Artigo
10/06/2023
Atualizado em 10/04/2026

Detalhando a Due Diligence do Cliente (CDD) no Processo de Conheça Seu Cliente (KYC)

A Due Diligence do Cliente (CDD) no KYC envolve níveis simplificado, padrão, aprimorado e contínuo para verificar riscos, autenticidade e monitorar clientes, enfrentando desafios e erros comuns em cada etapa.

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A Due Diligence do Cliente (CDD) é uma parte essencial do processo de conhecer o seu cliente (KYC), focada na identificação de potenciais clientes e na verificação de sua autenticidade e legitimidade.

Neste sentido, gostaria neste post de detalhar abaixo um pouco mais alguns diferentes aspectos da CDD, destacando os principais tipos, suas características, aonde são usados e com quem, assim como os maiores desafios e erros comuns cometidos em cada um.

1) Due Diligence Simplificada (SDD):

A Due Diligence Simplificada é aplicável quando um cliente é considerado de baixo risco.

SDD é um nível básico de CDD, utilizado quando o cliente é considerado de baixo risco. Isso significa que há pouca probabilidade de o cliente estar envolvido em atividades ilícitas como lavagem de dinheiro ou financiamento ao terrorismo.

Na prática, o SDD geralmente envolve coletar e verificar informações de identificação básicas, como nome e endereço. Documentos de identidade, como um passaporte ou carteira de motorista, podem ser usados para verificar a identidade do cliente, mas as verificações são geralmente menos aprofundadas do que nos outros tipos de CDD.

SDD envolve menos verificações e coleta de informações do que os outros tipos de CDD devido à percepção de baixo risco associado ao cliente.

É fundamental ter critérios claros para categorizar um cliente como de baixo risco. Embora simplificado, é essencial ter um processo para monitorar se o perfil de risco do cliente muda com o tempo.

Desafios:

  • Categorização de Risco: Determinar se um cliente se enquadra na categoria de baixo risco pode ser desafiador, devido a nuances nos regulamentos e natureza do negócio.
  • Informações Mínimas: Equilibrar entre coletar informações suficientes sem exagerar pode ser um desafio.

Erros Comuns:

  • Confiança Demais: Assumir que clientes de baixo risco não representam nenhum risco e, assim, negligenciar aspectos importantes de diligência.
  • Documentação Insuficiente: Falhar em manter documentação adequada devido ao processo simplificado.

2) Due Diligence Padrão (CDD):

A Due Diligence Padrão é a forma mais comum de CDD e é aplicada à maioria dos clientes.

CDD padrão é o nível de verificação que é realizado na maioria dos clientes. É mais abrangente do que o SDD e é utilizado quando o cliente não se enquadra nas categorias de baixo ou alto risco.

Na prática, isso envolve verificar a identidade do cliente a partir de várias fontes confiáveis e coletar informações sobre a natureza do negócio do cliente. Isso pode incluir entender o propósito da conta ou relação comercial, e avaliar o risco associado com o cliente com base em várias informações e critérios.

É mais aprofundado que o SDD, mas menos abrangente que o EDD. É o nível de CDD mais comumente aplicado.

Essencial aqui a verificação da identidade do cliente a partir de várias fontes confiáveis, com a determinação e avaliação da natureza do negócio do cliente ou o propósito da transação, além de ter procedimentos robustos para validar as fontes de verificação de identidade. Assim como de entender o propósito da transação é fundamental para avaliar o risco associado.

Desafios:

  • Fontes Confiáveis: Achar fontes confiáveis para verificar a identidade do cliente pode ser difícil, especialmente em mercados internacionais.
  • Entender o Negócio do Cliente: Avaliar a natureza do negócio do cliente pode ser complicado, particularmente se o negócio operar em um setor pouco familiar.

Erros Comuns:

  • Verificação Superficial: Realizar verificações apenas como uma formalidade, sem realmente entender o propósito do negócio ou transação.
  • Depender de Informações Desatualizadas: Utilizar informações de bancos de dados antigos que não refletem o estado atual do cliente.

