Artigo
24/01/2024
Atualizado em 19/04/2026

Inteligência Artificial e a Perícia Digital: desafios e oportunidades

A expansão da inteligência artificial amplia oportunidades e riscos, exigindo perícia digital especializada para investigar crimes, produzir provas e apoiar sua prevenção.

Resumo

Imagem de capa do artigo

A inteligência artificial (IA) é uma tecnologia que busca criar sistemas e dispositivos capazes de simular o raciocínio, a aprendizagem e a percepção humanas. A IA pode ser aplicada em diversas áreas, como saúde, educação, indústria, comércio, segurança, entretenimento e outras. Alguns exemplos de aplicações de IA são: reconhecimento facial, tradução automática, assistentes virtuais, jogos, diagnóstico médico, robótica, etc.

A IA também pode ser usada para fins criminais, facilitando a prática de delitos no mundo virtual e no mundo físico. A IA pode ser empregada para falsificar documentos, imagens, vídeos, áudios e assinaturas, para enganar, extorquir, difamar ou manipular pessoas, para quebrar sistemas de segurança avançados, como senhas, biometria, criptografia, entre outros, para causar danos físicos, materiais ou psicológicos às vítimas, ou para realizar atos de terrorismo ou sabotagem.

Diante desse cenário, surge a necessidade de uma perícia forense cada vez mais especializada em IA, capaz de investigar, analisar e produzir provas sobre os crimes cometidos com o uso dessa tecnologia. A perícia forense é uma atividade técnico-científica que visa esclarecer os fatos e as circunstâncias de um crime, por meio da coleta, da preservação, da identificação e da interpretação de vestígios materiais ou digitais.

A perícia forense em IA envolve o processamento, a comunicação e o armazenamento de dados executados em smartphones, computadores pessoais e dispositivos relacionados. Esses dados podem conter evidências que sirvam como provas de crimes cometidos tanto no meio digital quanto no físico. A perícia forense em IA também pode auxiliar na identificação e na localização de suspeitos, na recuperação de informações apagadas ou criptografadas, na reconstrução de cenários e na prevenção de novos crimes.

A perícia forense em IA é uma área relativamente nova e em constante evolução, que demanda profissionais qualificados e atualizados. O perito forense é o profissional que possui formação na área de computação ou afins, que tem conhecimentos específicos sobre as técnicas e as ferramentas de IA, que tem habilidades para lidar com dados complexos e que tem capacidade para elaborar laudos periciais claros, objetivos e fundamentados.

O perito forense pode atuar como perito oficial ou como assistente técnico. O perito oficial é o profissional nomeado pelo juiz ou pela autoridade policial para realizar a perícia forense, seguindo as normas e os procedimentos legais. O assistente técnico é o profissional contratado pela parte interessada para acompanhar a perícia forense ou perícia criminal, emitindo pareceres técnicos e esclarecimentos sobre o laudo do perito oficial.

A atuação do perito forense em IA requer alguns pontos de atenção, como:

  • A ética: o perito forense deve agir com honestidade, imparcialidade, independência e sigilo, respeitando os princípios e os valores da ciência, da justiça e dos direitos humanos.
  • A legalidade: o perito forense deve observar as leis, as normas e as regulamentações pertinentes à sua atividade, como a Constituição Federal, o Código de Processo Penal, a Lei Geral de Proteção de Dados, entre outras.
  • A metodologia: o perito forense deve seguir uma metodologia científica, rigorosa e padronizada, que garanta a validade, a confiabilidade e a reprodutibilidade dos resultados obtidos.
  • A atualização: o perito forense deve estar sempre atento às novidades, aos avanços e aos desafios da área de IA, buscando se capacitar, se aperfeiçoar e se reciclar constantemente.
É fundamental que haja uma perícia criminal em IA, que possa investigar, analisar e produzir provas sobre os crimes cometidos com o uso dessa tecnologia, contribuindo para a elucidação, a punição e a prevenção desses crimes, garantindo a segurança e o bem-estar da sociedade

Para realizar a perícia criminal em IA, o perito deve contar com ferramentas adequadas, que possibilitem a coleta, a análise e a apresentação dos dados de forma eficiente e confiável. Existem diversos softwares que podem auxiliar o perito nessa tarefa, cada um com suas características, vantagens e limitações. Alguns dos mais utilizados pelos especialistas na perícia digital, quando do trato com IA, são:

  • Sistema IPED: é um programa computacional forense desenvolvido no Brasil, por peritos federais, para a investigação na Operação Lava Jato. O software permite a análise integrada das informações armazenadas nos dispositivos digitais apreendidos, a recuperação de arquivos deletados, a identificação de criptografia, a classificação de conteúdo por relevância, a busca por palavras-chave, a geração de relatórios e a exportação de dados para outros programas.
  • Forensic Toolkit (FTK): é um software forense utilizado pelo Federal Bureau of Investigation (FBI), que permite a análise de dados em larga escala, a indexação de arquivos, a recuperação de senhas, a identificação de imagens, a extração de e-mails, a criação de imagens forenses, a visualização de dados em diferentes formatos, a geração de relatórios e a integração com outras ferramentas.
  • EnCase: é um software forense que permite a coleta, a preservação e a análise de dados em diversos tipos de dispositivos, como computadores, celulares, tablets, entre outros. O software permite a criação de imagens forenses, a recuperação de arquivos apagados ou ocultos, a busca por palavras-chave, a identificação de padrões de comportamento, a geração de relatórios e a integração com outras ferramentas.
  • BlackBag: é um software forense que permite a coleta, a preservação e a análise de dados em dispositivos Apple, como Mac, iPhone, iPad, entre outros. O software permite a criação de imagens forenses, a recuperação de arquivos apagados ou ocultos, a busca por palavras-chave, a identificação de imagens, a extração de e-mails, a visualização de dados em diferentes formatos, a geração de relatórios e a integração com outras ferramentas.
  • Autopsy: é um software forense de código aberto, que permite a análise de dados em diversos tipos de dispositivos, como computadores, celulares, tablets, entre outros. O software permite a criação de imagens forenses, a recuperação de arquivos apagados ou ocultos, a busca por palavras-chave, a identificação de imagens, a extração de e-mails, a visualização de dados em diferentes formatos, a geração de relatórios e a integração com outras ferramentas.
  • X-Ways Forensics: é um software forense que permite a análise de dados em diversos tipos de dispositivos, como computadores, celulares, tablets, entre outros. O software permite a criação de imagens forenses, a recuperação de arquivos apagados ou ocultos, a busca por palavras-chave, a identificação de imagens, a extração de e-mails, a visualização de dados em diferentes formatos, a geração de relatórios e a integração com outras ferramentas.

A inteligência artificial (IA) é uma tecnologia que pode trazer benefícios e riscos para a sociedade, dependendo de como é usada. A IA pode trazer oportunidades para diversas áreas, como saúde, educação, indústria, comércio, segurança, entretenimento e outras, mas também pode facilitar a prática de crimes no mundo virtual e no mundo físico, como falsificação, phishing, deepfake, instalação de vírus e softwares maliciosos em dispositivos, quebra de sistemas de segurança avançados, transformação de objetos ou dispositivos em armas, entre outros.

Diante desse cenário, surge a necessidade de uma perícia forense especializada em IA, capaz de investigar, analisar e produzir provas sobre os crimes cometidos com o uso dessa tecnologia. Como dito, a perícia forense em IA é uma área relativamente nova e em constante evolução, que demanda profissionais qualificados e atualizados, que possuam formação na área de computação ou afins, que tenham conhecimentos específicos sobre as técnicas e as ferramentas de IA, que tenham habilidades para lidar com dados complexos e que tenham capacidade para elaborar laudos periciais claros, objetivos e fundamentados.

Importante reforçar que a atuação do perito forense em IA requer alguns pontos de atenção, como a ética, a legalidade, a metodologia e a atualização. O perito forense deve agir com honestidade, imparcialidade, independência e sigilo, respeitando os princípios e os valores da ciência, da justiça e dos direitos humanos, observando as leis, as normas e as regulamentações pertinentes à sua atividade.

A inteligência artificial é uma tecnologia que vem crescendo exponencialmente nos últimos anos, tanto em termos de uso quanto de impacto. Por isso, é fundamental que haja uma perícia forense em IA, que possa investigar, analisar e produzir provas sobre os crimes cometidos com o uso dessa tecnologia, contribuindo para a elucidação, a punição e a prevenção desses crimes, garantindo a segurança e o bem-estar da sociedade. A perícia é uma oportunidade e um desafio para o Brasil e para o mundo, e cabe aos profissionais da área se prepararem e se qualificarem para enfrentá-lo.

Consulta regulatória realizada na Okai.
As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.
Atualizado

Não há sinal de desatualização relevante neste conteúdo.

Perguntas e respostas

Como a IA pode ser usada em crimes?
Para criar falsificações, manipular pessoas, atacar controles de segurança e automatizar práticas ilícitas no ambiente digital.
Que competências o perito precisa desenvolver?
Conhecimento técnico de IA e segurança, metodologia forense, atenção às regras aplicáveis e capacidade de explicar resultados complexos.
Qual é a função da perícia digital?
Coletar, preservar, identificar, analisar e interpretar vestígios digitais para esclarecer fatos e produzir evidências técnicas.
Quais desafios a IA cria para a prova?
Aumenta a escala e a sofisticação das manipulações e dificulta verificar autoria, autenticidade, integridade e funcionamento dos sistemas.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

OM

Oerton Fernandes, MsC

Professor MIT | Especialista em Segurança da Informação | Perito Forense Digital | Investigador em Cibersegurança | Auditor Líder | Ethical Hacker | DPO | CPO | DPE | Teólogo