O Banco Central do Brasil publicou no primeiro dia útil de novembro de 2025 Resolução BCB nº 518, que revoga e substitui a Resolução BCB nº 96. A nova norma reforça diretrizes de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo (PLD/FT) e dá um passo importante na consolidação da abordagem baseada em risco como eixo central da governança de Compliance no sistema financeiro e de pagamentos.
Na prática, o mercado já vinha vivendo algo parecido. O encerramento de contas sob o argumento de “falta de interesse comercial” muitas vezes era o resultado de longos processos de investigação, análise documental, deliberação em comitês e diligências internas. Ou seja, mesmo sem previsão explícita, a tomada de decisão já era sustentada em critérios de risco.
Agora, com a nova resolução, o Banco Central formaliza o que antes era apenas prática de mercado. O que era soft law se transforma em obrigação normativa, deixando claro que a abordagem baseada em risco não é mais opcional — é parte estruturante da gestão de integridade das instituições. Essa mudança equaliza o ecossistema e fortalece a prevenção de ilícitos como um todo, trazendo mais coerência, segurança jurídica e previsibilidade às decisões empresariais.
Contudo, esse avanço cobra maturidade. As áreas de Compliance, KYC e PLD precisarão ir além dos sistemas, dashboards e da promessa da inteligência artificial. Tecnologia é aliada, mas não substitui o olhar experiente de quem já enfrentou crises, sofreu com dores operacionais e, nelas, descobriu oportunidades de melhoria. É essa vivência — construída na prática — que transforma um controle em cultura e um procedimento em propósito.
O movimento do regulador também reflete o momento do país: depois de uma sequência de casos negativos envolvendo bancos, fintechs e corretoras, a tendência é clara — ajustes finos e maior escrutínio sobre as práticas de governança, identificação e monitoramento de clientes. A era da complacência acabou; entra em cena a era da coerência e da responsabilização compartilhada.
Resta agora observar como as linhas de defesa irão reagir. Estarão preparadas para calibrar seus sistemas de KYC, revisão cadastral e monitoramento contínuo com esse novo rigor normativo? Terão a flexibilidade necessária para adaptar-se sem perder o foco em inovação e negócios?
A lição de casa é desafiadora, mas inevitável. Exige equilíbrio entre o olhar regulatório e o espírito pro business — aquele que impulsiona o setor, mas agora sob o compromisso de uma integridade amadurecida.
E você — está preparado para essa nova fase ou encara isso apenas como mais uma tarefa a cumprir? Por fim, não existe KYC bancário, existe assunção de risco e fortalecimento de ética desde o momento zero de criação de linha de defesa.