Nos últimos anos, o mundo financeiro passou por uma transformação silenciosa, mas profunda: o avanço das stablecoins, moedas digitais atreladas a ativos estáveis — como o dólar ou títulos do Tesouro americano — que oferecem liquidação instantânea e custo muito menor do que as transferências bancárias tradicionais.
O estudo “Money Movement – Stablecoins”, publicado pela FiftyOne em 2025, mostra que as stablecoins deixaram de ser apenas um experimento do setor cripto para se tornarem parte da infraestrutura global de pagamentos, movimentando mais de US$ 2,3 trilhões por mês e atendendo empresas como Stripe, Visa, PayPal e JPMorgan.
O que são stablecoins e por que importam
Stablecoins são moedas digitais projetadas para manter valor estável. Isso é possível porque:
- São lastreadas em reservas reais, como dólares, euros, reais ou títulos públicos;
- Circulam em blockchains públicas ou privadas, permitindo transações 24/7, globais e instantâneas;
- Possuem custódia transparente e podem ser programadas para executar pagamentos automáticos, contratos inteligentes e outras funções.
Essas características tornam as stablecoins alternativas mais rápidas, acessíveis e eficientes para transferências internacionais quando comparadas a sistemas tradicionais como o SWIFT, reduzindo custos e eliminando barreiras de tempo e fronteira.
Principais benefícios
De acordo com o estudo, as stablecoins já são utilizadas por grandes companhias para resolver problemas práticos do dia a dia. Os principais benefícios são:
- Liquidação internacional em segundos: elimina esperas de 3 a 5 dias comuns em transferências bancárias.
- Redução de custos: economias de até 70% em tarifas de câmbio e remessas.
- Operação 24/7: útil para empresas que pagam fornecedores ou funcionários em diferentes fusos horários.
- Transparência e auditabilidade: todo o fluxo financeiro fica registrado em blockchain.
- Integração com IA e automação: sistemas corporativos podem executar pagamentos programados sem intervenção humana.
Mercado em expansão
O estudo prevê que stablecoins podem representar 25% das transações internacionais até 2030, impulsionadas por três fatores:
- Crescente integração com bancos e processadoras de pagamento;
- Interoperabilidade com moedas digitais de bancos centrais (CBDCs);
- Regulação mais clara, sobretudo nos EUA, na União Europeia e no Brasil.
O Brasil como protagonista
O relatório destaca o Brasil como líder na América Latina na adoção e regulação de stablecoins, por três motivos:
- Ambiente regulatório avançado
- Inovação em pagamentos
- Demanda corporativa crescente
O estudo projeta que o Brasil pode se tornar um hub de liquidação digital na América Latina, conectando stablecoins privadas, Pix e Drex.
Desafios e pontos de atenção
Apesar do avanço, alguns desafios permanecem:
- Tributação e regras cambiais ainda fragmentadas, exigindo maior harmonização para operações cross-border.
- Cumprimento rigoroso das normas de PLD/FT (KYC/AML), já exigidas pelo BCB, mas que aumentam custos operacionais.
- Integração técnica entre stablecoins, Pix e bancos, que ainda está em fase piloto.
Por que agir agora
Empresas que atuam com comércio exterior, logística, fintechs e marketplaces podem reduzir custos e ganhar competitividade adotando stablecoins em seus processos. Para isso, é essencial:
- Avaliar casos de uso com maior retorno (como pagamentos internacionais e gestão de tesouraria).
- Garantir conformidade regulatória, contratual e tributária no Brasil e nos países de destino.
- Escolher emissores e provedores de infraestrutura com reserva auditada e integração segura.
Onde acessar
O estudo “Money Movement – Stablecoins” foi elaborado pela 51 | fiftyone.xyz e Fintech Blueprint, e pode ser acesso em https://www.fiftyone.xyz/money-movement
Consulta realizada em okai.com.br.