3) Due Diligence Aprimorada (EDD):

Aplica-se a clientes que têm um alto quociente de risco, como os envolvidos com lavagem de dinheiro ou financiamento ao terrorismo.

EDD é usado para clientes e transações consideradas de alto risco. Isso pode incluir clientes que estão mais propensos a estar envolvidos em lavagem de dinheiro ou financiamento ao terrorismo, como Pessoas Politicamente Expostas (PEPs).

A EDD na prática envolve uma investigação muito mais detalhada sobre o cliente. Isso inclui verificar a origem dos fundos, entender em detalhes a natureza do negócio do cliente, e frequentemente requer a aprovação da alta administração para iniciar ou continuar uma relação comercial. O monitoramento das transações também é mais rigoroso.

É o nível mais rigoroso de CDD, exigindo a coleta e verificação de muito mais informações do que a SDD e CDD padrão.

Aqui é essencial a verificação aprofundada das informações dos clientes, com a obtenção de informações críticas, como a origem ou fonte de seus fundos. E também deveria requerer uma aprovação da alta administração antes de entrar em uma transação com clientes de alto risco.

A identificação de Pessoas Politicamente Expostas (PEPs) é um aspecto crucial, assim como deve-se ter um processo detalhado para rastrear a origem dos fundos.

Desafios:

  • Identificar PEPs: Identificar pessoas politicamente expostas pode ser desafiador, já que os PEPs nem sempre podem estar dispostos a revelar suas afiliações.
  • Verificar Origem de Fundos: Rastrear a origem de fundos de clientes de alto risco é complexo, especialmente quando envolve múltiplas jurisdições.

Erros Comuns:

  • Falta de Análise Profunda: Não realizar uma análise aprofundada da origem dos fundos, confiando apenas em declarações do cliente.
  • Não Buscar Aprovação da Gestão Sênior: Ignorar a necessidade de aprovação da alta gerência antes de realizar transações com clientes de alto risco.

4) Due Diligence Contínua:

Como a situação financeira de um cliente muda com o tempo, a due diligence contínua é essencial para acompanhar essas mudanças.

É um processo de monitoramento contínuo do relacionamento com o cliente e de suas transações financeiras para garantir que eles permaneçam consistentes com o perfil do cliente e com o nível de risco identificado.

Na prática, isso envolve o uso de sistemas de monitoramento de transações para identificar atividades incomuns ou suspeitas e conduzir análises periódicas do perfil de risco do cliente.

Não é um tipo de CDD realizado no início de uma relação comercial, mas sim um processo contínuo que acompanha o relacionamento com o cliente ao longo do tempo.

Aqui é fundamental o monitoramento regular das transações e atividades dos clientes, e a atualização do perfil de risco do cliente com base em mudanças observadas, neste sentido é essencial ter bons sistemas e dados para sinalizar transações incomuns ou suspeitas. Além de reavaliar o perfil de risco de um cliente e atualizar a categoria de due diligence conforme necessário.

Desafios:

  • Monitoramento Ativo: Manter o monitoramento constante das transações e atividades de clientes requer recursos e ferramentas adequadas.
  • Atualização de Categorias de Risco: Avaliar e reclassificar o perfil de risco dos clientes ao longo do tempo é um desafio operacional.

Erros Comuns:

  • Complacência: Assumir que uma vez concluído o CDD, não há necessidade de revisão ou monitoramento contínuo.
  • Ignorar Indicadores de Risco: Não agir com base em indicadores de mudanças no comportamento transacional ou no perfil de risco do cliente.

A CDD é vital para gerenciar riscos e cumprir as regulamentações de PLD, por isto mesmo as áreas de gestão de riscos devem implementar processos robustos para realizar a Due Diligence do Cliente em seus diferentes aspectos, e devem estar sempre atualizados com as mudanças regulatórias e melhores práticas do setor. A Due Diligence contínua é especialmente importante para garantir que as medidas de risco sejam proativas e reflitam a realidade dinâmica do comportamento financeiro dos clientes.

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Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante