A perícia forense digital é uma área que visa investigar e analisar evidências digitais relacionadas a crimes cibernéticos ou que envolvam dispositivos eletrônicos. Essa área enfrenta constantes desafios e oportunidades com o avanço das tecnologias digitais, que geram cada vez mais dados e informações que podem ser úteis para a solução de casos. Nesse contexto, o uso de técnicas e ferramentas de inteligência artificial, machine learning, big data, cloud computing, blockchain, internet das coisas, entre outras, se torna essencial para aperfeiçoar e agilizar o trabalho dos peritos forenses digitais.
A inteligência artificial (IA) é a capacidade de máquinas e sistemas de realizar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana, como reconhecimento de padrões, aprendizado, raciocínio, tomada de decisão, etc. O machine learning (ML) é um ramo da IA que permite que as máquinas aprendam com dados e experiências, sem serem explicitamente programadas para isso. O big data é o termo que se refere ao grande volume, variedade e velocidade de dados que são gerados e coletados diariamente por diversas fontes, como redes sociais, sensores, câmeras, etc. O cloud computing é a tecnologia que permite o acesso e o armazenamento de dados e serviços por meio da internet, sem a necessidade de infraestrutura física local. O blockchain é uma estrutura de dados que armazena registros de transações de forma distribuída, criptografada e imutável, garantindo a segurança e a confiabilidade dos dados. A internet das coisas (IoT) é o conceito que se refere à conexão de objetos físicos à internet, permitindo a comunicação e a troca de dados entre eles.
Essas tecnologias podem ser aplicadas na perícia forense digital de diversas formas, como:
- A IA e o ML podem ser usados para automatizar e otimizar a coleta, a preservação, a análise e a apresentação de evidências digitais, bem como para identificar e classificar conteúdos falsos ou manipulados, como imagens, vídeos, áudios, textos, etc.
- O big data e o cloud computing podem ser usados para processar e armazenar grandes quantidades de dados provenientes de diferentes fontes e formatos, bem como para integrar e cruzar dados de forma eficiente e escalável, gerando insights e evidências relevantes para a investigação.
- O blockchain pode ser usado para garantir a autenticidade, a integridade, a rastreabilidade e a imutabilidade das evidências digitais, bem como para facilitar a cooperação e o compartilhamento de dados entre diferentes entidades e jurisdições, respeitando as normas legais e éticas.
- A IoT pode ser usada para coletar e monitorar dados de dispositivos conectados, como celulares, wearables, veículos, etc, que podem fornecer informações sobre a localização, o comportamento, as atividades e as interações dos suspeitos ou das vítimas.
Desafios e riscos do uso de tecnologias na perícia forense digital
O uso de tecnologias na perícia forense digital pode trazer diversos benefícios, mas também desafios e riscos, tanto para os peritos quanto para os envolvidos nas investigações. Alguns dos principais desafios e riscos são:
- A necessidade de capacitação e atualização constante dos peritos forenses digitais, pois as tecnologias evoluem rapidamente e exigem novos conhecimentos, habilidades e competências para lidar com elas.
- A proteção da privacidade e dos direitos dos titulares dos dados, pois as tecnologias podem permitir o acesso e o processamento de dados sensíveis, pessoais ou confidenciais, que devem ser tratados com ética, legalidade e segurança, respeitando as normas e as legislações vigentes.
- A validação e a interpretação dos resultados, pois as tecnologias podem gerar dados e evidências que precisam ser verificados, testados, comparados e explicados de forma clara, objetiva e fundamentada, seguindo os padrões e os critérios científicos e técnicos da área.
- A padronização e a regulamentação dos métodos e das ferramentas, pois as tecnologias podem variar em termos de qualidade, confiabilidade, compatibilidade e disponibilidade, o que pode dificultar a integração, a comunicação e a cooperação entre os peritos e as instituições envolvidas nas investigações.