Artigo
16/09/2026

Quando a geopolítica deixa de ser “cenário” e passa a fazer parte da gestão de riscos, da estratégia e da agenda dos Conselhos

A geopolítica impacta diretamente a gestão de riscos e estratégias corporativas, exigindo que conselhos e executivos integrem essas variáveis para garantir resiliência e competitividade.

Resumo

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A geopolítica deixou de ser uma nota de rodapé nos cenários, pois ela já altera custos, cadeias de fornecimento, liquidez, tecnologia, segurança cibernética e investimentos. Neste meu novo artigo abaixo mostro por que conselheiros, executivos e gestores de riscos precisam compreender essas conexões antes que uma mudança externa se transforme em crise.

Durante muito tempo as guerras, sanções e disputas comerciais foram tratadas como variáveis distantes da gestão cotidiana, mas esse modelo já não é suficiente, pois em um mundo fragmentado, a geopolítica atua como fator transversal capaz de elevar simultaneamente o preço da energia, a volatilidade cambial, o custo do financiamento, o risco de crédito e a pressão sobre a continuidade operacional.

Para as empresas brasileiras a questão é especialmente relevante, pois mesmo sem operações em regiões de conflito, elas podem ser afetadas pela dependência de fertilizantes, semicondutores, serviços de nuvem, rotas marítimas, capital e tecnologia. Três fornecedores aparentemente independentes podem depender da mesma fábrica, país ou corredor logístico. A diversificação contratual pode esconder uma concentração econômica real.

Por isso o artigo propõe que o mapa de riscos converse com um mapa de dependências estratégicas, identificando fornecedores, rotas, tecnologias, moedas, fontes de financiamento, matérias-primas, talentos e infraestrutura crítica. Cada dependência deve ser avaliada por sua concentração, possibilidade de substituição e tempo de recuperação.

A resiliência tem preço. Estoques de segurança, fornecedores alternativos, redundância tecnológica e fontes adicionais de financiamento aumentam custos, mas podem preservar a operação durante uma ruptura. Essas escolhas precisam aparecer no apetite a risco, nos limites, nos indicadores de alerta e nos testes de estresse.

O papel do Conselho não é prever a próxima guerra, mas é desafiar as premissas da estratégia e perguntar se ela continua viável quando câmbio, petróleo, fretes e crédito se deterioram juntos. A notícia informa; a boa governança transforma o acontecimento em exposição, cenário, limite e decisão.

Um mundo mais fragmentado também cria oportunidades para o Brasil em energia renovável, agronegócio, minerais estratégicos, infraestrutura digital e cadeias produtivas. A gestão de riscos madura não pergunta apenas o que pode dar errado, mas onde a mudança pode ampliar a vantagem competitiva.

Consulta documental: Okai.
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Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante