Artigo
05/08/2023
Atualizado em 10/04/2026

Desafios da Sustentabilidade no setor financeiro no Brasil

Texto analisa pesquisa sobre divulgação de indicadores de sustentabilidade por instituições financeiras brasileiras e seus desafios de reporte ESG.

Resumo

Imagem de capa do artigo

Queria refletir hoje sobre o tema de sustentabilidade, e para isto queria comentar sobre uma interessante pesquisa realizada pela EY liderada pelo Rafael Schur com ajuda do Fernando Silas Siedschlag sobre como as instituições brasileiras de serviços financeiros fazem a divulgação de indicadores de sustentabilidade, que ele apresentou em um recente evento do IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa sobre os desafios de ESG, que está mesmo em como as instituições estão reportando seus indicadores e iniciativas nos seus relatórios.

A pesquisa se baseou nos relatórios de 13 IFs brasileiras, entre bancos, cooperativas, seguradoras e gestoras de ativos, tendo por base os relatórios publicados em 2022, com dados baseados nas operações de 2021, e olhou 3 dimensões: Valor para a Sociedade, Valor para os Colaboradores e Valor para os Consumidores.

Queria então abaixo detalhar mais sobre estas dimensões usadas na pesquisa, e por que são importantes, destacando os desafios e riscos em termos de sustentabilidade:

1) Dimensão: Valor para a Sociedade:

Crescimento econômico e geração de empregos

Medir o impacto direto e indireto no crescimento econômico e na criação de empregos ajuda a entender como a instituição está contribuindo para a sociedade. Desafios incluem alinhar operações com os objetivos de desenvolvimento sustentável, e o risco é a dependência de indústrias não sustentáveis.

Emissões de carbono

A gestão e redução das emissões de carbono são vitais para combater as mudanças climáticas. O desafio está na implementação de tecnologias limpas, e o risco inclui a exposição a regulamentações mais rígidas.

Consumo de energia

A eficiência energética reduz o impacto ambiental. O desafio é a transição para fontes renováveis, e o risco é o aumento dos custos de energia.

Gestão de água

A utilização responsável da água é vital, principalmente em áreas propensas à seca. O desafio é a implementação de práticas eficientes, e o risco é a escassez.

Gestão de resíduos e reciclagem

A reciclagem efetiva minimiza o impacto ambiental. O desafio é o gerenciamento eficiente, e o risco é o descumprimento das regulamentações.

Biodiversidade e uso da terra

Preservar a biodiversidade é essencial para o equilíbrio ecológico. O desafio está na gestão responsável da terra, e o risco inclui impactos negativos na biodiversidade.

Governança corporativa

A boa governança garante a operação ética e eficiente. Desafios incluem manter a transparência e integridade, e o risco é a perda de reputação.

2) Dimensão: Valor para os Colaboradores:

Composição e diversidade da força de trabalho

A diversidade promove a inovação e a equidade. O desafio é promover uma cultura inclusiva, e o risco é a discriminação e desigualdade.

Saúde e bem-estar do funcionário

Investir na saúde dos colaboradores aumenta a produtividade. O desafio é criar programas eficazes, e o risco é o aumento do absenteísmo e rotatividade.

Treinamento, aprendizagem e desenvolvimento

O desenvolvimento contínuo é vital para manter uma força de trabalho qualificada. O desafio é fornecer treinamento relevante, e o risco é a obsolescência das habilidades.

Custos da força de trabalho

Controlar os custos enquanto mantém os benefícios é vital. O desafio é equilibrar custos e benefícios, e o risco é a insatisfação e rotatividade.

Atração, retenção e rotatividade

Manter talentos é essencial para o sucesso. O desafio é criar um ambiente atraente, e o risco é a perda de talentos para competidores.

Cultura organizacional

Uma cultura saudável promove o engajamento. O desafio é manter uma cultura positiva, e o risco é uma cultura tóxica que afeta o desempenho.

3) Dimensão: Valor para os Consumidores:

Confiança do consumidor

A confiança é fundamental para manter e atrair clientes. O desafio é manter práticas éticas, e o risco é a perda de reputação e negócios.

Saúde financeira do consumidor

Oferecer produtos que promovam o bem-estar financeiro é responsável. O desafio é criar produtos relevantes, e o risco é a insatisfação e perda de clientes.

Em relação a Bancos e Cooperativas, os desafios são os temas de segurança de dados, gestão de risco sistêmico, capacitação em inclusão financeira, incorporação de fatores de ESG na análise de crédito e ética empresarial abordam desafios específicos, como a proteção de informações sensíveis, prevenção de crises financeiras, promoção de acesso financeiro, integração de critérios sustentáveis e manutenção de operações éticas.

Na parte de Seguradoras, os desafios são as informações transparentes, políticas responsáveis, e gestão de risco sistêmico e exposição ao risco ambiental destacam a necessidade de comunicação clara, incentivo ao comportamento responsável, prevenção de crises e mitigação de riscos ambientais.

Na área de WAM (Wealth and Asset Management) os desafios são a administração de investimentos, métricas de atividade, e incorporação de fatores de ESG na gestão refletem a necessidade de uma gestão eficiente, mensuração de desempenho e integração de critérios sustentáveis.

Cada uma dessas dimensões e indicadores revela um aspecto fundamental da operação das instituições financeiras e seu impacto na sustentabilidade. O entendimento e a gestão desses aspectos são essenciais para a contribuição positiva à sociedade, colaboradores e consumidores, bem como para a mitigação de riscos.

Continuo destacando agora então alguns dos principais resultados desta pesquisa, e um pouco sobre as implicações para o setor financeiro, além dos pontos fortes e das oportunidades de melhoria nestes relatórios das IFs brasileiras.

1) Pontos Fortes:

Os relatórios avaliados revelaram vários pontos fortes em relação à divulgação de indicadores de sustentabilidade como:

Transparência no Engajamento da Comunidade

Muitas instituições mostraram um compromisso claro com o engajamento da comunidade, refletindo a preocupação com a responsabilidade social.

Compromisso com a Diversidade da Força de Trabalho

Há uma tendência crescente na divulgação de métricas relacionadas à diversidade, refletindo a crescente consciência social neste domínio.

Foco no Consumidor

Algumas instituições têm se destacado na promoção da confiança do consumidor, transparência nas informações e gestão de riscos sistêmicos.

2) Oportunidades de Melhoria:

Mas a pesquisa também destacou áreas onde as IFs podem melhorar:

Informações sobre Emissões de Carbono e Consumo de Energia

A pesquisa destacou uma falta de consistência na divulgação dessas métricas críticas.

Treinamento, Aprendizagem e Desenvolvimento de Funcionários

Estas áreas foram geralmente sub-representadas nos relatórios.

Integração de Fatores ESG na Análise de Crédito e Gestão de Investimentos

A pesquisa identificou uma falta de uniformidade na forma como essas informações são divulgadas.

3) Principais Dilemas e Desafios:

A pesquisa também revelou vários dilemas e desafios que precisam ser abordados para uma evolução contínua:

Dilema da Transparência versus Confidencialidade

Enquanto a transparência é essencial, deve ser equilibrada com a necessidade de manter informações confidenciais e sensíveis protegidas.

Complexidade na Medição e Relato:

O relato de métricas de sustentabilidade envolve uma complexidade significativa, e há uma necessidade de padronização para facilitar a comparação e a análise.

Os resultados da pesquisa EY mostram claramente que a sustentabilidade não é mais um "tema periférico", de pouca relevância nas empresas, mas um elemento central na estratégia e operação das IFs. A sustentabilidade agora deveria impactar as decisões estratégicas, influenciando as operações do dia a dia, e afeta o relacionamento com os clientes e todas as demais partes interessadas.

As mudanças no ambiente de negócios estão forçando as IFs a reavaliar seus riscos e oportunidades. Neste sentido, as mudanças climáticas que passamos, por exemplo, apresentam riscos significativos, mas também abrem novas oportunidades para produtos e serviços financeiros sustentáveis.

O setor financeiro está sob crescente pressão regulatória para incorporar a sustentabilidade em seus modelos de negócios. As novas regulamentações estão forçando as IFs a desenvolverem novas competências, processos e infraestruturas.

Os dilemas destacados na pesquisa refletem desafios significativos que as Instituições Financeiras brasileiras enfrentam na divulgação das suas informações referentes à sustentabilidade. Esses dilemas não são apenas restritos ao setor financeiro, mas espelham tendências e preocupações globais em relação à sustentabilidade, governança e responsabilidade social corporativa.

Vejam alguns deles que a pesquisa muito bem destaca:

1) Emissões de Carbono X Biodiversidade e Uso da Terra:

Esse dilema destaca a necessidade de abordar a biodiversidade e uso da terra com a mesma seriedade que as emissões de carbono. Enquanto a questão do carbono tem sido tratada com rigor, a biodiversidade permanece como um ponto fraco. O fortalecimento do TCFD pode ajudar a impulsionar esse tema, exigindo uma abordagem mais sistêmica e integrada.

2) Composição da Força de Trabalho X Diversidade, Saúde e Bem-estar do Colaborador:

Este dilema enfatiza a importância de não apenas focar na diversidade, mas também no bem-estar e saúde mental dos colaboradores. A pandemia do Covid-19 destacou a necessidade de uma abordagem mais holística, que provavelmente exigirá a implementação de métricas e relatórios mais refinados.

3) Confiança dos Consumidores X Saúde Financeira dos Consumidores:

A desigualdade na divulgação destes temas aponta para a necessidade de um entendimento mais uniforme e alinhado em todo o setor sobre o que constitui um relacionamento saudável e transparente com os consumidores. Regulamentações mais rígidas e métricas padronizadas podem ser o caminho para aprimorar este aspecto.

4) Fatores ESG nas Decisões de Negócios X Inclusão Financeira:

Este dilema mostra a importância de alinhar a inclusão financeira com a agenda mais ampla de ESG. As IFs têm a oportunidade de demonstrar liderança neste domínio, mostrando como os critérios ESG podem ser integrados de forma eficaz nas decisões de negócios, não apenas em termos de risco, mas também de inclusão e acessibilidade.

Os dilemas acima exigem um compromisso renovado e focado das IFs para ir além das métricas tradicionais e enfocar áreas que talvez tenham sido negligenciadas. Isso exigirá uma colaboração entre reguladores, IFs e outras partes interessadas para desenvolver métricas, práticas e relatórios mais sofisticados e holísticos que reflitam verdadeiramente os desafios e oportunidades da sustentabilidade no mundo moderno.

A jornada para uma maior transparência e responsabilidade é complexa, mas essencial para o futuro do setor financeiro e para o bem-estar da sociedade como um todo. As IFs brasileiras têm a oportunidade de serem líderes neste campo, aprendendo com estas experiências e estabelecendo padrões para os outros seguirem.

A evolução do setor em relação à sustentabilidade será um processo contínuo, e a pesquisa da EY é um marco valioso na compreensão de onde o setor está e para onde está se dirigindo.

Aos que se interessaram, mais detalhes da pesquisa em:

Desafios no reporte de sustentabilidade do setor financeiro no Brasil (ey.com)

Consulta regulatória realizada na Okai.
As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.
Atualizado

Não há sinal de desatualização relevante neste conteúdo.

Perguntas e respostas

Onde existem oportunidades de melhoria?
O conteúdo aponta inconsistência em emissões e energia, pouca informação sobre desenvolvimento de funcionários e falta de uniformidade na integração ESG ao crédito e aos investimentos.
Quais pontos fortes aparecem nos relatórios avaliados?
Foram destacados engajamento com comunidades, divulgação de diversidade da força de trabalho e atenção à confiança e transparência para consumidores.
Por que a padronização de métricas é importante?
Ela facilita comparação, análise e acompanhamento da evolução das instituições diante da complexidade dos impactos de sustentabilidade.
Quais dimensões estruturam a análise de sustentabilidade apresentada?
A pesquisa organiza os indicadores em valor para a sociedade, valor para os colaboradores e valor para os consumidores.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante