Estava lendo e pensando mais a respeito de quais seriam os pontos que poderiam mudar no futuro o panorama da gestão de riscos (Enterprise Risk Management ou simplesmente ERM), que por sinal felizmente tem ganhado destaque em muitas empresas diante das incertezas econômicas, do ritmo acelerado de mudanças nos negócios e ainda de outros riscos potenciais.
Neste sentido, é importante ter uma visão de futuro e perceber que os programas de gestão de riscos mais robustos são mais do que uma simples necessidade para permanecer competitivos no mundo empresarial atual.
Feita esta breve introdução, queria hoje falar sobre algumas das tendências da gestão de riscos, que vão, quem sabe, mudar o processo de ERM, ajudando no planejamento de continuidade dos negócios e nos esforços de mitigação de riscos. Vamos então olhar para frente através dos seguintes temas abaixo:
- Modelos de Maturidade de Risco Consolidam Fluxos de Trabalho: Outro dia escrevi sobre o tema aqui, pois acredito que ao adotar um modelo de maturidade de risco, as empresas poderão sistematizar e padronizar suas práticas de gestão de riscos, alinhando-as com objetivos estratégicos. Importante, neste sentido, a criação de equipes multidisciplinares que combinem expertise técnica e de negócios no segmento que atuam, estabelecendo políticas e procedimentos de ERM e implementando controles adequados. Cada vez mais, para isso, a tecnologia desempenha um papel fundamental, oferecendo infraestrutura para centralizar informações sobre gestão de riscos e automatizar a aplicação de políticas de risco.
- Tecnologia e a Expansão do Escopo da GRC: A expansão da gestão de riscos para incluir também cada vez mais a cibersegurança, TI, relações com terceiros, cria a necessidade de uma abordagem integrada de riscos. Plataformas GRC abrangentes facilitam a criação e gestão de políticas, realização de avaliações de risco, identificação de lacunas de conformidade regulatória e automação do processo de auditoria interna, fortalecendo a postura de risco da empresa.
- ERM Visto como Vantagem Competitiva: Acredito bastante na transformação da gestão de riscos, de um simples processo de evitar riscos, para uma visão mais proativa como um diferencial competitivo. Neste sentido, as empresas que adotarem agora uma abordagem transformacional para a gestão dos riscos vão conseguir se adaptar rapidamente a novas oportunidades de mercado, minimizando interrupções na estratégia de negócios e por aí vai.
- Uso Mais Amplo de Declarações de Apetite ao Risco: A adoção de declarações de apetite ao risco em diversos segmentos ajuda as empresas a comunicar claramente seus limites de risco aceitáveis, orientando decisões de gestão de riscos no dia a dia. Isso substitui abordagens rudimentares por um processo que guia de forma mais definitiva as decisões de gerenciamento de risco.
- Ferramentas de Mitigação e Medição de Riscos Multiplicam: O desenvolvimento de ferramentas internas e externas de detecção de riscos, que oferecem uma visão mais ampla e holística dos riscos organizacionais e promovem responsabilidade e relatórios de riscos em tempo real, permite que as empresas adotem abordagens mais proativas e informadas para a gestão de riscos.
- GRC Encontra com o ESG: Integrar agendas ESG à gestão de riscos empresariais exige que as empresas adotem ações significativas e, por que não, genuínas em suas estratégias ESG, demonstrando progresso mensurável em vez de apenas realizar greenwashing.
- Riscos de Clima Extremo Crescem em Importância: O aumento na frequência e impacto de eventos climáticos extremos exige que as lideranças desenvolvam estratégias de gestão de riscos para proteger ativos e funcionários, destacando a necessidade de uma abordagem proativa à resiliência climática. Não dá mais para pensar em risco de crédito sem envolver esta variável importante na análise.
- Integração da Gestão de Riscos com a Transformação Digital: A complexidade crescente dos ambientes de TI e a digitalização dos processos reforçam a necessidade de programas integrados de GRC para simplificar a gestão de riscos, exigindo que as lideranças de TI e negócios colaborem na identificação e mitigação de riscos.
- Monitoramento de Risco Aprimorado e Contextualizado: A demanda por ferramentas de monitoramento de risco adaptadas a diferentes funções enfatiza a necessidade de análises de risco que ofereçam granularidade e insights específicos, apoiando novas prioridades de gestão de riscos.
- IA Aprimora Iniciativas de Gestão de Riscos: Não dá mais para fugir da aplicação de IA na identificação e previsão de riscos, bem como na gestão de riscos legais e de modelos, representando uma evolução nas capacidades de gestão de riscos, trazendo mais eficiência e precisão.
- IA Introduz Novos Riscos que Precisam ser Gerenciados: Se por um lado o surgimento de tecnologias de IA generativa traz benefícios como os acima, ela também traz riscos novos e mais complexos, exigindo que as empresas desenvolvam frameworks de gestão de riscos de IA, programas de IA responsável e políticas de governança de IA para gerenciar esses riscos de forma eficaz.
Essas tendências ilustram a evolução contínua da gestão de riscos, destacando a importância de abordagens integradas e proativas. O que mais você acha que pode ser transformador para esta área?