Navegando pelo LinkedIn me deparei com uma interessante pesquisa, que muito bem aborda e levanta um ponto que acho relevante na gestão de riscos corporativos, que é a importância de definir prioridades claras para que o Chief Risk Officer (CRO) possa desenvolver uma cultura de risco eficaz.
Pois é sobre isto que queria refletir e falar um pouco mais hoje abaixo.
As quatro áreas abordadas nas opções de resposta: Governança de Risco, Treinamento e Desenvolvimento em Gestão de Riscos, Responsabilidade e Transparência, e Princípios e Práticas Éticas, são todas componentes essenciais da cultura de risco, onde cada uma delas contribui para a criação de um ambiente robusto de gestão de riscos.
Qual teria sido seu voto? O que acha que é mais prioritário para você e sua empresa neste momento? Deixe seus comentários.
No entanto, o fato da governança dos riscos ter recebido a maior prioridade (39%) e Treinamento e Desenvolvimento a segunda maior (31%) sugere que a governança de risco está sendo amplamente reconhecida como o alicerce central de uma cultura eficaz, o que pessoalmente não posso deixar de concordar.
Queria então comentar sobre os resultados:
Governança de Risco como Prioridade Principal (39%):
A governança de risco é, sem dúvida, na minha opinião pessoal, a espinha dorsal de uma cultura de risco sólida, o que abrange desde a estrutura, os papéis, as responsabilidades e os processos que garantem que a gestão de riscos seja tratada de forma sistemática e coordenada dentro da empresa.
No contexto da função de um CRO, a governança de risco envolve o estabelecimento de políticas claras e consistentes, a definição de limites de tolerância a risco e a criação de mecanismos de reporte adequados para assegurar que os riscos são identificados, monitorados e geridos de forma eficaz.
A razão pela qual a governança de risco é vista como a principal prioridade pode ser atribuída ao fato de que, sem uma estrutura bem definida, é difícil implementar outras iniciativas, como treinamentos ou responsabilização.
Uma boa governança permite a alocação eficiente de recursos e garante que a alta administração e o conselho de administração estejam alinhados com os objetivos de gestão de risco.
Além disso, a governança de risco cria um ambiente onde os demais pilares, como ética e desenvolvimento de competências, podem prosperar.
Portanto, ao fortalecer a governança de risco, o CRO garante que a organização tenha uma base sólida para todas as decisões relacionadas ao risco.
Treinamento e Desenvolvimento em Gestão de Riscos (31%):
O segundo item mais votado, o treinamento e o desenvolvimento em gestão de riscos, é outro aspecto realmente importante, pois embora a governança forneça a estrutura, é o treinamento adequado que garante que todos na empresa, em todos os níveis, compreendam seus papéis na gestão de riscos.
Um programa de treinamento eficaz deve ser contínuo, prático e adaptado às necessidades específicas da empresa, com workshops sobre identificação de riscos até simulações de crises, que permitem que os colaboradores experimentem cenários realistas.
A pesquisa reflete a percepção de que, sem um treinamento eficaz, a governança de risco sozinha pode ser ineficaz, pois o conhecimento especializado em gestão de riscos, quando difundido por toda a empresa, cria uma cultura onde a gestão de riscos é uma responsabilidade compartilhada e onde os colaboradores são proativos na identificação e mitigação de riscos.
Além disso, o desenvolvimento contínuo de competências ajuda a empresa a se adaptar a um ambiente de riscos em constante evolução.
Responsabilidade e Transparência (15%):
Bom dizer que, até porque só poderia escolher uma opção para votar na pesquisa, a responsabilidade e a transparência, apesar de receberem menos votos, são igualmente importantes na formação de uma cultura de risco eficaz.
A responsabilidade refere-se à clareza sobre quem é responsável por quê no que diz respeito à gestão de riscos, enquanto a transparência envolve o compartilhamento de informações precisas e oportunas sobre os riscos e o desempenho de gestão de riscos dentro da empresa.
Embora este item tenha recebido menos destaque na pesquisa (15%), é importante observar que a responsabilidade e a transparência são fundamentais para garantir que as ações tomadas pelos gestores de risco sejam verificáveis e que as decisões possam ser rastreadas e justificadas.
Sem esses elementos, a confiança no processo de gestão de risco pode ser comprometida. Uma cultura organizacional que incentiva a transparência também facilita a identificação precoce de problemas, promovendo uma resposta mais rápida e eficaz a crises potenciais.
Princípios e Práticas Éticas (14%):
Princípios e práticas éticas receberam a menor prioridade (14%), o que pode refletir a percepção de que a ética é algo que permeia todos os outros elementos e, portanto, não é necessariamente visto como um componente que precisa ser desenvolvido de forma isolada.
No entanto, é inegável que a ética é o alicerce da confiança e integridade em qualquer empresa.
A implementação de práticas éticas fortes é fundamental para assegurar que a empresa não apenas cumpra as regulamentações e legislações, mas também vá além, aderindo a padrões elevados de conduta moral, o que se reflete diretamente na cultura de risco, pois práticas antiéticas podem gerar riscos significativos, tanto financeiros quanto reputacionais.
Um ambiente ético também promove uma mentalidade onde o risco não é apenas gerido de forma reativa, mas de forma proativa, prevenindo a ocorrência de crises e falhas que possam ser evitadas.
O resultado da pesquisa indica claramente que o fortalecimento da governança de risco e o desenvolvimento de capacidades por meio de treinamento são vistos como as maiores prioridades para um CRO ao desenvolver uma cultura de risco eficaz.
A ênfase na governança sugere que as empresas estão buscando garantir que a gestão de riscos seja organizada, estruturada e alinhada com a estratégia global, mas, no entanto, isso não significa que a responsabilidade, a transparência e a ética devam ser negligenciadas, afinal, apenas dessas áreas terem sido menos votadas, continuam a ser componentes essenciais, complementando a governança e os treinamentos.
Para terminar, o desenvolvimento de uma cultura de risco bem-sucedida exige uma abordagem holística, onde todos esses elementos estejam integrados e alinhados com os valores e objetivos estratégicos da empresa, onde o CRO desempenha um papel central em coordenar esses esforços, assegurando que a organização esteja não apenas preparada para gerenciar os riscos, mas também para prosperar em um ambiente de incertezas contínuas.
Versão consultada na Okai.