Artigo
01/09/2025

IFRS 18: Subtotais que Importam! A Nova Era da Transparência na Demonstração do Resultado

Analisa a obrigatoriedade dos subtotais na demonstração do resultado e seus impactos na transparência contábil.

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Este artigo analisa a implementação da IFRS 18 e do CPC 51 (em consulta pública para convergência), que tornam obrigatória a apresentação de subtotais na demonstração do resultado, em especial o lucro operacional e o lucro antes de financiamento e impostos. Discute-se a relevância desses subtotais, seus benefícios para a comparabilidade e transparência das informações contábeis e suas implicações para profissionais e estudantes da área. O texto também provoca a reflexão sobre qual subtotal é mais relevante na avaliação de empresas, enriquecendo a análise com exemplos ilustrativos disponibilizados pelo IASB.

1. Introdução

Com a chegada da IFRS 18 – Apresentação e Divulgação nas Demonstrações Financeiras (no Brasil, o CPC 51 encontra-se em consulta pública para convergência), a forma de apresentar o resultado das companhias passa por uma transformação significativa. Dois subtotais se tornam mandatórios: o lucro operacional e o lucro antes de financiamento e impostos. Essa obrigatoriedade traz mais clareza e comparabilidade para investidores, credores e demais usuários da informação contábil. Este artigo busca contextualizar as mudanças, analisar seus impactos e provocar a reflexão sobre qual subtotal é mais relevante na avaliação de empresas, trazendo exemplos práticos das demonstrações ilustrativas publicadas pelo IASB.

2. Desenvolvimento

2.1 A Norma em Foco

A IFRS 18, emitida em 2025, e o CPC 51, atualmente em consulta pública no Brasil, substituindo o CPC 26. Dentre as principais alterações, destacam-se: a classificação de receitas e despesas em categorias, a obrigatoriedade dos subtotais mencionados e a exigência de maior transparência em medidas de desempenho definidas pela administração. Além disso, introduz princípios mais claros para agregação e desagregação de informações.

2.2 Benefícios da Norma

Os principais benefícios da IFRS 18 podem ser resumidos em três eixos: a) Mais clareza sobre a performance do negócio; b) Separação entre gestão operacional e efeitos financeiros; c) Comparabilidade e padronização entre empresas e setores.

2.3 Exemplos Ilustrativos da IFRS 18

Os exemplos ilustrativos publicados pelo IASB reforçam a aplicação prática da norma. Em um caso de fabricante (Grupo XYZ), observa-se a inclusão dos subtotais obrigatórios:

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Esse exemplo evidencia como os subtotais tornam a DRE mais estruturada e transparente, separando claramente o resultado da gestão operacional dos efeitos financeiros.

Esse é um exemplo simplificado, a norma exige também a Demonstração do Resultado Abrangente, além de notas adicionais.

2.4 Qual Subtotal é Mais Relevante?

O debate sobre qual subtotal é mais relevante não tem resposta única. O lucro operacional é central para gestores, enquanto o lucro antes de financiamento e impostos interessa mais a investidores e analistas. Ambos são úteis, e a norma reconhece isso ao torná-los obrigatórios. A análise depende da perspectiva: gestão, credores ou mercado de capitais. O exemplo do Grupo XYZ mostra que ambos os subtotais convivem lado a lado, fornecendo lentes diferentes para interpretar a performance da companhia.

2.5 Normas Relacionadas

- IFRS 18 / CPC 51 – Apresentação e Divulgação em Demonstrações Financeiras - IAS 1 – substituída pela IFRS 18 - IAS 7 / CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa - CPC 09 – Demonstração do Valor Adicionado (mantida no Brasil)

2.6 Implicações para Estudantes e Profissionais

Para estudantes, a norma exige um novo olhar sobre a DRE, indo além da memorização de estruturas. Para profissionais, a mudança implica revisão de relatórios, modelos de valuation, covenants financeiros e métricas de desempenho. A adoção da IFRS 18 exigirá adaptação de processos internos, sistemas e relatórios corporativos. O uso dos exemplos ilustrativos em treinamentos e salas de aula facilita a compreensão prática da norma.

3. Conclusão

A IFRS 18 inaugura uma nova era da transparência. Ao tornar mandatórios subtotais cruciais, contribui para a melhoria da qualidade da informação contábil. Os exemplos ilustrativos reforçam que a estruturação clara da DRE facilita a análise por diferentes usuários da informação. A provocação final permanece: qual subtotal guiará suas decisões de análise – o lucro operacional ou o lucro antes de financiamento? Independentemente da resposta, o que se observa é um avanço inegável rumo à padronização e à clareza na avaliação do desempenho corporativo.

Referências

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 51 – Apresentação e Divulgação em Demonstrações Contábeis. Consulta Pública SNC nº 01/2025. Disponível em: <http://www.cpc.org.br>. Acesso em: ago. 2025. INTERNATIONAL ACCOUNTING STANDARDS BOARD. IFRS 18 – Presentation and Disclosure in Financial Statements. London: IFRS Foundation, 2025. IASB. IFRS 18 – Exemplos Ilustrativos. Londres: IFRS Foundation, 2025. CVM – COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Edital de Consulta Pública SNC nº 01/2025. Rio de Janeiro, 2025.

4. Quadros Comparativos

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Perguntas e respostas

O que é a IFRS 18 e qual seu objetivo central?
IFRS 18 – Presentation and Disclosure in Financial Statements, emitida em 2025 pelo International Accounting Standards Board (IASB), redefine a forma de apresentar resultados, tornando obrigatória a divulgação de subtotais específicos para aumentar a transparência, a clareza e a comparabilidade das demonstrações financeiras.
Qual norma brasileira corresponde à IFRS 18 e qual seu estágio de adoção?
No Brasil, a convergência ocorre por meio do CPC 51 – Apresentação e Divulgação em Demonstrações Contábeis, que em agosto de 2025 encontra-se em consulta pública (Consulta Pública SNC nº 01/2025) antes de substituir o CPC 26.
Quais subtotais se tornam obrigatórios na demonstração do resultado segundo IFRS 18/CPC 51?
Dois subtotais passam a ser mandatórios: lucro operacional e lucro antes de financiamento e impostos (frequentemente chamado de profit before financing and income tax).
Por que a inclusão dos subtotais obrigatórios é considerada benéfica?
Os subtotais trazem três benefícios principais: a) maior clareza sobre a performance do negócio; b) separação entre gestão operacional e efeitos financeiros; c) aumento da comparabilidade e padronização entre empresas e setores.
Qual norma internacional foi substituída pela IFRS 18?
A IFRS 18 substituiu a IAS 1 – Presentation of Financial Statements, atualizando princípios de apresentação e divulgação.
Que outras demonstrações e divulgações a IFRS 18 exige além da DRE?
A norma também requer a Demonstração do Resultado Abrangente e notas explicativas adicionais, reforçando a transparência das informações.
Como o exemplo ilustrativo do Grupo XYZ ajuda a entender a IFRS 18?
O caso demonstra uma DRE reorganizada com os subtotais obrigatórios, evidenciando a separação clara entre resultado operacional e efeitos financeiros, o que facilita a leitura e a análise por diferentes usuários.
Para quais usuários o lucro operacional e o lucro antes de financiamento e impostos são mais relevantes?
O lucro operacional costuma ser foco de gestores que avaliam a eficiência das operações, enquanto o lucro antes de financiamento e impostos interessa especialmente a investidores, analistas e credores que desejam medir o desempenho antes dos efeitos de capital e carga tributária.
Quais adaptações profissionais serão necessárias com a adoção da IFRS 18/CPC 51?
Contadores e analistas precisarão revisar relatórios, modelos de valuation, covenants e métricas de desempenho; além disso, sistemas internos deverão ser ajustados para gerar as novas divulgações exigidas.
Quais normas relacionadas são mencionadas em conjunto com a IFRS 18/CPC 51?
Entre as normas correlatas citadas estão: IAS 7 / CPC 03 (Demonstração dos Fluxos de Caixa) e CPC 09 (Demonstração do Valor Adicionado), que permanecem válidas no Brasil.

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Débora Martins De Luca

Contadora | Controladoria Financeira | Auditoria, Controles Internos e Compliance