Artigo
14/06/2025

IFRS 18: Estrutura da Nova DRE – Subtotais e Categorias

O IFRS 18 padroniza a Demonstração do Resultado com cinco seções fixas e subtotais obrigatórios para aumentar a transparência e comparabilidade financeira.

Resumo

Imagem de capa do artigo

A apresentação das demonstrações financeiras é um elemento central para a transparência e comparabilidade entre empresas, sendo regulada por normas contábeis internacionais. No caso da Demonstração do Resultado, o IAS 1 – Presentation of Financial Statements concedia grande liberdade de formato e de subtotais, o que gerava inconsistências e dificultava a análise de investidores e analistas.

Com a edição do IFRS 18 (abril de 2024), obrigatório para exercícios iniciados em 1.º de janeiro de 2027, com adoção antecipada permitida, busca-se padronizar a forma de reportar o desempenho financeiro. A nova norma define cinco seções fixas na Demonstração do Resultado:

  • Operating

  • Investing

  • Financing

  • Income taxes

  • Discontinued operations

Os dois primeiros subtotais obrigatórios são:

  • Operating profit (lucro operacional) – resultado residual de tudo que não pertença às demais seções;

  • Profit or loss before financing and income taxes (PBFIT) – lucro antes dos efeitos de financing e dos tributos sobre o lucro.

Sob o IAS 1 exigiam-se apenas algumas linhas mínimas (receita, resultado financeiro, imposto, lucro líquido), sem subtotais padronizados nem segregação formal por categorias. Cada empresa decidia que subtotais exibir e se apresentava despesas “por natureza” ou “por função”, obrigando analistas a inúmeros ajustes para tornar números comparáveis.

Principais diferenças na prática

Subtotais padronizados

Operating profit torna-se obrigatório e é calculado de forma uniforme: inclui todas as receitas e despesas da seção operating, mesmo que sejam atípicas ou não recorrentes; nada pode ser “expurgado” a critério da gestão. O PBFIT aparece explicitamente; ele exclui integralmente a seção financing, portanto não é sinônimo de “lucro antes do IR” nem do EBIT tradicional.

Categorias de itens

  • Despesas financeiras (juros passivos) que antes podiam figurar em despesas operacionais migram para financing, enquanto receitas financeiras (juros ativos sobre caixa e aplicações) passam para investing — exceto quando a geração de juros ou o financiamento de clientes constituem a atividade principal da entidade (bancos, financeiras), caso em que ambas as linhas permanecem em operating.

  • Resultados de associadas e joint ventures pelo método da equivalência patrimonial passam, sem exceção, para a seção investing. Dividendos de participações menores e rendimentos de aplicações financeiras também integram investing (salvo se o negócio da entidade for investir nesses ativos como atividade central).

  • As seções income tax e discontinued operations completam o quadro, totalizando as cinco partes exigidas e assegurando alinhamento de itens equivalentes entre empresas.

Exemplo ilustrativo – Empresa industrial

Demonstração

IAS 1 (antes)

IFRS 18 (novo)

Operating

Receita Líquida

1 000

1 000

Custo dos Produtos Vendidos

(700)

(700)

Lucro Bruto

300

300

Despesas com Vendas

(50)

(50)

Despesas Administrativas

(80)

(80)

Outras Despesas Operacionais

(10)

(10)

Operating profit

opcional 160

160

Investing

Resultado de Empresa Coligada (¹)

10

10

Receita de Investimentos Financeiros (²)

5

5

Profit before financing and income taxes (PBFIT)

—

175

Financing

Despesa de Juros

(20)

(20)

Lucro antes dos Income taxes

155

155

Income taxes

(45)

(45)

Discontinued operations

—

—

Lucro Líquido

110

110

(¹) Resultados de todas as associadas ou joint ventures ficam obrigatoriamente em investing.
(²) Se o modelo de negócios principal da entidade for gerar receita de juros (p. ex., bancos), esses rendimentos podem permanecer em operating.


Não houve operações descontinuadas no período; por isso os valores dessa seção foram zerados.

A nova estrutura separa claramente o bloco operacional (160) dos resultados de investimento (15) e do custo de financiamento (20). O subtotal PBFIT (175) mostra o desempenho antes dos efeitos da estrutura de capital e da tributação.

Divulgações nas notas

Caso a entidade apresente despesas “por função”, o IFRS 18 obriga divulgar, em uma nota única, o total anual de, pelo menos, cinco despesas “por natureza” e como esses totais se distribuem entre as linhas funcionais de operating:

  • Depreciação

  • Amortização

  • Benefícios a empregados

  • Impairment losses (e reversões, se aplicável)

  • Write-downs (e reversões) de estoques

Sempre que a companhia divulgar um EBITDA ajustado ou qualquer outra management performance measure (MPM) — apenas se já usar essa métrica — deve conciliá-la, em nota auditada, com o operating profit (160) ou com o lucro líquido (110).

Conclusão

A flexibilidade do IAS 1 resultava em menor comparabilidade e transparência. O IFRS 18 cria uma linguagem comum: define as cinco seções do resultado, torna os subtotais operating profit e PBFIT consistentes e impõe divulgações adicionais sobre a composição das despesas e das MPMs.

A partir de 1.º de janeiro de 2027, o IAS 1 será revogado; grande parte de seus antigos requisitos foi incorporada, sem alterações de essência, ao próprio IFRS 18 ou transferida para outras normas (como o IAS 8). A mudança facilitará a vida de analistas e investidores ao comparar empresas, ainda que eleve o nível de divulgação exigido das entidades.

Material consultado em okai.com.br.
Atualizado Verificado em 16/07/2026

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Perguntas e respostas

O que é o IAS 1 – <em>Presentation of Financial Statements</em> e qual sua situação futura?
O IAS 1 – Presentation of Financial Statements é uma norma contábil internacional que regulamentava a apresentação das demonstrações financeiras, incluindo a Demonstração do Resultado. Uma característica do IAS 1 era a grande liberdade que concedia quanto ao formato e aos subtotais na Demonstração do Resultado, o que podia gerar inconsistências e dificultar a análise comparativa entre empresas.A partir de 1.º de janeiro de 2027, o IAS 1 será revogado. Grande parte de seus antigos requisitos foi incorporada, sem alterações de essência, à nova norma IFRS 18 ou transferida para outras normas, como o IAS 8.
Como era a estrutura da Demonstração do Resultado sob o IAS 1 em termos de linhas e subtotais?
Sob o IAS 1, a Demonstração do Resultado exigia apenas a apresentação de algumas linhas mínimas, como receita, resultado financeiro, imposto sobre o lucro e lucro líquido. Não havia uma exigência de subtotais padronizados nem uma segregação formal por categorias, o que levava cada empresa a decidir quais subtotais exibir.
O que é o IFRS 18 e quando ele se torna obrigatório?
O IFRS 18 é uma nova norma contábil internacional que visa padronizar a forma como as empresas reportam seu desempenho financeiro na Demonstração do Resultado. Editado em abril de 2024, o IFRS 18 se tornará obrigatório para exercícios iniciados em 1.º de janeiro de 2027, sendo permitida sua adoção antecipada.
Quais são as seções fixas definidas pelo IFRS 18 para a Demonstração do Resultado?
O IFRS 18 define cinco seções fixas para a Demonstração do Resultado, que são:
  • Operating
  • Investing
  • Financing
  • Income tax
  • Discontinued operations
Quais são os subtotais obrigatórios na Demonstração do Resultado conforme o IFRS 18?
Conforme o IFRS 18, os dois primeiros subtotais obrigatórios na Demonstração do Resultado são:
  • Operating profit (lucro operacional)
  • Profit or loss before financing and income taxes (PBFIT)
Como o IFRS 18 define o <em>operating profit</em> (lucro operacional)?
O IFRS 18 define o operating profit (lucro operacional) como o resultado residual de tudo que não pertença às demais seções da Demonstração do Resultado: investing, financing, income tax e discontinued operations. Este subtotal torna-se obrigatório e deve ser calculado de forma uniforme, incluindo todas as receitas e despesas da seção operating, mesmo que sejam atípicas ou não recorrentes, não permitindo que itens sejam "expurgados" a critério da gestão.
O que é o <em>Profit or loss before financing and income taxes</em> (PBFIT) segundo o IFRS 18?
O Profit or loss before financing and income taxes (PBFIT) é um subtotal obrigatório na Demonstração do Resultado, conforme o IFRS 18, que representa o lucro antes dos efeitos da seção financing e dos tributos sobre o lucro. Ele aparece explicitamente na demonstração e exclui integralmente a seção financing, portanto não é sinônimo de “lucro antes do IR” nem do EBIT tradicional.
Como o IFRS 18 trata as despesas financeiras (juros passivos) e as receitas financeiras (juros ativos) na Demonstração do Resultado?
Segundo o IFRS 18, as despesas financeiras (juros passivos), que anteriormente poderiam ser classificadas como despesas operacionais, devem ser apresentadas na seção financing da Demonstração do Resultado. Já as receitas financeiras (juros ativos sobre caixa e aplicações financeiras) devem ser alocadas na seção investing.Existe uma exceção importante: para entidades cuja atividade principal é a geração de receitas de juros ou o financiamento de clientes (como bancos e outras instituições financeiras), tanto as despesas financeiras quanto as receitas financeiras permanecem classificadas na seção operating.
De acordo com o IFRS 18, onde devem ser classificados os resultados de participações em associadas e <em>joint ventures</em> apurados pelo método da equivalência patrimonial?
Conforme o IFRS 18, os resultados provenientes de participações em associadas e joint ventures, quando apurados pelo método da equivalência patrimonial, devem ser classificados, sem exceção, na seção investing da Demonstração do Resultado.
Onde são classificados os dividendos recebidos de participações minoritárias e os rendimentos de aplicações financeiras segundo o IFRS 18?
De acordo com o IFRS 18, os dividendos recebidos de participações societárias menores (que não sejam associadas ou joint ventures) e os rendimentos de aplicações financeiras geralmente integram a seção investing da Demonstração do Resultado. Contudo, há uma exceção: se a atividade principal da entidade for investir nesses tipos de ativos, tais rendimentos podem ser classificados na seção operating.
Que divulgações em notas explicativas são exigidas pelo IFRS 18 se uma entidade apresentar suas despesas por função na Demonstração do Resultado?
Caso uma entidade opte por apresentar suas despesas "por função" (como custo dos produtos vendidos, despesas de vendas, etc.) na seção operating da Demonstração do Resultado, o IFRS 18 exige uma divulgação adicional em nota explicativa. Essa nota, que deve ser única, precisa apresentar o total anual de, no mínimo, cinco categorias específicas de despesas "por natureza" e detalhar como esses totais se distribuem entre as linhas funcionais da seção operating. As despesas por natureza mínimas a serem divulgadas são:
  • Depreciação
  • Amortização
  • Benefícios a empregados
  • Perdas por impairment (redução ao valor recuperável) e suas reversões
  • Write-downs (baixas contábeis) de estoques, imobilizado e intangíveis, bem como suas reversões
O que o IFRS 18 exige em relação à divulgação de Medidas de Desempenho da Administração, conhecidas como <em>Management Performance Measures</em> (MPMs)?
O IFRS 18 estabelece que, se uma companhia utilizar e divulgar uma Medida de Desempenho da Administração (Management Performance Measure - MPM), como um EBITDA ajustado, por exemplo, ela deve obrigatoriamente apresentar uma conciliação dessa MPM. Essa conciliação deve ser feita em uma nota explicativa auditada, demonstrando como a MPM se relaciona com um dos subtotais definidos na Demonstração do Resultado, como o operating profit ou o lucro líquido.
Qual o principal benefício esperado com a adoção do IFRS 18 para a Demonstração do Resultado?
Espera-se que a adoção do IFRS 18 facilite significativamente a comparação do desempenho financeiro entre diferentes empresas por parte de analistas e investidores. A norma visa criar uma "linguagem comum" ao definir cinco seções fixas para a Demonstração do Resultado, tornar os subtotais operating profit e PBFIT consistentes em seu cálculo e apresentação, e impor divulgações adicionais sobre a composição das despesas e das Management Performance Measures (MPMs). Isso busca aumentar a comparabilidade e a transparência, que eram consideradas menores devido à flexibilidade permitida pela norma anterior, o IAS 1.
O que acontecerá com a norma IAS 1 após a entrada em vigor do IFRS 18?
Com a entrada em vigor do IFRS 18, o IAS 1 será revogado a partir de 1.º de janeiro de 2027. Grande parte dos requisitos que constavam no IAS 1 foi incorporada, sem alterações de essência, ao próprio IFRS 18 ou transferida para outras normas contábeis, como o IAS 8.
Como o IFRS 18 busca aumentar a comparabilidade das Demonstrações de Resultado, que era um desafio sob o IAS 1?
O IFRS 18 busca aumentar a comparabilidade das Demonstrações de Resultado, um ponto que apresentava desafios sob a flexibilidade do IAS 1, por meio da introdução de uma estrutura mais padronizada e requisitos de divulgação mais específicos. As principais medidas incluem:
  • A definição de cinco seções fixas na Demonstração do Resultado: Operating, Investing, Financing, Income tax, e Discontinued operations.
  • A obrigatoriedade de apresentação e cálculo uniforme de subtotais chave, como o operating profit e o Profit or loss before financing and income taxes (PBFIT).
  • Regras mais claras para a classificação de certas receitas e despesas, como as financeiras e os resultados de equivalência patrimonial, dentro das novas seções.
  • A exigência de divulgações adicionais em notas explicativas, como a composição de despesas por natureza quando apresentadas por função, e a conciliação de Management Performance Measures (MPMs).
Essas mudanças visam reduzir as variações de apresentação entre as empresas, facilitando análises comparativas.
Qual é o objetivo principal da introdução do IFRS 18 para substituir partes do IAS 1 relacionadas à Demonstração do Resultado?
O principal objetivo da introdução do IFRS 18, que substitui os requisitos do IAS 1 referentes à Demonstração do Resultado, é aumentar a transparência e a comparabilidade das informações de desempenho financeiro reportadas pelas empresas. A norma anterior, IAS 1, concedia considerável liberdade na apresentação, resultando em Demonstrações de Resultado que frequentemente não eram diretamente comparáveis entre diferentes entidades. O IFRS 18, editado em abril de 2024 e com aplicação obrigatória a partir de 1º de janeiro de 2027 (com adoção antecipada permitida), visa estabelecer uma estrutura mais consistente e padronizada para essa demonstração financeira, facilitando a análise por parte de investidores, analistas e outros usuários das demonstrações.
Havia flexibilidade sob o IAS 1 na forma de apresentar despesas na Demonstração do Resultado? Como o IFRS 18 lida com essa questão?
Sim, sob o IAS 1, as empresas possuíam flexibilidade para escolher como apresentar suas despesas na Demonstração do Resultado. Elas podiam optar por classificá-las "por natureza" (agrupadas conforme sua essência, como salários, depreciação, matéria-prima) ou "por função" (agrupadas de acordo com a atividade a que se destinam, como custo dos produtos vendidos, despesas de vendas, despesas administrativas).O IFRS 18 mantém essa escolha para a empresa. No entanto, ele introduz um novo requisito de divulgação: se uma entidade decidir apresentar suas despesas na seção operating utilizando a classificação "por função", ela será obrigada a divulgar, em uma nota explicativa única, o montante total anual de, no mínimo, cinco categorias específicas de despesas classificadas "por natureza". Essas categorias incluem depreciação, amortização, benefícios a empregados, perdas por impairment (e reversões), e write-downs de estoques, imobilizado e intangíveis (e reversões). A nota deve também mostrar como esses totais por natureza se distribuem entre as linhas funcionais apresentadas na Demonstração do Resultado.

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