Artigo
29/07/2024
Atualizado em 25/04/2026

Crimes Cibernéticos: Desafios e Tendências

A escalada dos crimes cibernéticos no Brasil exige respostas integradas entre Estado, setor privado, capacitação, prevenção, gestão de riscos e inovação tecnológica.

Resumo

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Nos últimos anos, os crimes cibernéticos têm se tornado uma ameaça crescente em todo o mundo. Com o avanço da tecnologia e a crescente dependência da internet, criminosos virtuais têm aproveitado as vulnerabilidades para realizar ataques cada vez mais sofisticados e difíceis de serem combatidos.

De acordo com a pesquisa realizada pela empresa de segurança Fortinet, o Brasil registrou cerca de 103,1 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2023. Esse número representa um crescimento de 16% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 88,5 bilhões de ataques. Na região, o Brasil é o segundo país com maior número de tentativas de ataques cibernéticos em 2023, superado apenas pelo México, que registrou cerca de 187 bilhões no mesmo período.

No que tange aos golpes financeiros cibernéticos, o Brasil lidera o ranking de ataques de trojans bancários, malware e phishing na América Latina. A popularização dos serviços bancários online e a adoção das criptomoedas tornaram a segurança dos dados uma preocupação ainda maior.

Na tentativa de combater este aumento significativo, já que, de acordo com as pesquisas, não existem perspectivas de redução neste tipo de crime, o Brasil tem adotado diversas ações e estratégias para combater o crime cibernético, refletindo a crescente preocupação com a segurança digital.

Plano Tático de Combate a Crimes Cibernéticos

Em março de 2022, o Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), lançou o Plano Tático de Combate a Crimes Cibernéticos. Este plano tem como objetivo prevenir e reprimir crimes cibernéticos no país. Entre os principais pontos do plano estão:

  • Acordo de Cooperação: Estabelecido entre a Polícia Federal e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), facilita o compartilhamento de informações para medidas preventivas e educativas, visando tornar o espaço cibernético mais seguro.
  • Banco de Dados de Ocorrências: Criação de um banco de dados acessível às polícias judiciárias da União e dos estados, permitindo a replicação eficiente de modelos de investigações e soluções de crimes.
  • Prevenção a Fraudes Bancárias: Desenvolvimento de programas específicos para prevenir fraudes bancárias eletrônicas e golpes digitais.
  • Capacitação de Agentes de Segurança: Treinamento de agentes de segurança para lidar com diversos tipos de crimes cibernéticos.
  • Estrutura Integrada: Formação de uma estrutura integrada com participação de forças de segurança federais e estaduais, entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais, e especialistas na temática.

Estratégia Nacional de Segurança Cibernética (E-Ciber)

Aprovada pelo Decreto nº 10.222/2020, a Estratégia Nacional de Segurança Cibernética (E-Ciber) estabelece diretrizes para a segurança cibernética no Brasil. Entre os principais eixos temáticos estão:

  • Prevenção e Mitigação de Ameaças Cibernéticas: Foco na prevenção e mitigação de ameaças cibernéticas através de políticas e práticas de segurança.
  • Gerenciamento de Riscos e Incidentes: Desenvolvimento de capacidades para gerenciar riscos e responder a incidentes de criminalidade cibernética.
  • Aprimoramento de Infraestruturas Críticas: Fortalecimento das infraestruturas críticas para combater crimes cibernéticos.
  • Amparo Legal e Regulamentar: Criação de um arcabouço legal e regulamentar robusto para apoiar as iniciativas de segurança cibernética.
  • Parcerias Nacionais e Cooperação Internacional: Estabelecimento de parcerias e cooperação com outras nações e organizações internacionais.
  • Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação: Incentivo à pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias de segurança cibernética.

Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC)

O Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC) é uma organização que reúne diferentes segmentos dos setores público e privado para debater problemas e soluções relacionados à cibersegurança e ao cibercrime no Brasil. Suas principais ações incluem:

  • Promoção de uma Agenda Nacional de Segurança Cibernética: Colaboração na construção e implementação de uma agenda nacional para enfrentar o cibercrime.
  • Educação e Conscientização: Uso da educação como ferramenta de transformação social e integração das políticas de segurança pública.
  • Regulamentação Moderna: Desenvolvimento de uma regulamentação moderna que impulsione a inovação e resguarde o país.

Estratégias de Segurança no Setor Privado

Os diversos setores econômicos podem adotar várias estratégias e ações para aumentar a segurança em suas tecnologias, visto que a segurança cibernética é uma responsabilidade compartilhada que exige uma abordagem multifacetada. Dentre diversas ações que devem ser realizadas, as 10 principais são:

  1. Implementação de Políticas de Segurança: estabelecer políticas claras que definam como as informações devem ser protegidas, incluindo o controle de acesso, classificação e compartilhamento de dados, e realizar treinamentos regulares para funcionários sobre práticas de segurança cibernética, como identificar e evitar phishing e outras ameaças;
  2. Uso de Tecnologias Avançadas: implementar MFA para adicionar uma camada extra de segurança ao acesso a sistemas e dados sensíveis;
  3. Criptografia: utilizar criptografia para proteger os dados em trânsito e em repouso, garantindo que apenas usuários autorizados possam acessá-los;
  4. Monitoramento Contínuo: adotar plataformas que monitoram continuamente os sistemas, identificam lacunas de configuração e alertam ou corrigem automaticamente problemas de segurança;
  5. Planos de Resposta a Incidentes: desenvolver e manter planos de resposta a incidentes que detalhem os procedimentos a serem seguidos em caso de violação de segurança;
  6. Análise de Vulnerabilidades: realizar análises regulares de vulnerabilidades e testes de penetração para identificar e corrigir pontos fracos nos sistemas.
  7. Parcerias com Especialistas: colaborar e trabalhar com empresas e profissionais especializados em segurança cibernética para obter insights e suporte técnico;
  8. Participação em Redes de Informação: participar de redes e fóruns de compartilhamento de informações sobre ameaças cibernéticas para se manter atualizado sobre as últimas tendências e melhores práticas.
  9. Adequação às Leis e Normas: garantir que as operações estejam em conformidade com as leis e regulamentações de segurança cibernética aplicáveis.
  10. Auditorias Regulares: realizar auditorias internas e externas regulares para verificar a conformidade com as políticas de segurança e identificar áreas de melhoria.

O Brasil está adotando uma abordagem multifacetada para combater o crime cibernético, combinando esforços de prevenção, mitigação, capacitação, cooperação internacional e inovação tecnológica. Essas iniciativas são essenciais para criar um ambiente digital mais seguro e confiável para todos os cidadãos.

No setor privado, ao implementar políticas robustas, utilizar tecnologias avançadas, gerenciar riscos de forma proativa, colaborar com especialistas, cumprir regulamentações e investir em inovação, os mais diversos setores fortalecem significativamente a segurança de suas tecnologias, protegem seus dados e operações contra ameaças cibernéticas e contribuem no aumento da segurança das informações e dos dados de seus clientes e parceiros.

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Perguntas e respostas

Quais ameaças cibernéticas são destacadas?
Trojans bancários, malware, phishing, fraudes eletrônicas e ataques contra dados e serviços digitais.
Como o setor privado pode contribuir?
Com políticas robustas, tecnologia, gestão de riscos, colaboração especializada, conformidade e inovação.
Qual é o papel da E-Ciber?
Estabelecer diretrizes nacionais para segurança cibernética e orientar capacidades de prevenção e resposta.
Por que um banco de ocorrências é útil?
Permite compartilhar padrões, replicar métodos de investigação e aproveitar soluções já desenvolvidas.
O que o Plano Tático busca realizar?
Prevenir e reprimir crimes por cooperação, dados compartilhados, capacitação e programas contra fraudes.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

OM

Oerton Fernandes, MsC

Professor MIT | Especialista em Segurança da Informação | Perito Forense Digital | Investigador em Cibersegurança | Auditor Líder | Ethical Hacker | DPO | CPO | DPE | Teólogo