Queria falar hoje sobre alguns sinais importantes que precisa estar ligada em relação à movimentação de seus clientes, e o monitoramento que faz em relação a estes pontos relevantes abaixo.
Vou começar com alertas relacionados às chamadas "Movimentações Bancárias Suspeitas", mas depois em próximos posts falo sobre mais outros tipos de sinais de alertas.
Vamos às dicas úteis e práticas:
1) Aumento substancial dos depósitos em espécie, sem causa aparente, posteriormente transferidos:
Pode indicar atividades de lavagem de dinheiro. O dinheiro em espécie pode ser de origem ilegal, e as transferências subsequentes podem ser uma tentativa de ocultar a origem dos fundos.
É essencial que as instituições financeiras monitorem de perto as mudanças inesperadas no comportamento da conta. As instituições também devem questionar o titular da conta sobre a fonte dos fundos e o motivo das transferências.
Utilize um sistema de monitoramento de transações que possa identificar e sinalizar um aumento inesperado nos depósitos em espécie. Emitir, por exemplo, um alerta quando o valor total dos depósitos em espécie em um mês exceder um certo limite (por exemplo, o dobro da média dos últimos 6 meses) e quando uma porcentagem significativa desse valor for transferida dentro de um período curto.
2) Constantes depósitos em espécie:
Pode indicar atividades de lavagem de dinheiro. Os depósitos frequentes podem ser uma tentativa de quebrar grandes quantias de dinheiro em pequenas transações, dificultando a detecção.
O desafio é monitorar a frequência e os montantes dos depósitos, e estabelecer limites ou alertas para transações suspeitas. Além disso, é útil verificar a fonte dos fundos e o propósito dos depósitos.
Defina parâmetros dentro do sistema de monitoramento de transações para identificar padrões de depósitos em espécie frequentes e atípicos, como emitir um alerta quando o número de depósitos em espécie em um mês exceder um certo limite, que pode ser definido tanto para um cliente ou para uma agência que tem este perfil de saque, ou para a instituição toda.
Agência no centro de São Paulo, onde tem um comércio mais popular, por exemplo, sempre tem mais movimento do que uma na região da zona sul mais nobre, onde a movimentação eletrônica é mais comum.
3) Depósitos com imediato saque:
Isto pode indicar uma tentativa de "limpar" dinheiro de origem duvidosa, movendo-o rapidamente através de várias contas para dificultar o rastreamento.
Desafios aqui é conseguir monitorar de perto a sequência e o tempo das transações. As instituições devem estabelecer sistemas que identifiquem automaticamente tais atividades e questionar o titular da conta sobre o propósito dessas transações.
Configure o seu sistema de monitoramento para alertar quando houver sequências de depósito e saque em um curto período de tempo, como por exemplo alertar quando um depósito é seguido por um saque de um valor similar dentro de um período de tempo definido (por exemplo, 24/48 horas).
4) Depósitos de diversas origens, sem fundamentação, especialmente de regiões distantes:
Pode indicar uma tentativa de lavagem de dinheiro. Os depósitos de diferentes origens podem ser uma maneira de confundir o rastreamento de fundos.
O desafio aqui é conseguir monitorar a origem dos depósitos. As instituições devem ter sistemas que registrem o local de onde os depósitos estão vindo e questionar o titular da conta sobre a natureza dessas transações.
O sistema de monitoramento precisa ter uma regra para emitir um alerta quando um número significativo de depósitos provenientes de diferentes regiões for detectado em um período de tempo definido (24/48 horas).
5) Depósitos em espécie de forma fragmentada para evitar identificação dos depositantes:
Isto é conhecido como fracionamento (ou em inglês como: "smurfing"), uma técnica de lavagem de dinheiro onde as transações são quebradas em várias menores para evitar a detecção.
Será preciso estabelecer um limite para transações em dinheiro e monitorar transações abaixo deste limite que ocorrem frequentemente. Além disso, questionar o cliente sobre a natureza desses depósitos.
Aqui o sistema vai ter que emitir um alerta quando vários depósitos em espécie, cada um abaixo de um limite definido, forem feitos em um curto período de tempo que totalizem um valor significativo (10 mil por exemplo).
6) Depósitos de grandes quantias mediante a utilização de meios eletrônicos ou outros que evitem contato:
Pode indicar tentativas de ocultar a identidade do depositante ou a fonte dos fundos, o que é um sinal de lavagem de dinheiro ou outras atividades criminosas.
O desafio neste caso é monitorar a atividade do cliente, especialmente aquelas que ocorrem fora do padrão normal de comportamento. As instituições devem confirmar a identidade do depositante e a fonte dos fundos.
O sistema deve emitir um alerta quando um depósito acima de um determinado valor for feito através de meios eletrônicos ou outros meios que evitem contato.
7) Depósitos em espécie em contas de empresas sem aparente justificativa:
Este é um sinal comum de lavagem de dinheiro. As empresas podem ser usadas para "limpar" dinheiro de origem ilegal, tornando mais difícil rastrear a origem dos fundos.
As instituições devem questionar a empresa sobre a fonte dos fundos e o propósito do depósito, e relatar qualquer atividade suspeita às autoridades.
O sistema deveria emitir um alerta quando um depósito em espécie for feito em uma conta empresarial que seja incompatível com o perfil de negócios da empresa.
8) Depósitos em espécie por uma mesma pessoa, principalmente nos mesmos caixas ou em terminais de autoatendimento:
Esse comportamento pode indicar uma tentativa de evitar a detecção de atividades suspeitas, como a lavagem de dinheiro.
O monitoramento de padrões de depósito pode ajudar a identificar essa atividade. A instituição deve questionar o cliente sobre esses depósitos frequentes e seu propósito.
O sistema deve emitir um alerta quando uma única pessoa realizar um número significativo de depósitos em espécie em caixas ou terminais de autoatendimento em um curto período de tempo.
9) Depósitos em espécie, atípicos em relação à atividade econômica ou incompatível com a capacidade financeira do cliente:
Depósitos incompatíveis com a renda ou atividade conhecida do cliente são sinais comuns de lavagem de dinheiro.
A instituição deve conhecer seu cliente (KYC - Know Your Customer) e monitorar qualquer atividade que se desvie do comportamento normal esperado.
O sistema deve emitir um alerta quando um depósito em espécie exceder a capacidade financeira estimada do cliente ou for incompatível com o perfil da sua atividade econômica. Por isto, dar um limite de movimentação para cada cliente é importante.
10) Frequentes saques em espécie, em moeda estrangeira, em caixas eletrônicos localizados no exterior:
Este comportamento pode indicar atividades ilegais, como lavagem de dinheiro, fraude ou evasão fiscal.
A instituição deve monitorar o comportamento de saque do cliente e questionar qualquer atividade fora do comum. A identificação de padrões pode ser útil nesse processo.
O sistema deve emitir um alerta quando um cliente fizer um número significativo de saques em moeda estrangeira em caixas eletrônicos no exterior em um determinado período de tempo.
11) Movimentação de quantia significativa em conta até então pouco movimentada:
Isso pode indicar uma conta dormente sendo usada para lavagem de dinheiro ou outras atividades ilegais.
A instituição deve monitorar contas dormentes e questionar os titulares das contas sobre qualquer atividade incomum.
O sistema deve emitir um alerta quando uma conta anteriormente inativa começa a ter movimentações financeiras significativas.
12) Movimentação de recursos de alto valor, de forma contumaz, em benefício de terceiros:
Isso pode ser um indicador de lavagem de dinheiro, com fundos sendo transferidos para ocultar a verdadeira origem ou destino.
A instituição deve monitorar tais transações e questionar o cliente sobre o propósito delas.
O sistema deve emitir um alerta quando um cliente faz repetidas transações de alto valor para terceiros que não estão relacionados a ele de acordo com os registros do banco.
13) Saques em espécie de conta que recebe diversos depósitos de várias origens em curto período:
Este é outro sinal comum de lavagem de dinheiro, com os saques em espécie sendo usados para evitar o rastreamento dos fundos.
A instituição deve monitorar de perto estas contas e questionar o titular sobre a fonte dos depósitos e o propósito dos saques.
O sistema deve emitir um alerta quando uma conta recebe depósitos de várias origens diferentes seguidos por saques significativos em espécie.
14) Saques em espécie de forma fracionada:
Isso pode ser uma tentativa de evitar limites de transação ou detecção, uma tática comum na lavagem de dinheiro.
A instituição deve monitorar o comportamento de saque do cliente e relatar qualquer atividade suspeita.
O sistema deve emitir um alerta quando um cliente faz vários saques em espécie menores em um curto período de tempo que totalizam um valor significativo.
15) Saques em espécie por pessoas não relacionadas:
Isso pode indicar uma tentativa de ocultar a verdadeira identidade dos indivíduos envolvidos em uma transação, um sinal comum de lavagem de dinheiro.
A instituição deve confirmar a identidade de todos os envolvidos em uma transação e questionar qualquer atividade suspeita.
O sistema deve emitir um alerta quando um saque em espécie é feito por uma pessoa que não está registrada como proprietária ou signatária autorizada da conta.
16) Grande quantidade de transferências, de uma mesma conta, para várias outras, em diferentes regiões:
Isso pode ser um sinal de atividades de lavagem de dinheiro, onde o dinheiro é movido rapidamente através de várias contas para dificultar o rastreamento.
A instituição deve monitorar o comportamento de transferência do cliente, especialmente se as transferências parecem não ter propósito comercial ou pessoal claro.
O sistema deve emitir um alerta quando uma conta faz um número significativo de transferências para contas em diferentes regiões em um curto período de tempo.
Quais outros alertas você monitora na sua instituição? Não deixe de fazer seus comentários e dar sua contribuição nesta troca de informação.
Calibrar estes alertas e regras no sistema de monitoramento é uma arte, mas essencial para que este seja efetivo e eficiente. Estas dicas acima são apenas regras genéricas e exemplos, pois os parâmetros específicos de cada uma devem ser personalizados para cada instituição financeira, com base no perfil dos seus clientes e no tipo de negócios que realiza. Além disso, é importante ajustar as regras regularmente com base nas tendências emergentes de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. Diria que olhar a cada 6 meses e fazer um teste de performance de cada uma é uma boa prática.
Vejo cada vez mais a necessidade do uso de técnicas de machine learning e inteligência artificial para usar mais a atipicidade do comportamento para ser mais eficiente e pegar as operações e clientes de maior risco, que devem ter uma atenção especial.
Fiquem ligados nos próximos posts sobre o tema aonde vou contar sobre outros sinais. São tantos que um post só ficaria muito longo....