Artigo
25/04/2024
Atualizado em 18/04/2026

Visão da Auditoria Interna em Assuntos Relacionados a ESG

A auditoria interna ganha papel estratégico ao integrar critérios ESG à gestão de riscos, à governança e à transparência das informações corporativas.

Resumo

Imagem de capa do artigo

Queria começar falando sobre elementos cruciais dos critérios ESG, detalhando cada um dos pilares: ambiental, social e governança. Cada seção é estruturada para fornecer uma compreensão clara sobre definições, impactos, estratégias, governança, e metodologias de avaliação e relatórios. Vamos explorar cada seção com mais detalhes:

Bom lembrar do que se trata cada uma destas letrinhas:

  • Ambiental (E): Este tópico foca nas relações entre as práticas empresariais e o impacto ambiental, o que inclui aspectos como emissões de gases de efeito estufa, utilização de recursos naturais, e a transição para economias de baixo carbono são avaliados, assim como as mudanças climáticas emergem como o fator mais premente, influenciando diretamente a sustentabilidade das operações empresariais.
  • Social (S): Envolve a análise dos efeitos das operações da empresa sobre seus recursos humanos e outros grupos de interesse, o que inclui aspectos como condições de trabalho, diversidade, equidade, impacto nas comunidades locais e gestão da cadeia de suprimentos.
  • Governança (G): Este critério abrange estruturas internas, políticas de governança e processos decisórios, e sua adequação e transparência perante os stakeholders.

As práticas relacionadas aos critérios ESG podem influenciar substancialmente a estratégia de negócios, afetando a reputação, a estabilidade financeira e a capacidade da empresa de atrair investimentos sustentáveis, assim como os impactos são tanto diretos quanto indiretos, envolvendo riscos regulatórios, sociais e econômicos.

A governança eficaz dos critérios ESG começa com o estabelecimento de objetivos claros que são integrados à estratégia corporativa global, aonde por isto mesmo o comprometimento da liderança sênior e o apoio dos comitês de governança são fundamentais.

A responsabilidade corporativa em relação aos fatores ESG deve estar alinhada com o propósito da empresa e as expectativas de seus stakeholders, requerendo um acompanhamento contínuo e ajustes conforme necessário.

Já a supervisão da integração ESG cabe ao Conselho de Administração e seus comitês técnicos de assessoramento, além também da Auditoria Interna, que deve fornecer avaliações regulares sobre a eficácia das políticas e práticas adotadas.

Assim como para outros temas e riscos, devemos usar uma matriz de riscos com a materialidade para determinar quais questões ESG são de maior significância para a empresa e seus stakeholders, e assim priorizar ações e alocação de recursos. Os riscos são categorizados e avaliados com base em sua relevância e impacto potencial sobre a empresa, usando indicadores chave e análises de cenário para mapear possíveis futuros.

Feita esta introdução, queria entrar no ponto central de que queria comentar hoje, que é como a auditoria interna pode efetivamente integrar e lidar com os aspectos ESG dentro de uma empresa, detalhando os atributos fundamentais a serem considerados, bem como métodos específicos para auditar os aspectos ambientais, sociais e de governança.

Queria então começar falando de alguns dos atributos fundamentais para auditorias internas ao lidar com trabalhos sobre ESG, falando do papel e da capacidade que a auditoria interna precisa ter:

  • Posicionamento: A auditoria interna deve definir claramente seu papel no que tange aos aspectos ESG, definindo e deixando claro como fornecerá garantia e consultoria dentro desse tema e escopo.
  • Garantia: Deve garantir que os aspectos ESG estejam integrados nas iniciativas estratégicas e de investimento da empresa e que a comunicação desses aspectos seja transparente e coerente.
  • Consultoria: Pode oferecer orientação em projetos especiais ou críticos, ajudando a incorporar critérios ESG na gestão de riscos e na estratégia empresarial.

Além disto ainda precisam ter algumas habilidades e recursos necessários para isto, aonde devem possuir ou desenvolver competências específicas para lidar com questões ESG, o que pode incluir até a contratação de especialistas como engenheiros ambientais ou especialistas em responsabilidade social.

Estruturas de trabalho podem ser centralizadas ou descentralizadas, mas a auditoria interna deve decidir se projetos ESG serão tratados como auditorias autônomas ou integradas a outras revisões.

Sendo mais específico, queria tratar como auditoria interna deve abordar os aspectos ambientais:

Processos e Metodologias

A auditoria dos aspectos ambientais envolve verificar a conformidade com leis ambientais, a eficácia dos sistemas de gestão ambiental, e a integridade dos dados sobre emissões e uso de recursos.

Deve ainda avaliar a estratégia da empresa para o manejo de recursos naturais e redução de impactos ambientais, incluindo a adequação de planos para mudanças climáticas e economia circular.

Indicadores e Relatórios

Utilização de indicadores de desempenho chave (KPI) para monitorar eficiência energética, gestão de resíduos, emissões de gases e conservação de recursos naturais.

Auditorias devem ainda revisar a precisão e a completa divulgação de informações ambientais nos relatórios corporativos.

Sendo mais específico, queria tratar como auditoria interna deve abordar os aspectos sociais:

Abordagens de Auditoria

Inclui a avaliação de políticas e práticas relacionadas a direitos humanos, diversidade, inclusão, saúde e segurança dos trabalhadores e impactos sociais na comunidade.

E também a verificação de como a empresa gerencia suas relações trabalhistas, práticas de contratação e contribuições para o desenvolvimento social.

Riscos e Conformidade

Deve identificar os riscos sociais, como aqueles associados à cadeia de suprimentos, condições de trabalho e conformidade com regulamentos laborais e sociais.

Sendo mais específico, queria tratar como auditoria interna deve abordar os aspectos de governança:

Estruturas e Responsabilidades

Focada em avaliar a adequação das estruturas de governança em relação ao gerenciamento de ESG, incluindo o alinhamento de políticas e práticas de governança com as expectativas dos stakeholders e requisitos regulatórios.

Análise do envolvimento dos conselhos de administração no monitoramento e na integração de práticas de ESG.

Riscos de Governança

Avaliação de como a empresa lida com a transparência, ética empresarial, combate à corrupção, e integridade dos processos de tomada de decisão.

Importância da supervisão dos sistemas de controle interno e da integridade das informações financeiras e não financeiras divulgadas.

Como podemos ver acima, temos uma crescente importância da integração dos critérios Ambiental, Social e de Governança (ESG) dentro das práticas de auditoria interna das empresas, que destaca os seguintes pontos:

Valor Estratégico Aumentado

A inclusão de critérios ESG na auditoria interna não apenas atende a exigências regulatórias crescentes, mas também serve como uma alavanca estratégica que pode melhorar a governança corporativa e aumentar o valor a longo prazo para os acionistas e outros stakeholders. A incorporação eficaz de questões ESG é destacada como um fator crítico para a sustentabilidade empresarial e resiliência organizacional.

Riscos e Oportunidades:

Os critérios ESG, quando adequadamente integrados pela auditoria interna, ajudam a empresa a identificar e gerenciar riscos de forma proativa e a capitalizar oportunidades emergentes no mercado. Isso inclui melhorar a reputação corporativa, aumentar a satisfação dos clientes e stakeholders, e atingir melhores resultados financeiros e operacionais.

Ficam aqui abaixo algumas dicas e recomendações para a auditoria interna:

Desenvolvimento de Competências:

Cada vez mais fundamental que os auditores internos desenvolvam competências e habilidades específicas relacionadas também a ESG para melhorar sua capacidade de avaliar riscos associados e implementar práticas de auditoria que refletem as complexidades desses critérios, o que significa ter uma nova formação especializada e a atualização constante de conhecimentos para acompanhar as mudanças nas normativas e expectativas do mercado.

Adaptação e Flexibilidade:

Como sempre, mas também aqui, a auditoria interna deve ser adaptável e flexível para incorporar práticas de ESG que se alinhem com os objetivos e estratégias específicos da empresa. Isso significa customizar abordagens e métodos de auditoria para diferentes setores e contextos operacionais, garantindo que as práticas de ESG sejam integradas de maneira eficaz e eficiente.

Engajamento com Stakeholders:

Pela sua proximidade com o conselho e comitês, a auditoria interna deve ajudar neste engajamento de forma ativa com stakeholders internos e externos para entender suas expectativas relacionadas a ESG, assim como para comunicar de forma transparente as ações e resultados das auditorias ESG, o que vai ajudar a construir confiança e para o alinhamento estratégico das práticas de auditoria com as prioridades da empresa e suas partes interessadas.

Visão para o Futuro:

Importante também olhar para o futuro, sugerindo que as práticas de auditoria interna ESG continuarão a evoluir e se tornarão ainda mais integradas nas operações das empresas à medida que as pressões regulatórias e as demandas de mercado por sustentabilidade aumentam. Empresas que antecipam essa tendência e agem proativamente para fortalecer suas capacidades de auditoria interna ESG estarão melhor posicionadas para enfrentar desafios futuros e maximizar seu sucesso a longo prazo.

Material disponibilizado pela Okai.
As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.
Atualizado

Não há sinal de desatualização relevante neste conteúdo.

Perguntas e respostas

O que a auditoria interna avalia na dimensão ambiental?
Conformidade, sistemas de gestão, dados de emissões e recursos, indicadores, planos climáticos, resíduos e divulgação de informações ambientais.
Quais temas integram a dimensão social?
Condições de trabalho, diversidade, direitos humanos, saúde e segurança, impactos em comunidades e relacionamento com partes interessadas.
Como a auditoria aborda a governança ESG?
Avaliando estruturas decisórias, ética, transparência, responsabilidades, controles, qualidade dos dados e supervisão das estratégias e compromissos.
Por que materialidade e stakeholders são importantes?
Eles ajudam a priorizar temas relevantes, compreender expectativas e direcionar o plano de auditoria para riscos com maior impacto.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante