Artigo
16/05/2023
Atualizado em 10/04/2026

Dicas de Como Engajar a 1ª Linha de Defesa na Gestão de Riscos ao Promover uma Cultura de Conformidade Eficaz

A primeira linha de defesa se engaja quando compreende o propósito dos controles, participa de sua construção e recebe liderança ética, comunicação aberta e responsabilidades claras.

Resumo

Outro dia estava vendo um vídeo no YouTube do colega de Comissão de Riscos do IBGC e grande consultor Marcos Assi dando uma aula sobre a chamada primeira linha de defesa na gestão de riscos, baseado no livro que escreveu: "Transformando as três linhas em geração de valor; como a gestão de riscos e o sistema de controles internos", que até já tinha comentado e indicado aqui antes.

Por isto mesmo queria abordar aqui hoje um dos pontos que acho mais importantes, e por que não dizer desafiadores, que é como conseguir um engajamento da chamada 1ª Linha de Defesa na Gestão de Riscos, ao promover uma Cultura de conformidade eficaz.

Sabemos bem de que a gestão e o controle de riscos são elementos essenciais para o sucesso e a sustentabilidade das empresas, mas sabemos também de que muitas empresas enfrentam desafios significativos na implementação eficaz dessas práticas, por isto uma abordagem que tem se mostrado bastante promissora, é o envolvimento ativo da 1ª Linha de Defesa, composta pelos colaboradores diretamente envolvidos nas atividades operacionais, por isto queria destacar abaixo a importância do engajamento da 1ª Linha de Defesa na gestão de riscos, destacando os benefícios e estratégias para promover uma cultura de conformidade efetiva.

Queria então descarar abaixo os seguintes itens que acho relevante sobre o tema:

1) Compreendendo o Raciocínio por trás dos Procedimentos, Metas e Normas

A primeira etapa para engajar a 1ª Linha de Defesa na gestão de riscos é garantir que os colaboradores compreendam o raciocínio por trás dos procedimentos e metas estabelecidos. Isso envolve fornecer treinamentos claros e abrangentes, destacando a importância da conformidade e os impactos positivos que ela traz para a organização. Ao entender a lógica subjacente às medidas de gerenciamento de riscos, os colaboradores são mais propensos a adotar práticas adequadas e tomar decisões informadas.

A compreensão dos regulamentos e a adesão às normas e regras internas e externas são aspectos essenciais para engajar a gestão de primeira linha de forma eficaz. Ao familiarizar-se com as leis e regulamentações relevantes, os colaboradores terão uma base sólida para a tomada de decisões em relação aos riscos e compliance. Além disso, a implementação de procedimentos claros e bem comunicados simplificará o processo, permitindo que os colaboradores entendam suas responsabilidades e sigam os protocolos de forma consistente.

2) Promovendo Comportamento Ético, Integridade e Honestidade:

Um aspecto fundamental para o engajamento da 1ª Linha de Defesa é promover um comportamento ético, integridade e honestidade em todos os níveis da organização. Os líderes desempenham um papel crucial ao estabelecer um tom ético e demonstrar comprometimento com os mais altos padrões de conduta. Além disso, é necessário criar canais eficazes de comunicação, como linhas diretas de denúncia e programas de incentivo à ética, para que os colaboradores se sintam seguros ao relatar irregularidades ou preocupações relacionadas aos riscos.

Cabe reforçar sempre a importância de conceitos como honestidade e ética nas operações diárias da gestão de riscos. Esses valores fundamentais devem estar incorporados na cultura da organização para garantir que todas as decisões e ações sejam tomadas com base em princípios morais sólidos. Ao promover uma abordagem ética, a gestão de primeira linha estará mais engajada e comprometida com a identificação e mitigação de riscos, garantindo um ambiente de trabalho confiável e íntegro.

3) Benefícios Econômicos do Investimento em Estruturas de Conformidade e Gerenciamento de Riscos:

Importante mostrar os benefícios econômicos de investir em estruturas de conformidade e gerenciamento de riscos. Embora essas iniciativas possam exigir recursos iniciais, elas trazem retornos significativos a longo prazo. Ao mitigar os riscos operacionais, financeiros e reputacionais, as empresas podem evitar perdas financeiras, multas regulatórias e danos à sua imagem. Além disso, uma abordagem proativa na gestão de riscos permite que as empresas identifiquem oportunidades de negócio, aumentem a eficiência operacional e melhorem a tomada de decisão estratégica.

4) Criando Classificações de Risco para Minimizar Riscos na Cadeia de Valor:

Um exemplo mencionado no livro é a criação de classificações de risco para minimizar os riscos em toda a cadeia de valor. Essa abordagem envolve identificar e avaliar os riscos em cada etapa da cadeia de suprimentos e implementar medidas adequadas para mitigá-los. Ao envolver a 1ª Linha de Defesa nesse processo, a empresa pode obter insights valiosos dos colaboradores que estão diretamente envolvidos nas operações diárias, melhorando a precisão e a eficácia das classificações de risco.

Não podemos aqui deixar de destacar os benefícios econômicos de investir em estruturas de compliance e gestão de riscos, incluindo processos definidos, cadeias de valor e matrizes integradas de gestão de riscos. Essas estruturas ajudam as empresas a criar classificações de risco e implementar os controles necessários em toda a cadeia de valor, minimizando os riscos de forma eficaz. Um exemplo de cliente ilustra como essa abordagem pode ser aplicada na prática, demonstrando os benefícios tangíveis de um engajamento eficaz da 1ª Linha de Defesa na gestão de riscos.

5) Estrutura Hierárquica de Governança e Papel dos Principais Atores:

Dentro de uma organização, a estrutura hierárquica de governança desempenha um papel crucial no envolvimento da primeira linha de gestão na gestão de riscos. Isso inclui o conselho de administração, a gerência executiva, os auditores e a auditoria interna. Cada um desses atores desempenha um papel específico no processo de gerenciamento e controle de riscos, e é essencial que eles entendam claramente suas responsabilidades e contribuições para garantir uma abordagem abrangente e eficaz.

6) Conectando Vida Pessoal e Trabalho para Entender o Impacto da Conformidade:

Queria destacar mais uma vez a importância de as pessoas conectarem suas vidas pessoais com o trabalho para entender melhor o impacto da conformidade e do gerenciamento de riscos em suas operações diárias. Isso implica reconhecer que as boas práticas de conformidade não se limitam apenas ao ambiente de trabalho, mas também têm relevância em todas as esferas da vida. Ao promover essa conexão, os colaboradores podem adotar uma mentalidade de gestão de riscos holística, aplicando os princípios aprendidos não apenas no trabalho, mas também em suas atividades cotidianas.

7) Importância da Comunicação e Colaboração entre Gestores e Funcionários:

Aqui bom destacar a importância da comunicação e colaboração entre gestores e funcionários para monitorar e avaliar a eficácia dos sistemas de controle. Ao manter um diálogo aberto e transparente, a gestão de primeira linha pode identificar lacunas ou áreas de melhoria nos processos de gestão de riscos e compliance. Além disso, essa colaboração promove um senso de propriedade e responsabilidade compartilhada, garantindo que todos estejam plenamente envolvidos e comprometidos com o processo.

8) Mudança Cultural e Monitoramento Constante:

Uma mudança cultural efetiva requer convencer as pessoas a fazerem a coisa certa, promovendo não apenas a conformidade com as leis, mas também o comportamento ético, integridade e honestidade. Isso implica em mudar a conduta, melhorar posturas e manter um monitoramento constante para garantir a obediência como parte do dia a dia da organização. O engajamento da gestão de primeira linha é crucial nesse processo, pois eles são os responsáveis por disseminar os valores e garantir sua implementação em todas as áreas da empresa.

Por fim, é legal ver o exemplo prático que ele conta de como convenceu um diretor a implementar processos em sua empresa, comparando esse processo a uma consulta médica, onde o paciente é avaliado, diagnosticado e prescrito um medicamento ou tratamento. Da mesma forma, o papel da gestão de primeira linha é determinar os procedimentos, regras e matrizes operacionais, enquanto cabe a eles implementar esses processos. É essencial compreender o papel da gestão de primeira linha no processo para garantir seu total envolvimento e responsabilidade.

O engajamento da 1ª Linha de Defesa na gestão de riscos é fundamental para a criação de uma cultura de conformidade eficaz. Ao compreender o raciocínio por trás dos procedimentos e diretrizes, promover comportamento ético, destacar os benefícios econômicos, criar classificações de risco e conectar vida pessoal e trabalho, as empresas podem fortalecer sua capacidade de identificar, avaliar e mitigar riscos. Esse engajamento não apenas protege a organização de potenciais danos, mas também impulsiona o crescimento, a inovação e a sustentabilidade a longo prazo. É fundamental que as empresas incentivem continuamente o envolvimento da 1ª Linha de Defesa e se adaptem às mudanças regulatórias e de mercado para garantir uma gestão eficaz dos riscos.

Podem ver o vídeo completo no seguinte link:

https://youtu.be/LHZ82AyzATE

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Perguntas e respostas

Como a participação no desenho aumenta o engajamento?
As equipes contribuem com conhecimento prático e tendem a assumir maior responsabilidade por controles que ajudaram a construir.
Que comportamento da liderança fortalece a cultura?
Coerência ética, comunicação aberta, apoio ao reporte de problemas e responsabilização clara pelas decisões.
Quem compõe a primeira linha de defesa?
As áreas e gestores que executam atividades, tomam decisões e administram diretamente os riscos e controles de seus processos.
Por que explicar o propósito dos controles?
A compreensão reduz a percepção de burocracia e mostra como o controle protege objetivos, clientes e a própria área.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante