Artigo
31/05/2023
Atualizado em 10/04/2026

Tendências e Desafios na Prevenção de Crimes Financeiros e PLD

A prevenção de crimes financeiros e lavagem de dinheiro enfrenta desafios crescentes, como custos elevados, integração de compliance, fiscalização de fornecedores, aceleração do KYC, uso de IA e escassez de profissionais qualificados.

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A prevenção de crimes financeiros e a prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) têm se tornado mais complexas e em constante evolução, apresentando uma série de desafios tanto para os profissionais da área quanto para as instituições.

Quero então falar abaixo mais sobre algumas tendências que tenho observado e seus respectivos desafios que cada uma apresenta.

1) O custo do PLD não mostra sinais de redução:

A primeira tendência é que o custo do PLD continua a subir, e não vai parar. Isso se deve à complexidade cada vez maior dos crimes financeiros e à necessidade de atualização constante das ferramentas de segurança, treinamento de pessoal e processos.

Um erro comum nesta área é se concentrar exclusivamente nos custos diretos, negligenciando os custos indiretos que podem surgir de uma violação, como a perda de confiança do cliente e os danos à reputação da empresa.

Por exemplo, em 2020, o Goldman Sachs pagou mais de $2 bilhões em multas relacionadas ao escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro do 1MDB. A falha em investir adequadamente na prevenção de crimes financeiros pode levar a custos significativos a longo prazo. Além disso, um erro comum é subestimar o custo da perda de reputação após um incidente de crime financeiro.

2) Compliance contra crimes financeiros e fraudes caminham em direção à integração:

À medida que as empresas percebem a eficácia de uma abordagem integrada à prevenção de crimes financeiros, a compliance e a prevenção de fraudes começam a se fundir. No entanto, a integração de sistemas e processos é um desafio significativo, com o erro comum de presumir que todos os sistemas são compatíveis.

Um exemplo prático dessa tendência é a implementação de plataformas unificadas de gerenciamento de riscos que consolidam funções de PLD e prevenção à fraude. No entanto, o desafio prático é que essas plataformas devem ser compatíveis com os sistemas existentes e atender às exigências regulatórias. Erros comuns incluem a falta de comunicação entre as equipes de PLD e fraude e a falta de treinamento cruzado.

3) Fiscalização regulatória aumenta o foco nos fornecedores e parceiros:

A terceira tendência é o aumento do escrutínio regulatório sobre as cadeias de suprimentos globais.

Erros comuns aqui incluem a falta de supervisão adequada dos parceiros comerciais e a dependência excessiva de auditorias de terceiros, que podem não ter o mesmo nível de rigor que uma auditoria interna, incluindo não ter visibilidade suficiente sobre as práticas de seus fornecedores e não incluir cláusulas de conformidade nos contratos com os fornecedores e parceiros.

A Apple, por exemplo, foi criticada por supostamente permitir que seus fornecedores violassem as leis trabalhistas. A empresa teve que intensificar seus esforços de supervisão e auditoria para prevenir futuras violações.

4) Uma convergência de fatores impulsiona a necessidade por um conheça seu cliente mais rápido:

O crescimento dos bancos digitais e fintechs, juntamente com a demanda do cliente por serviços mais rápidos, está levando a uma necessidade de processos de conheça seu cliente mais rápidos. No entanto, manter a qualidade e a eficácia dos controles de PLD é um desafio significativo.

Um erro comum é priorizar a velocidade em detrimento da qualidade do processo de triagem, negligenciando as verificações de devida diligência para acelerar o processo ou confiar demais em algoritmos de IA que podem não ser 100% precisos.

Os bancos digitais, por exemplo, precisam oferecer onboarding quase instantâneo para competir. No entanto, eles ainda precisam cumprir com os regulamentos de PLD.

5) Destaque maior ao KYC (Conheça seu Cliente) e as contrapartes financeiras:

A importância do KYC na prevenção de crimes financeiros está aumentando. É fundamental entender quem são seus clientes, suas atividades financeiras e seus comportamentos.

Erros comuns incluem não coletar informações suficientes no início do relacionamento com o cliente e não atualizar essas informações regularmente, considerando o processo de KYC como uma atividade única, em vez de um processo contínuo que deve ser atualizado regularmente.

O HSBC foi multado por falhas em seus processos de KYC, que permitiram a lavagem de dinheiro. Desde então, a empresa investiu pesadamente na melhoria de seus processos de KYC.

6) A automação do processo de PLD ganha força com o uso da IA:

A inteligência artificial (IA) está sendo cada vez mais usada na automação de partes do processo de PLD. No entanto, existem desafios significativos em garantir que a IA seja usada de maneira ética e justa.

Erros comuns incluem a dependência excessiva da IA sem consideração suficiente para a supervisão humana, a falta de treinamento adequado para os funcionários sobre como usar a tecnologia de IA e a falta de procedimentos claros para quando e como a intervenção humana é necessária.

Bancos estão usando IA para automatizar partes do processo de PLD. No entanto, existe um equilíbrio delicado entre a automação e a supervisão humana.

7) Dificuldade de contratação de profissionais experientes:

A demanda por profissionais com experiência em PLD está superando a oferta, tornando difícil para as empresas contratar e reter os talentos necessários.

Erros comuns nesta área incluem não investir o suficiente na formação e no desenvolvimento de talentos internos e não criar uma cultura que atraia e retenha os profissionais necessários.

Cada uma dessas tendências apresenta desafios únicos. Os custos de conformidade estão aumentando e as instituições financeiras devem garantir que estejam dedicando recursos suficientes à PLD e à prevenção de crimes financeiros. A integração de sistemas de compliance e prevenção à fraude requer uma abordagem cuidadosa e a garantia de compatibilidade. A fiscalização regulatória das cadeias de suprimentos globais requer uma maior supervisão das práticas dos fornecedores. A demanda por processos de triagem mais rápidos deve ser equilibrada com a necessidade de garantir a qualidade e a eficácia das verificações de PLD. A ênfase no KYC deve ser considerada como um processo contínuo e atualizado regularmente. A IA tem o potencial de revolucionar a PLD, mas também requer supervisão humana adequada. E a escassez de talentos exige um foco renovado no desenvolvimento e retenção de profissionais qualificados.

Olhando para o futuro, é provável que a IA desempenhe um papel cada vez mais importante na prevenção de crimes financeiros e na PLD. A demanda por transparência e velocidade também provavelmente aumentará, desafiando as instituições financeiras a oferecer serviços rápidos sem comprometer a segurança. Além disso, o cenário regulatório provavelmente continuará a evoluir, com novas regulamentações que refletem as mudanças nas práticas de negócios e na tecnologia.

Neste cenário em constante evolução, é crucial que as instituições financeiras permaneçam flexíveis e estejam dispostas a investir em tecnologia, pessoal e processos que as permitam enfrentar efetivamente esses desafios.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

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Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante