Artigo
12/06/2023
Atualizado em 10/04/2026

Cuidados Recomendados na Análise de Mídia Negativa no Conhecimento do Cliente

Recomendações para otimizar a análise de mídia negativa no processo KYC, incluindo prazos claros, balanceamento entre revisões manuais e automatizadas, categorização de risco, avaliação temporal e monitoramento contínuo.

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O processo de conhecimento do cliente, também conhecido como KYC (Know Your Client), é um aspecto vital no gerenciamento de risco para instituições financeiras e empresas. No entanto, um dos desafios mais significativos para as organizações é o risco de serem expostas a Pessoas com Reputação Exposta (REPs) através da mídia negativa. As normas exigem que as instituições adotem uma abordagem baseada em risco para o conheça seu cliente em relação às mídias negativas que ele possa ter, o que pode levar a inconsistências e brechas potenciais na segurança.

Existem várias práticas recomendadas para abordar esta questão e fortalecer o processo de screening de mídia negativa, que queria detalhar abaixo.

Em primeiro lugar, é crucial definir prazos claros para a revisão de notícias negativas. Embora uma revisão permanente seja a maneira mais segura de capturar todas as notícias, isso não é prático ou sustentável. As instituições devem considerar a revisão no momento da abertura de uma conta e periodicamente depois disso, baseado em um programa guiado pelo risco.

Em segundo lugar, a utilização de revisões manuais e automatizadas em conjunto pode otimizar o processo de conheça seu cliente. A tecnologia pode ser utilizada para complementar o trabalho humano, mas é importante garantir que o sistema automatizado seja direcionado para obter resultados relevantes e acionáveis.

Além disso, é crucial aplicar uma categorização de risco às notícias negativas. Ao contrário de um sistema de alerta de sanções, que oferece uma resposta binária, as notícias negativas exigem uma avaliação mais cuidadosa do risco.

A momento da notícia também é um fator importante. A relevância das notícias pode mudar com o tempo, então é necessário ter um processo para avaliar a gravidade das notícias à luz da sua antiguidade. No entanto, é importante lembrar que alguns tipos de notícias, como aquelas relacionadas a crimes financeiros graves, não perdem sua gravidade com o tempo.

Por fim, é essencial garantir o monitoramento e a vigilância contínuos. Mesmo depois de uma revisão completa, é necessário um sistema para revisar regularmente as mudanças e atualizações.

1) Esclarecer os prazos

Esclarecer os prazos de revisão de notícias negativas é essencial para o gerenciamento eficaz dos riscos.

Por exemplo, uma instituição financeira pode optar por revisar as notícias negativas de um cliente no momento da abertura de sua conta e, em seguida, revisar periodicamente de acordo com um programa guiado por critérios de risco.

No entanto, um desafio comum é determinar a frequência ideal dessas revisões, uma vez que uma revisão muito frequente pode ser onerosa e uma revisão infrequente pode deixar passar informações importantes.

Erros comuns incluem a falta de critérios claros para revisões periódicas e a falta de acompanhamento consistente das notícias negativas.

2) Balancear revisões manuais e automatizadas:

Embora a revisão manual possa ser precisa e minuciosa, pode ser muito demorada e sujeita a erros humanos. As instituições podem usar ferramentas automatizadas para complementar as revisões manuais, aumentando a eficiência e reduzindo a margem de erro.

Por exemplo, um sistema automatizado poderia ser usado para varrer uma ampla gama de fontes de notícias e alertar a equipe quando uma notícia relevante é encontrada.

Os principais desafios incluem evitar resultados irrelevantes e garantir que o sistema não omita informações vitais.

Um erro comum é confiar demais na automação e negligenciar a necessidade de revisões manuais para confirmar a relevância e precisão das notícias.

3) Aplicar categorização de risco:

As notícias negativas não são todas iguais e, portanto, exigem uma avaliação mais qualificada do risco.

Por exemplo, uma notícia sobre um escândalo financeiro de grande escala seria classificada como um risco maior do que uma pequena disputa legal.

Um desafio comum aqui é a subjetividade na classificação de riscos, o que pode levar a inconsistências.

Um erro comum é tratar todas as notícias negativas da mesma maneira, sem considerar sua gravidade.

4) Considerar a pontualidade dos resultados:

A relevância das notícias pode mudar com o tempo. Uma notícia negativa que ocorreu há dez anos pode não ser tão relevante agora se o cliente demonstrou comportamento positivo desde então.

Por exemplo, um cliente que tenha enfrentado problemas legais há vários anos, mas que tenha mantido uma boa reputação desde então, pode ser considerado de menor risco.

O desafio é determinar quando uma notícia negativa se torna irrelevante.

Um erro comum é ignorar notícias antigas que ainda são relevantes ou dar peso demais a notícias antigas que não são mais relevantes.

5) Garantir monitoramento e vigilância contínuos:

Mesmo após uma análise completa, é vital continuar monitorando as mudanças e atualizações.

Por exemplo, se um cliente que anteriormente não apresentava riscos é repentinamente mencionado em uma investigação legal, isso deve ser notado e avaliado.

O principal desafio aqui é manter um processo de monitoramento contínuo sem que ele se torne muito oneroso.

Erros comuns incluem falha em manter o monitoramento consistente ou não agir prontamente quando novas informações surgem.

Adotar essas práticas recomendadas pode melhorar significativamente a eficiência e a eficácia do processo de screening de mídia negativa. Com a devida diligência e uma abordagem bem pensada, as instituições podem gerenciar de forma mais eficaz os riscos associados à mídia negativa, proteger-se contra ameaças potenciais e garantir o cumprimento das regulamentações.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

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Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante