Vejo notícias todos os dias na mídia de desastres climáticos, como as enchentes no sul, ou o furacão no Caribe, os incêndios e terremotos, ao mesmo tempo que não paro de ver notícias sobre ataques cibernéticos, e paro para pensar em como anda a vida dos Chief Risk Officers (CROs) das seguradoras, que estão enfrentando um cenário de riscos cada vez mais complexo e dinâmico.
Além dos riscos financeiros tradicionais, como taxas de juros e flutuações de capital, há uma crescente exposição a riscos não financeiros, incluindo eventos climáticos extremos e a rápida evolução da Inteligência Artificial Generativa (Gen AI). Por isto, para enfrentar todos esses desafios, vejo os CROs dotando estratégias inovadoras que equilibram cautela e crescimento sustentável, atuando alinhados com CEOs e conselhos para mitigar ameaças geopolíticas, complexidade regulatória e ciberameaças, além de navegar nas novas tecnologias emergentes.
Queria abordar alguns pontos que imagino que sejam relevantes neste momento para esta gestão de riscos:
Gestão de Capital como Tema Estratégico:
A gestão de capital tornou-se ainda mais estratégica devido às mudanças no ambiente econômico e regulatório. As seguradoras estão sob pressão para repensar a composição ideal de seus balanços, especialmente devido às flutuações macroeconômicas e novas normas contábeis.
As seguradoras especializadas em propriedades e acidentes têm particularmente enfrentado desafios significativos com a crescente demanda por cobertura de seguros devido a catástrofes frequentes e severas. Assim, a busca por capital alternativo tem se intensificado, e parcerias público-privadas apresentam novas oportunidades de participação de capital.
Uso de Gen AI em Escala:
A Gen AI está se tornando um diferencial essencial para as seguradoras, oferecendo uma oportunidade de transformar processos manuais e legados em operações mais eficientes. Assim, a Gen AI pode aumentar a produtividade em 10 a 30% nas funções de risco e compliance, melhorando a qualidade da informação das apólices e automatizando a extração de dados.
No entanto, como já falei outras vezes, o outro lado desta moeda é que a tecnologia também apresenta riscos, como preocupações com privacidade e segurança, exigindo uma abordagem responsável e transparente na sua implementação.
Gestão Avançada de Riscos Climáticos:
Mas acho que o ponto mais relevante neste momento, e no curto prazo, são as capacidades avançadas de gestão de riscos climáticos, que, como podem imaginar, estão se tornando diferenciais competitivos.
As seguradoras precisam entender melhor suas exposições a riscos climáticos e preparar-se para mudanças abruptas nos padrões climáticos. Investimentos em análises climáticas avançadas e acesso a dados de terceiros são essenciais para integrar riscos climáticos na estratégia organizacional.
Neste sentido, algumas regulamentações recentes, como as adotadas pela SEC nos EUA, estão pressionando as seguradoras a melhorar suas capacidades de análise de riscos climáticos. Muito ainda para avançar neste sentido. Estamos vendo o início deste movimento.
Gestão de Riscos Cibernéticos:
Outro ponto cada vez mais crítico está na gestão de riscos cibernéticos, que se tornou uma prioridade estratégica, atraindo investimentos significativos e exigindo uma rigorosa priorização.
Com a crescente sofisticação das ciberameaças, as seguradoras precisam implementar práticas robustas de cibersegurança e adotar arquiteturas de confiança zero para melhorar a postura de segurança. A gestão de riscos cibernéticos de terceiros também está em foco, com as seguradoras examinando cuidadosamente os riscos associados aos seus parceiros e fornecedores.
Queria então comentar abaixo sobre 4 pontos que podem ajudar nisto:
Tornar a Função de Risco Mais Eficiente:
As seguradoras enfrentam pressão crescente de custos, impactando os orçamentos de gestão de riscos. A eficiência das funções de risco pode ser melhorada através de investimentos seletivos em análises e automação, eliminando exercícios burocráticos desnecessários e clarificando papéis e responsabilidades das linhas de defesa.
Construir Capacidades Adequadas de Identificação de Riscos Emergentes:
Uma visão clara e oportuna dos riscos emergentes permite que a seguradora navegue eficazmente pela volatilidade e incerteza. Isso requer capacidades de identificação de riscos habilitadas por dados e uma infraestrutura tecnológica flexível para coletar, agregar e monitorar riscos com dados em tempo real.
Usar Riscos e Compliance para a Fase Inicial da Tomada de Decisões:
Integrar as funções de risco e compliance nas decisões de negócios desde o início é cada vez mais importante, especialmente para riscos emergentes, pois promove uma cultura de tomada de decisão baseada em riscos e permite uma execução mais rápida dentro do apetite de risco definido.
Melhorar a Agilidade Estratégica e Resiliência:
Priorizar a agilidade estratégica e resiliência é fundamental para enfrentar condições econômicas incertas e paisagens industriais em evolução. Implementar estratégias flexíveis e estruturas operacionais ágeis capacita as organizações a responder dinamicamente às mudanças, sejam elas de mercado, avanços tecnológicos ou atualizações regulatórias.
Os CROs das seguradoras estão enfrentando uma multiplicidade de demandas de riscos financeiros e não financeiros, adotando uma abordagem estratégica para proteger a empresa, seus clientes, funcionários e acionistas. A colaboração estreita entre os CROs, CEOs e conselhos e seus comitês é essencial para construir capacidades de identificação de riscos emergentes, fomentar uma cultura de inovação e melhorar a agilidade e resiliência estratégica. Esses esforços garantirão que as seguradoras não apenas sobrevivam, mas prosperem em um ambiente de riscos em constante mudança.
Conteúdo disponibilizado pela Okai.