afetadas pelos RSAC através de suas carteiras de financiamento.Ambiente Regulatório: Este elemento consiste em criar um mapa das regulamentações de sustentabilidade aplicáveis e avaliar o seu impacto na organização, considerando sua estrutura jurídica e a geografia de suas operações. Recomenda-se também acompanhar iniciativas regulatórias emergentes para antecipar requisitos futuros.Apetite ao Risco: Após definir a materialidade e o ambiente regulatório, a organização define seu apetite ao RSAC, tratando esses riscos como impulsionadores (drivers) de riscos financeiros ou não financeiros. Este nível de apetite, que está se tornando uma expectativa regulatória, deve estar acima do requisito mínimo regulatório e, idealmente, ser quantificável e mensurável por padrões objetivos.Roadmap de Transformação: Este é o alicerce final da estratégia. Ele resume o estado atual (status quo) e delineia um roteiro para construir o modelo operacional de gestão de RSAC e alcançar o nível de apetite acordado. Isso significa identificar a lacuna entre o ponto de partida e os objetivos de gestão de RSAC, para depois identificar medidas significativas e oportunas para implementação.
O que é a avaliação da materialidade no contexto da Estratégia de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
No contexto da Estratégia de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC), a avaliação da materialidade é o primeiro passo essencial. Ela consiste em definir os principais fatores ambientais, sociais e climáticos que uma organização deve monitorar e abordar. Exemplos de tais fatores incluem práticas de direitos humanos ou a gestão de recursos naturais. Para as instituições financeiras, a avaliação da materialidade é particularmente crítica, uma vez que elas podem ser indiretamente afetadas pelos RSAC através das suas carteiras de financiamento.
Qual a importância de analisar o Ambiente Regulatório ao formular uma Estratégia de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
Analisar o Ambiente Regulatório é um passo crítico na formulação de uma Estratégia de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC). Este elemento estratégico envolve criar um mapa das regulamentações de sustentabilidade aplicáveis à organização e avaliar o impacto que elas podem ter. Essa avaliação deve ser baseada na estrutura jurídica da empresa e na geografia de suas operações. Considerando tanto o ritmo quanto a magnitude das mudanças na regulamentação de RSAC, as empresas também devem acompanhar as iniciativas regulamentares emergentes para poderem antecipar requisitos futuros.
O que significa definir o Apetite ao Risco no âmbito da gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
Definir o Apetite ao Risco no âmbito da gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) significa que a organização estabelece o nível de risco social, ambiental e climático que está disposta a aceitar. Esses riscos são encarados como potenciais impulsionadores (drivers) de riscos financeiros ou não financeiros. A formulação de um nível de apetite de RSAC está se tornando uma expectativa regulatória e é um componente-chave da estratégia de gestão de RSAC. É importante ressaltar que o nível de apetite deve estar acima do requisito mínimo regulatório e, idealmente, deve ser quantificável e, portanto, mensurável por padrões objetivos.
O que é o <em>Roadmap</em> de Transformação dentro de uma Estratégia de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
O Roadmap de Transformação é o alicerce final de uma Estratégia de Gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC). Ele tem como objetivo resumir a situação atual (status quo) da organização em relação à RSAC e delinear um roteiro claro para construir o modelo operacional de gestão de RSAC e alcançar o nível de apetite ao risco que foi acordado. De forma mais detalhada, isso implica identificar a lacuna existente entre o ponto de partida da empresa e os seus objetivos de gestão de RSAC, para então definir medidas significativas e oportunas que precisam ser implementadas para atingir esses objetivos.
Quais são os quatro componentes principais da Organização e Governança de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
A Organização e Governança de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC), essencial para garantir resultados impactantes e minimizar a complexidade na gestão da sustentabilidade, é composta por quatro componentes principais:Mandato do Conselho: Refere-se à formalização das responsabilidades de gestão, individuais e coletivas, no nível do conselho em relação à sustentabilidade. Tal formalização visa servir de referência aos conselheiros e demais stakeholders sobre suas atribuições e promover a conscientização sobre questões de RSAC.Três Linhas de Defesa (3LDD): Implica incorporar o componente de RSAC no modelo das Três Linhas de Defesa, um conceito amplamente adotado. Isso envolve alocar as respectivas funções e responsabilidades à primeira linha de defesa (unidades de negócios como proprietárias de risco), segunda linha de defesa (funções internas de controle de risco) e terceira linha de defesa (funções de auditoria interna).Estrutura de Políticas: Consiste no desenvolvimento de um quadro de políticas e procedimentos relacionados à RSAC. É aconselhável que este quadro incorpore todas as políticas e procedimentos relacionados a todos os tópicos de RSAC relevantes para a organização e que codifique as definições internas dos termos-chave de maneira uniforme, visando a manutenção de uma taxonomia de riscos coesa.Diretor de Sustentabilidade (Chief Sustainability Officer - CSO): Embora a sustentabilidade seja responsabilidade de todos, ter um Diretor de Sustentabilidade é essencial para uma governança de RSAC adequada. O CSO terá uma responsabilidade abrangente pelo desenvolvimento e manutenção do inventário de RSAC, manutenção de controles, bem como gerenciamento de relatórios relacionados, internos e externos. Grandes bancos globais, por exemplo, criaram essa função para supervisionar a transição para a sustentabilidade.
Qual é a função do Mandato do Conselho na estrutura de governança de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
Na estrutura de governança de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC), o Mandato do Conselho representa a formalização das responsabilidades de gestão, tanto individuais quanto coletivas, no nível do conselho, em relação à sustentabilidade. Essa formalização cumpre dois objetivos principais: primeiro, serve como referência para os conselheiros e demais partes interessadas (stakeholders) sobre suas respectivas atribuições em relação à sustentabilidade; segundo, promove a conscientização sobre as questões de RSAC dentro da organização.
Como o modelo das Três Linhas de Defesa (3LDD) é aplicado à gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
O modelo das Três Linhas de Defesa (3LDD), que é amplamente adotado pelas empresas para gestão de riscos, também deve incorporar o componente de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC). Isso é feito alocando as respectivas funções e responsabilidades da seguinte forma:A Primeira Linha de Defesa (1ª LDD) é composta pelas unidades de negócios, que são consideradas as proprietárias dos riscos.A Segunda Linha de Defesa (2ª LDD) compreende as funções internas de controle de risco.A Terceira Linha de Defesa (3ª LDD) é formada pelas funções de auditoria interna.Dessa maneira, a gestão de RSAC é integrada na estrutura de gerenciamento de riscos da organização.
Qual a importância de uma Estrutura de Políticas para a governança eficaz de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
Uma Estrutura de Políticas e procedimentos relacionados a Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) é um elemento essencial para uma governança eficaz. É aconselhável conceber um quadro de políticas de RSAC que incorpore todas as políticas e procedimentos relacionados a todos os tópicos de RSAC relevantes para a organização. Além disso, esse quadro deve codificar as definições internas dos termos-chave de maneira uniforme, o que é fundamental para a manutenção de uma taxonomia de riscos coesa dentro da empresa.
Qual é o papel de um Diretor de Sustentabilidade (<em>Chief Sustainability Officer - CSO</em>) na governança de RSAC?
Apesar de a sustentabilidade ser uma responsabilidade de todos dentro de uma organização, a presença de um Diretor de Sustentabilidade (Chief Sustainability Officer - CSO) é considerada essencial para uma governança de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) adequada. O CSO assume uma responsabilidade abrangente pelo desenvolvimento e manutenção do inventário de RSAC, pela manutenção de controles eficazes, e pelo gerenciamento dos relatórios relacionados a RSAC, tanto internos quanto externos. Diversas grandes instituições financeiras globais, como JP Morgan, Credit Suisse, Goldman Sachs e Bank of America, criaram funções dedicadas de CSO para supervisionar a transição para a sustentabilidade.
Como os Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) devem ser tratados em relação a outras categorias de risco tradicionais?
Os Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) exigem o mesmo nível de governança e supervisão que os riscos financeiros e não financeiros mais tradicionais. Contudo, os RSAC por si só ainda não são amplamente vistos como uma categoria de risco separada nas organizações. Em vez disso, é comumente reconhecido, especialmente em instituições financeiras, que os RSAC podem ter impacto em outras categorias de risco mais conhecidas, como as definidas no quadro de Basileia III. Portanto, é aconselhável incorporar os RSAC nos modelos e ferramentas de gestão de risco já existentes, em vez de analisá-los isoladamente de outros riscos.
De que forma as alterações climáticas podem impactar o risco de crédito das instituições financeiras?
As alterações climáticas podem impactar diretamente o risco de crédito das instituições financeiras. Um exemplo disso seria um banco local que possui uma grande carteira de empréstimos concedidos a agricultores localizados em uma área sujeita a inundações frequentes, uma consequência do aquecimento global. Nesse cenário, o aumento da frequência ou intensidade das inundações eleva a probabilidade de perdas nesses empréstimos, afetando negativamente a carteira de crédito do banco.
Como as atividades de empréstimo de um banco podem gerar risco de reputação relacionado a fatores de RSAC?
As atividades de empréstimo de um banco podem gerar risco de reputação relacionado a fatores de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) quando o banco financia setores da indústria considerados controversos. Por exemplo, se um banco concede empréstimos a fabricantes de tabaco ou de armas de fogo, ele pode enfrentar um aumento do risco para sua reputação como resultado dessas associações, pois tais setores podem ser percebidos negativamente pelo público ou por investidores preocupados com questões sociais e éticas.
Qual é a recomendação para integrar a gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) nos processos de uma organização?
A recomendação é incorporar os Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) nos modelos e ferramentas de gestão de risco que já existem na organização, em vez de tratá-los como um silo separado de outros riscos. Uma abordagem sugerida seria começar por construir uma função centralizada. Essa função teria a responsabilidade de monitorar continuamente todo o panorama regulamentar, incluindo os organismos criadores de padrões e melhores práticas do setor. Com base nesse monitoramento, a função identificaria questões de RSAC relevantes, direcionaria essas questões para as funções ou áreas afetadas dentro da empresa e escalaria a questão caso uma atribuição clara de responsabilidade não fosse viável. Se tal função de monitoramento regulatório já estiver em vigor, é aconselhável integrar a ela a orientação e a gestão de riscos relacionadas com RSAC.
Quais são os quatro principais facilitadores que apoiam uma gestão eficaz de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
Para assegurar uma transição bem-sucedida para uma gestão eficaz de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) e, consequentemente, para a sustentabilidade, as empresas precisam focar em quatro componentes-chave, ou facilitadores:Pessoas: A capacitação dos colaboradores para a transformação RSAC é fundamentalmente importante. Isso pode ser alcançado através do fornecimento de informações sobre todos os tópicos de RSAC, por meio do desenvolvimento contínuo das pessoas. Ter funções e responsabilidades claramente definidas e incorporadas organicamente na estrutura organizacional também pode ajudar as organizações a realizar a transição RSAC de forma mais tranquila.Cultura: Assim como qualquer outro tema de risco, RSAC e sustentabilidade são responsabilidade de todos na organização. O estabelecimento de uma cultura de RSAC, incluindo a criação de um entendimento em todo o grupo sobre a importância da conformidade com RSAC para o sucesso da empresa, é fundamental. Começa com um "tom vindo de cima" (tone from the top) adequado e se reflete em treinamentos contínuos e sessões de conscientização sobre a visão de RSAC da organização e o caminho para a sustentabilidade, bem como atualizações frequentes sobre temas relacionados.Análise de dados e tecnologia: Definir os dados relevantes para a gestão e relatórios de RSAC, identificar as fontes de dados e implementar um processo para sua coleta, análise e geração de relatórios contínuos é fundamental para fazer a gestão de RSAC funcionar, à medida que investidores e partes interessadas começam a exigir divulgações de dados de melhor qualidade e métricas específicas. Os componentes de rede e infraestrutura tecnológica são a espinha dorsal de quaisquer esforços de dados e análise, bem como o elemento de ligação para todos os outros facilitadores. Assim, soluções automatizadas e centralizadas estão ganhando cada vez mais impulso à medida que as organizações compreendem a complexidade e a importância do recolhimento, processamento e gestão sistemática de dados de RSAC.Ecossistemas Corporativos: A troca regular de informações com pares e associações do mesmo setor de atuação é fundamental para identificar as melhores práticas e formas de implementar os requerimentos de RSAC, especialmente em jurisdições sem orientações ou padrões regulatórios claros.
Como o desenvolvimento e a capacitação de 'Pessoas' contribuem para a gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
O fator 'Pessoas' é fundamental para uma gestão eficaz de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC). A capacitação dos colaboradores para a transformação RSAC é de importância crucial e pode ser alcançada através do fornecimento de informações abrangentes sobre todos os tópicos de RSAC, promovendo o desenvolvimento contínuo das equipes. Além disso, ter funções e responsabilidades claramente definidas e incorporadas de forma orgânica na estrutura organizacional pode auxiliar as organizações a realizar a transição para uma gestão de RSAC de maneira mais suave e eficiente.
Qual é a importância de desenvolver uma 'Cultura' organizacional focada em Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
Desenvolver uma 'Cultura' organizacional focada em Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) é de fundamental importância, pois, assim como qualquer outro tema de risco, RSAC e sustentabilidade são responsabilidade de todos na organização. O estabelecimento de uma cultura de RSAC, que inclui a criação de um entendimento em todo o grupo sobre a relevância da conformidade com RSAC para o sucesso da empresa, é crítico. Esse processo começa com um "tom vindo de cima" (tone from the top) adequado, ou seja, o exemplo e o comprometimento da alta liderança. Isso deve ser refletido em treinamentos contínuos, sessões de conscientização sobre a visão de RSAC da organização e o caminho para a sustentabilidade, bem como em atualizações frequentes sobre temas relacionados.
Qual o papel da 'Análise de dados e tecnologia' na gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC)?
A 'Análise de dados e tecnologia' desempenha um papel crucial para que a gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) funcione efetivamente. É fundamental definir quais dados são relevantes para a gestão e para os relatórios de RSAC, identificar as fontes desses dados e implementar um processo robusto para sua coleta, análise e geração de relatórios de forma contínua. Isso se torna cada vez mais importante à medida que investidores e outras partes interessadas (stakeholders) começam a exigir divulgações de dados de melhor qualidade e métricas específicas sobre RSAC. Os componentes de rede e infraestrutura tecnológica são a espinha dorsal de quaisquer esforços de dados e análise, além de serem o elemento de ligação para todos os outros facilitadores. Nesse sentido, soluções automatizadas e centralizadas para coleta, processamento e gestão sistemática de dados de RSAC estão ganhando cada vez mais impulso, à medida que as organizações compreendem a complexidade e a importância dessa tarefa.
O que são 'Ecossistemas Corporativos' no contexto da gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) e qual sua relevância?
No contexto da gestão de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC), 'Ecossistemas Corporativos' referem-se à prática de manter uma troca regular de informações com empresas pares e associações do mesmo setor de atuação. Essa colaboração é fundamental para identificar as melhores práticas de mercado e encontrar formas eficazes de implementar os requerimentos de RSAC. A relevância dos ecossistemas corporativos é especialmente acentuada em jurisdições onde não existem orientações ou padrões regulatórios claros sobre RSAC, tornando o compartilhamento de experiências e aprendizados ainda mais valioso.
Por que as instituições financeiras desempenham um papel particularmente importante na transição global para uma economia mais sustentável?
As instituições financeiras são particularmente importantes na transição para uma economia mais sustentável por múltiplas razões. Elas não são apenas obrigadas a atuar como impulsionadoras dos princípios de Riscos Sociais, Ambientais e Climáticos (RSAC) nos negócios que financiam, mas também funcionam como facilitadoras desse processo. As instituições financeiras podem ajudar as empresas a superar potenciais assimetrias de informação relacionadas à sustentabilidade e atuam como garantidoras de capital para atividades e projetos sustentáveis. Para gerenciar os riscos e as oportunidades inerentes a essa transição, os líderes de instituições financeiras precisam desenvolver controles e capacidades de gestão dedicados ao tema RSAC. Isso permitirá uma visão mais clara das exposições a esses riscos e garantirá a construção de um quadro confiável para governar a conformidade, a supervisão e a gestão de RSAC, incluindo sistemas de TI e gestão de dados adequados.

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Victor Machado

Director, Risk Management @Mastercard | Turning risks into opportunities | Doing well by doing good