Outro dia estava discutindo em um banco que trabalho no Comitê Independente de Riscos com o time de riscos socioambientais como este tema impactaria o risco de crédito, um tema certamente ainda novo para muita gente, mas que cada vez desperta interesse e atenção, por isto é o tema que queria abordar hoje aqui.
Neste sentido, ao tentar entender mais sobre o tema, me deparei com um interessante paper (em inglês) escrito pelo Jonas de Oliveira Campino - PhD-MBA, um especialista em gestão de riscos do BID, que queria compartilhar com vocês, que exatamente falar em calcular o impacto marginal dos choques de risco climático na qualidade de crédito de uma carteira, aqui no caso soberana, mas que acho que poderia ser usada de forma mais genérica, de forma prospectiva e em termos probabilísticos. O estudo conclui que o aspecto de transição do risco climático tem um impacto marginal mais pronunciado no risco de crédito de uma carteira soberana do que o aspecto físico crônico do risco climático. Além disso, os resultados indicam que, à medida que o mundo toma medidas para se afastar do carbono, o risco de crédito das carteiras soberanas pode ser exacerbado, especialmente se houver atrasos e falta de coordenação entre países e setores.
A metodologia proposta é um exercício de teste de estresse que avalia o risco de crédito de uma carteira soberana hipotética da América Latina e do Caribe de maneira probabilística e prospectiva, usando aprendizado de máquina e métodos de simulação de Monte Carlo.
Este artigo adapta a metodologia original para contabilizar o impacto dos choques de risco climático previstos na qualidade de crédito da carteira. A gravidade dos choques de crédito é ajustada para contabilizar eventos relacionados ao risco climático de forma aditiva usando o banco de dados NGFS.
Os aprimoramentos metodológicos introduzidos neste artigo permitem a comunicação do impacto do risco climático sobre o risco de crédito em quantidades marginais de consumo de capital, o que facilita a comparação da magnitude relativa dos choques de risco climático com a de outros choques de risco de crédito.
O artigo apresenta uma visão geral do modelo subjacente e da abordagem metodológica desenvolvida para adaptar os recursos de teste de estresse de risco de crédito para contabilizar o risco climático usando o banco de dados NGFS.
Além disso, ainda aplica a metodologia a uma carteira hipotética de empréstimos soberanos e discute os resultados. O estudo conclui que o aspecto de transição do risco climático tem um impacto marginal mais pronunciado no risco de crédito de uma carteira soberana do que o aspecto físico crônico do risco climático.
Os resultados indicam que, à medida que o mundo toma medidas para se afastar do carbono, o risco de crédito das carteiras soberanas pode ser exacerbado, especialmente se houver atrasos e falta de coordenação entre países e setores.
Há muito ainda que estudar e se fazer nesta área, e certamente veremos mais nos próximos anos. Estaremos ligados e acompanhando.
Podem ter acesso ao paper completo em: