O relatório do Citi investiga como as stablecoins evoluirão até 2030.
Seus objetivos são:
- Avaliar a adoção global e as mudanças estruturais nas stablecoins;
- Mapear tendências regulatórias e riscos (liquidez, governança, compliance);
- Examinar aplicações em pagamentos, tokenização de ativos e comércio internacional;
- Projetar cenários de capitalização e participação no mercado de pagamentos digitais.
O Citi considera as stablecoins “peças de infraestrutura” do sistema financeiro digital, capazes de conectar mercados tradicionais, criptoativos e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).
Panorama Atual (2024–2025)
- Capitalização global: ~US$ 160 bilhões (2024).
- Liderança: USDT (Tether) com 70% de market share; seguida por USDC, DAI e stablecoins lastreadas em commodities como PAXG (ouro).
- Usos predominantes:
- Exchanges cripto: ~65% do volume total;
- Remessas e pagamentos cross-border: ~20%;
- Liquidação em DeFi: ~15%.
Principais obstáculos atuais:
- Ausência de padronização regulatória global;
- Riscos de governança de reservas em emissores não supervisionados;
- Baixa interoperabilidade técnica entre blockchains públicas (Ethereum, Solana, Tron);
- Compliance AML/CFT limitado em algumas jurisdições.
O Citi projeta mudança estrutural no uso das stablecoins até 2030:
Principais motores de adoção:
- Pagamentos transfronteiriços: redução de custos de 5–8% para 1–2%;
- Integração com e-commerce global e gateways de pagamento;
- Liquidação instantânea de ativos tokenizados (Real World Assets – RWA);
- Programas de fidelidade e micropagamentos com contratos inteligentes.
Inovação Tecnológica
1. Infraestrutura Híbrida
Transição para modelo “multi-chain permissioned”, conectando
- Blockchains públicas (Ethereum, Solana);
- Redes permissionadas de bancos e provedores de pagamento.
2. Automação via Smart Contracts
Contratos inteligentes passam a automatizar
- Liquidação em tempo real;
- Execução programática de regras KYC/AML;
- Reconciliação de pagamentos B2B sem intervenção manual.
3. Tokenização de Ativos
Stablecoins como ativo de liquidação universal para
- Dívida corporativa e recebíveis de cartão;
- Imóveis tokenizados e fundos imobiliários;
- Commodities (ouro, petróleo, grãos).
Cenário Regulatórios Globais
1. América do Norte e Europa
- Exigências de reserva integral 1:1, segregação de ativos e auditoria (MiCA na UE; Stablecoin Bill nos EUA).
2. Ásia
- Japão e Singapura avançam em licenciamento e transparência de reservas.
3. América Latina
- Regulação fragmentada; destaque para o Brasil como mercado mais maduro da região.
4. Harmonização Global
- Basel, IOSCO e FSB promovem padrões globais para stablecoins sistêmicas, incluindo testes de estresse de liquidez e buffers prudenciais.
CBDCs x Stablecoins
- CBDCs, como o Drex, competirão em micropagamentos domésticos.
- Stablecoins privadas mantêm vantagem em pagamentos cross-border, B2B e liquidação de ativos tokenizados, por serem mais flexíveis tecnologicamente.
- Citi conclui que CBDCs não substituirão stablecoins, mas pressionarão emissores privados a manter transparência e conformidade regulatória.
Projeções Econômicas
- Capitalização global até 2030: US$ 2 trilhões.
- Crescimento médio anual (CAGR): 40–50% para stablecoins reguladas.
- Participação no mercado global de pagamentos digitais: 5–10%.
- Economia global em custos de pagamentos cross-border: >US$ 100 bilhões/ano.
Riscos e Desafios
1. Regulatórios
- Exigências crescentes de AML/CFT e monitoramento on-chain;
- Governança de reservas e solvência dos emissores;
- Falta de harmonização internacional.
2. Técnicos
- Escalabilidade de blockchains para alto volume de transações;
- Interoperabilidade cross-chain;
- Segurança cibernética contra ataques a smart contracts.
O Brasil no Estudo Citi
O Brasil é citado como mercado-chave da América Latina. O relatório enfatiza que o país reúne condições ideais para liderar a adoção regional de stablecoins, por conta de sua infraestrutura financeira digital (Pix, Open Finance, Drex) e base regulatória avançada.
1. Ambiente Regulatórios Brasileiro
- Lei nº 14.478/2022 (Marco Legal dos Criptoativos) já estabelece diretrizes para prestadores de serviços de criptoativos.
- O Banco Central do Brasil (BCB) deve assumir supervisão de emissores de stablecoins de uso sistêmico.
- Exigências previstas:
- Reserva integral (1:1) em moeda fiduciária ou títulos públicos;
- Segregação de reservas em contas bancárias separadas;
- Auditoria periódica das reservas e publicização de relatórios;
- PLD/FT robusto com APIs de compliance.
O estudo prevê que o Brasil seguirá padrões semelhantes aos do MiCA europeu e do Stablecoin Bill americano, tornando-se referência regulatória na região.
2. Integração com o Drex
- O Drex é tratado como catalisador de interoperabilidade entre stablecoins privadas e sistemas bancários.
- Stablecoins reguladas poderão atuar como “moeda-puente” entre o Drex e moedas estrangeiras em operações cross-border, sobretudo em:
- Remessas de brasileiros no exterior;
- Pagamentos B2B para exportações e importações;
- Liquidação de ativos tokenizados no mercado local.
3. Oportunidades no Brasil
- Pagamentos internacionais: potencial de reduzir custo médio de 4–6% para 1–2%.
- Integração com Pix e Open Finance: stablecoins como instrumento de liquidação internacional.
- Tokenização de ativos: uso em recebíveis, imóveis e crédito agrícola.
- Hedge cambial: stablecoins USD facilitam operações de financiamento internacional.
- Cartões híbridos e programas de fidelidade tokenizados.
4. Desafios Brasileiros
- Tributação complexa para operações tokenizadas e transações com stablecoins;
- Falta de harmonização entre normas do BCB e da CVM;
- Volatilidade cambial do real, tornando stablecoins atreladas ao USD mais atraentes;
- Necessidade de infraestrutura de compliance on-chain robusta.
5. Projeções para o Brasil
- Adoção será mais lenta até 2026, acelerando com a plena implementação do Drex (2027 em diante).
- Até 2030, 20% das remessas internacionais do Brasil poderão usar stablecoins.
- Tendência a soluções híbridas (Pix + stablecoin + Drex).
O Citi resume: “O Brasil reúne infraestrutura avançada e ambiente regulatório em evolução, podendo tornar-se o principal hub de stablecoins da América Latina. A chave será a interoperabilidade com o Drex e a supervisão centralizada pelo BCB.”
Implicações para Empresas Brasileiras
- Redução de custos em remessas internacionais e funding cross-border;
- Liquidação instantânea em marketplaces e B2B;
- Carteiras digitais multicurrency integrando Drex, stablecoins e moedas estrangeiras;
- Hedge cambial facilitado com stablecoins atreladas ao USD;
- Necessidade de compliance e governança de smart contracts.
Onde acessar:
O estudo Citi – Stablecoins 2030, do Citi, pode ser acessado em https://www.citigroup.com/rcs/citigpa/storage/public/GPS_Report_Stablecoins_2030.pdf
Conteúdo localizado por meio da Okai.