Artigo
06/06/2024
Atualizado em 23/04/2026

Evolução nas Prioridades da Gestão de Riscos na Última Decada de: 2012 a 2023 + Tendências para 2024/25

Análise das mudanças nas prioridades de riscos enfrentadas por CROs entre 2012 e 2023, destacando cibersegurança, riscos ambientais e econômicos, e projeções para 2024/25.

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Nos últimos anos, a gestão de riscos tem se tornado cada vez mais complexa e multifacetada, com constantes mudanças nas prioridades de riscos enfrentadas pelos Chief Risk Officers (CROs), o que reflete bem a dinâmica de um ambiente de negócios em constante evolução, influenciado por diversos fatores internos e externos, por isto entender e estar ligado nessas mudanças e fatores, é importante para desenvolver estratégias eficazes de mitigação e adaptação.

Abaixo alguns dos fatores que ajudaram na mudança nas prioridades dos riscos pelas empresas:

  • Evolução Tecnológica: O rápido avanço da tecnologia, especialmente nas áreas de digitalização e automação, trouxe novos riscos cibernéticos e tecnológicos. A dependência crescente de sistemas digitais aumentou a vulnerabilidade a ataques cibernéticos e falhas tecnológicas, exigindo uma maior atenção à cibersegurança.
  • Mudanças Regulamentares: Regulamentações cada vez mais rigorosas e específicas em resposta a eventos econômicos e sociais significativos têm impulsionado mudanças nas prioridades de risco. Exemplos incluem a implementação do GDPR na Europa e LGPD no Brasil, e a evolução das regulamentações financeiras pós-crise de 2008 com Basileia 3 e 4, que visam aumentar a transparência e a resiliência das instituições financeiras.
  • Eventos Econômicos Globais: Crises econômicas, como a crise financeira de 2008 e a pandemia de COVID-19, alteraram significativamente o panorama de risco. Esses eventos destacaram a importância da resiliência financeira e operacional, levando os CROs a priorizar a estabilidade e a recuperação econômica.
  • Conscientização Ambiental e Social: A crescente conscientização sobre as mudanças climáticas e a responsabilidade social corporativa impulsionou a inclusão de riscos ambientais e sociais na agenda dos CROs. Eventos climáticos extremos e a pressão de stakeholders por práticas empresariais sustentáveis exigem uma abordagem mais integrada para a gestão de riscos ambientais.
  • Mudanças no Comportamento do Consumidor: A evolução das preferências e expectativas dos consumidores também influencia as prioridades de risco. Com a digitalização do consumo e a demanda por práticas empresariais éticas e sustentáveis, as empresas precisam adaptar suas estratégias de risco para manter a competitividade e a conformidade.
  • Inovações no Setor Financeiro: A emergência de fintechs e novas formas de transações financeiras, como criptomoedas, trouxe novos desafios e riscos associados à tecnologia e à regulamentação. Essas inovações exigem que os CROs estejam constantemente atualizados sobre as tendências do mercado financeiro e adaptem suas estratégias de gerenciamento de risco.

Isto colocado, mostra bem como a capacidade de adaptação é essencial para os CROs e suas empresas à medida que novos riscos surgem e as prioridades mudam, é fundamental que as estratégias de gestão de riscos sejam flexíveis e proativas. Assim como é importante o desenvolvimento de uma cultura organizacional que valorize a resiliência e a adaptação contínua, o que é fundamental para enfrentar os desafios de um ambiente de risco em constante mudança.

Queria comentar abaixo mais sobre a evolução das prioridades de risco na última década, entre 2012 e 2023, pois a compreensão dessas tendências permitirá entender o que aconteceu e ver estas tendências, e para simplificar vou dividir estes 10 anos em 4 blocos distintos:

1) 2012-2015: Estabelecimento das Bases:

Entre 2012 e 2015, as prioridades de risco estavam fortemente influenciadas pelos resquícios da crise financeira de 2008. Os CROs focaram principalmente em riscos de crédito, liquidez e regulatórios, visando recuperar a estabilidade financeira e a confiança dos investidores. A complexidade crescente das operações e o surgimento de novas regulamentações também destacaram a importância dos riscos operacionais.

2012:

  • Riscos Prioritários: Crédito, Liquidez e Regulatórios.
  • Contexto: A crise financeira global de 2008 ainda estava fresca na memória das instituições financeiras, levando a uma ênfase na gestão de riscos de crédito e liquidez. Regulamentações como Basel III começaram a ser implementadas, exigindo maior atenção ao risco regulatório para garantir conformidade e estabilidade financeira.

2013:

  • Riscos Prioritários: Crédito, Liquidez, Regulatórios e Operacional.
  • Contexto: A complexidade crescente das operações financeiras destacou a importância do risco operacional. A introdução de novas tecnologias e processos internos complexos aumentou a necessidade de gerenciar riscos operacionais de forma eficaz.

2014:

  • Riscos Prioritários: Crédito, Regulatórios e Mercado.
  • Contexto: A volatilidade nos mercados financeiros globais, influenciada por eventos como a crise da dívida soberana europeia, colocou o risco de mercado em foco. Ao mesmo tempo, as regulamentações continuaram a evoluir, exigindo atenção contínua ao risco regulatório.

2015:

  • Riscos Prioritários: Crédito, Regulatórios, Cibernético e Conduta.
  • Contexto: O aumento dos ataques cibernéticos, como a violação de dados da Anthem, destacou a necessidade de priorizar a cibersegurança. Além disso, escândalos de conduta em grandes instituições financeiras, como o escândalo de manipulação da taxa Libor, levaram à atenção ao risco de conduta.

2) 2016-2018: Mudança para a Cibersegurança:

De 2016 a 2018, a rápida digitalização e os avanços tecnológicos transformaram o cenário de riscos, com a cibersegurança emergindo como uma prioridade crítica. Regulamentações mais rigorosas, como o GDPR e LGPD, e o aumento de ataques cibernéticos impulsionaram os CROs a reforçar as medidas de segurança e conformidade. Além disso, o risco tecnológico e de conduta ganhou destaque devido à crescente dependência de sistemas digitais.

2016:

  • Riscos Prioritários: Regulatórios e Cibernético.
  • Contexto: O GDPR (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados) da União Europeia, que seria implementado em 2018, começou a pressionar as empresas a reforçar a segurança dos dados e a conformidade regulatória. Os ataques cibernéticos, como o hack da Equifax, continuaram a destacar a necessidade de robustas medidas de cibersegurança.

2017:

  • Riscos Prioritários: Cibernético, Conduta e Tecnológico.
  • Contexto: O ataque WannaCry e outras ameaças cibernéticas globais enfatizaram a vulnerabilidade das infraestruturas tecnológicas. A tecnologia, como a adoção de fintechs, começou a transformar o setor financeiro, aumentando a necessidade de gerenciar riscos tecnológicos.

2018:

  • Riscos Prioritários: Cibernético e Digital.
  • Contexto: Com o GDPR e a LGPD entrando em vigor, a conformidade com a proteção de dados se tornou crucial. As empresas aceleraram a digitalização, aumentando a exposição a riscos digitais. Os ataques cibernéticos continuaram a ser uma ameaça significativa.

3) 2019-2021: Resiliência e Preocupações Ambientais:

No período de 2019 a 2021, a conscientização sobre as mudanças climáticas e a resiliência organizacional tornaram-se questões centrais. A pandemia de COVID-19 destacou a importância da capacidade de adaptação das empresas a crises inesperadas, enquanto a pressão regulatória e social sobre práticas sustentáveis aumentou a prioridade dos riscos ambientais. A cibersegurança e o risco de conduta permaneceram como preocupações contínuas.

2019:

  • Riscos Prioritários: Climático e Resiliência.
  • Contexto: O aumento da conscientização sobre as mudanças climáticas e eventos climáticos extremos, como os incêndios florestais na Amazônia e na Austrália, destacaram a necessidade de gerenciar riscos climáticos. A resiliência organizacional começou a ser vista como crítica para enfrentar crises.

2020-2021:

  • Riscos Prioritários: Ambiental, Cibernético e Conduta.
  • Contexto: A pandemia de COVID-19 provocou uma crise global, ressaltando a importância da resiliência e do gerenciamento de riscos ambientais e de saúde. A cibersegurança permaneceu uma prioridade devido ao aumento do trabalho remoto e da digitalização. O risco de conduta também foi uma preocupação, com empresas enfrentando desafios éticos em um ambiente de negócios em rápida mudança.

4) 2022-2023: Foco Renovado em Riscos de Crédito e Ambientais:

Entre 2022 e 2023, houve um foco renovado nos riscos de crédito e ambientais, impulsionado pela recuperação econômica pós-pandemia e pelo aumento das regulamentações ambientais. As mudanças no comportamento do consumidor e as novas dinâmicas econômicas destacaram a importância do crédito ao varejo, enquanto a conformidade regulatória continuou sendo uma prioridade fundamental. A sustentabilidade e a adaptação às novas exigências regulatórias foram cruciais para a estratégia de gestão de riscos.

2022:

  • Riscos Prioritários: Crédito e Ambiental.
  • Contexto: A recuperação econômica pós-pandemia levou a um foco renovado no risco de crédito, à medida que as empresas buscavam se estabilizar e crescer. A pressão regulatória e social sobre questões ambientais continuou a aumentar, destacando a importância da gestão de riscos ambientais.

2023:

  • Riscos Prioritários: Ambiental, Crédito ao Varejo e Conformidade Regulatória.
  • Contexto: As políticas ambientais se tornaram ainda mais rigorosas, exigindo uma maior atenção ao risco ambiental. O crédito ao varejo ganhou importância devido às mudanças no comportamento do consumidor e às novas dinâmicas econômicas. A conformidade regulatória permaneceu uma prioridade constante, refletindo a evolução contínua das regulamentações globais.

À medida que avançamos para 2024 e 2025, os Chief Risk Officers (CROs) precisam estar atentos a várias tendências emergentes que influenciarão as prioridades de risco, queria então dar minha visão das principais tendências e riscos que provavelmente estarão em foco nos próximos anos, que algumas pesquisas recentes já indicam:

1) Riscos Cibernéticos e de Tecnologia:

Contexto:

  • O aumento contínuo da digitalização e a dependência crescente de tecnologias avançadas, como inteligência artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e blockchain, elevam a superfície de ataque para cibercriminosos.
  • Os ataques de ransomware e outras formas de cibercrime devem continuar crescendo em sofisticação e frequência.

Prioridades:

  • Fortalecimento das medidas de cibersegurança, incluindo a implementação de tecnologias avançadas de defesa cibernética.
  • Desenvolvimento de estratégias de resposta a incidentes e planos de recuperação de desastres.
  • Treinamento contínuo de funcionários sobre segurança cibernética e práticas de higiene digital.

2) Riscos de Mudanças Climáticas e Ambientais:

Contexto:

  • As mudanças climáticas continuam a representar uma ameaça significativa com impactos econômicos e sociais profundos, como podemos ver com a tragédia do Rio Grande do Sul.
  • Regulamentações ambientais mais rigorosas e a pressão de stakeholders para práticas empresariais sustentáveis estão aumentando.

Prioridades:

  • Implementação de estratégias de gestão de risco climático, incluindo a avaliação de riscos físicos e de transição.
  • Investimento em práticas sustentáveis e iniciativas de redução de carbono.
  • Preparação para eventos climáticos extremos através de planos de resiliência e adaptação.

3) Riscos Geopolíticos e Econômicos:

Contexto:

  • A instabilidade geopolítica, incluindo tensões comerciais, conflitos regionais e políticas protecionistas, continua a afetar o ambiente de negócios global.
  • As flutuações econômicas, incluindo inflação e volatilidade das taxas de juros, influenciam os mercados financeiros e a economia global.

Prioridades:

  • Monitoramento contínuo de desenvolvimentos geopolíticos e suas possíveis implicações para a organização.
  • Diversificação de mercados e cadeias de suprimentos para mitigar riscos geopolíticos.
  • Desenvolvimento de estratégias financeiras para lidar com a volatilidade econômica e proteger os ativos da empresa.

4) Riscos de Conformidade e Regulamentação:

Contexto:

  • As regulamentações estão se tornando mais complexas e específicas, particularmente em áreas como proteção de dados, conformidade ambiental e governança corporativa.
  • A fiscalização regulatória está aumentando, com penalidades severas para não conformidade.

Prioridades:

  • Fortalecimento das práticas de conformidade e governança corporativa.
  • Implementação de sistemas robustos de monitoramento e relatórios regulatórios.
  • Formação contínua de equipes sobre mudanças regulatórias e melhores práticas de conformidade.

5) Riscos de Saúde e Segurança:

Contexto:

  • A pandemia de COVID-19 destacou a importância da saúde e segurança no local de trabalho.
  • Novas variantes de doenças e outras emergências de saúde pública permanecem uma preocupação.

Prioridades:

  • Desenvolvimento e atualização contínua de planos de resposta a emergências de saúde pública.
  • Implementação de medidas preventivas de saúde e segurança no local de trabalho.
  • Treinamento de funcionários sobre protocolos de saúde e segurança.

6) Riscos de Reputação e Conduta:

Contexto:

  • As expectativas dos consumidores e stakeholders em relação à responsabilidade social corporativa e à conduta ética das empresas estão aumentando.
  • Escândalos de conduta podem ter um impacto severo na reputação e no valor de mercado das empresas.

Prioridades:

  • Fortalecimento das políticas de conduta ética e responsabilidade social corporativa.
  • Implementação de programas de treinamento em ética para todos os níveis da organização.
  • Desenvolvimento de estratégias de gestão de crises de reputação.

As prioridades de risco continuarão a evoluir à medida que o ambiente de negócios global muda, exigindo uma vigilância contínua e adaptação estratégica, por isto para que os CROs possam acompanhar eficazmente as tendências e mudanças no ambiente de risco, algumas práticas recomendadas poderiam ser:

1) Monitoramento Contínuo de Informações:

  • Leitura de Publicações Especializadas: Assinar e ler regularmente publicações e relatórios de empresas de consultoria, organizações de pesquisa e órgãos reguladores que abordam tendências e previsões de riscos.
  • Participação em Conferências e Seminários: Participar de eventos da indústria, conferências e seminários para obter insights sobre as últimas tendências e práticas de gestão de riscos.

2) Engajamento com Redes Profissionais:

  • Associações Profissionais: Tornar-se membro de associações profissionais e participar de fóruns de discussão. Acho que o Linkedin e grupos de whatsapp têm me sido bem úteis,
  • Networking: Estabelecer e manter uma rede de contatos com outros profissionais de risco para trocar conhecimentos e experiências.

3) Uso de Tecnologia e Ferramentas de Análise:

  • Plataformas de Inteligência de Risco: Utilizar plataformas e software de inteligência de risco que agregam dados de diversas fontes e fornecem análises em tempo real sobre ameaças emergentes.
  • Data Analytics: Implementar ferramentas de análise de dados e big data para identificar padrões e prever riscos futuros com maior precisão.

4) Educação e Treinamento Contínuo:

  • Cursos e Certificações: Investir em cursos e certificações contínuas para se manter atualizado com as melhores práticas e novos desenvolvimentos na gestão de riscos.
  • Workshops Internos: Organizar workshops internos para treinar equipes sobre novos riscos e desenvolver capacidades internas de gestão de risco.

Os CROs precisam estar constantemente atualizados sobre as tendências e mudanças no ambiente de risco para proteger a sustentabilidade e resiliência de suas organizações. Através de monitoramento contínuo, engajamento profissional, uso de tecnologia, educação contínua e desenvolvimento de planos de contingência, os CROs podem garantir que suas empresas estejam preparadas para enfrentar desafios emergentes de maneira eficaz.

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Atualizado Verificado em 16/07/2026

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Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante