Outro dia lendo os jornais parei para pensar e percebi o crescimento dos casos de fraudes no mercado, das mais diversas formas, em especial as envolvendo esquemas de pirâmide com cripto ativos, e achei legal falar um pouco sobre o tema aqui. Muitos famosos inclusive caindo no "conto do vigário".
Fraudes no mercado financeiro são uma preocupação constante para as empresas, e também investidores, e logicamente os reguladores, que podem incluir atividades ilegais, como manipulação de mercado, uso indevido de informações privilegiadas e esquemas de pirâmide financeira, entre outros.
Existem diversas fraudes comuns que podem ocorrer no mercado como por exemplo:
1) Fraude de Promessa de Retornos Altos:
A fraude de investimento ocorre quando um indivíduo ou empresa promete retornos financeiros altos e rápidos, mas usa o dinheiro dos investidores para benefício próprio ou para outros fins.
2) Manipulação de mercado:
A fraude de mercado ocorre quando indivíduos ou empresas manipulam o mercado financeiro para seu próprio benefício. Isso pode incluir a manipulação de preços de ações ou commodities, a divulgação de informações falsas ou a execução de transações fraudulentas.
4) Fraude de cartão de crédito:
A fraude de cartão de crédito ocorre quando um fraudador usa informações de um cartão de crédito sem autorização do titular do cartão. Isso pode incluir a clonagem de cartões, a realização de transações fraudulentas ou o uso de informações roubadas para fazer compras on-line.
5) Fraude de identidade:
A fraude de identidade ocorre quando um indivíduo usa informações pessoais de outra pessoa, como nome, número de CPF ou data de nascimento, para obter crédito ou realizar transações financeiras.
6) Fraude de pirâmide:
A fraude de pirâmide ocorre quando indivíduos ou empresas prometem retornos financeiros altos a investidores em troca de recrutar novos investidores. Esse esquema é insustentável e leva à perda financeira para a maioria dos investidores.
7) Fraude de empréstimo:
A fraude de empréstimo ocorre quando um indivíduo solicita um empréstimo usando informações falsas ou roubadas. O fraudador pode usar o dinheiro do empréstimo para benefício próprio ou nunca pagar o empréstimo. Aliás depois vou escrever outro post só dedicado a este assunto.
Este são apenas alguns de infelizmente muitos outros....
O que me espanta é que na maioria dos casos existem indícios claros de que tem algo errado.
Para ajudar então queria compartilhar abaixo alguns dos mais comuns indícios de fraudes no mercado financeiro:
1) Retornos garantidos ou excessivamente altos:
Promessas de retornos elevados com pouco ou nenhum risco são um sinal comum de fraude. Um exemplo brasileiro é o caso da TelexFree, uma empresa de marketing multinível acusada de operar um esquema de pirâmide. A empresa prometia retornos altíssimos para os investidores, mas o dinheiro vinha dos próprios participantes, e não de uma atividade comercial real.
2) Pressão para investir rapidamente:
Fraudes muitas vezes criam um senso de urgência para induzir os investidores a tomarem decisões apressadas. Dizendo que vão perder esta oportunidade única de fazê-los ficar rico rapidamente.
3) Informações obscuras ou incompletas:
Empresas e corretoras fraudulentas podem omitir informações importantes, fornecer informações enganosas ou evitar responder a perguntas específicas. Um exemplo no Brasil é o caso da InDeal, uma empresa acusada de operar um esquema de pirâmide que prometia ganhos de até 15% ao mês, mas não fornecia informações claras sobre suas atividades e estratégias de investimento.
4) Falta de registro ou regulamentação:
Empresas e corretoras que não estão registradas e regulamentadas pelas autoridades financeiras locais, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil, são mais propensas a fraudes. Um exemplo é a Atlas Quantum, uma empresa brasileira de criptomoedas que operava sem autorização da CVM e foi acusada de realizar práticas fraudulentas.
5) Esquemas de marketing multinível:
Embora nem todos os esquemas de marketing multinível sejam fraudulentos, muitos esquemas de pirâmide usam essa estrutura para atrair investidores. Um exemplo é o caso da BBom, uma empresa brasileira acusada de operar um esquema de pirâmide, em que os participantes eram incentivados a recrutar novos investidores para ganhar comissões e bônus.
6) Testemunhos e avaliações falsas:
Fraudadores podem usar depoimentos e avaliações falsas para convencer os investidores de que a oportunidade de investimento é legítima. Um exemplo no Brasil é o caso da FoneClub, uma empresa acusada de operar um esquema de pirâmide, que usava depoimentos e comentários falsos para atrair novos investidores.
7) Comunicações não solicitadas:
Se você receber ligações, e-mails ou mensagens nas redes sociais oferecendo oportunidades de investimento que parecem muito boas para serem verdade, isso pode ser um indício de fraude. Inclusive aqui, cuidado também com os casos de "Phishing", com objetivo de pegar seus dados para usá-los em outras fraudes.
Para se proteger dessas fraudes, é importante pesquisar e verificar cuidadosamente as informações sobre a empresa e a oportunidade de investimento, consultar profissionais e órgãos reguladores, e desconfiar de promessas que pareçam boas demais para ser verdade.
Mas fico me perguntando por que mesmo com estes indícios as pessoas continuam caindo nos golpes?
E parei para pensar em algumas possíveis razões para o pessoal cair assim mesmo como:
1) Ganância:
Começo com a maior delas, que é a perspectiva de retornos elevados e rápidos, que cega os investidores aos riscos e sinais de alerta associados a uma oportunidade de investimento fraudulenta.
2) Ignorância ou falta de conhecimento:
Outra razão que acho bem provável é que muitos investidores não têm conhecimento suficiente sobre finanças e investimentos, tornando-os mais suscetíveis a esquemas fraudulentos que parecem atraentes e legítimos à primeira vista.
3) Habilidades de persuasão dos fraudadores:
Obviamente que os fraudadores são bons de lábia, e muito persuasivos e utilizam técnicas de manipulação psicológica para convencer os investidores a investir em seus esquemas. Eles podem explorar emoções, como medo, urgência ou desejo de pertencer a um grupo exclusivo, para influenciar suas vítimas.
4) Confiança indevida:
Algumas pessoas confiam demais em amigos, familiares ou figuras de autoridade que as apresentam a oportunidades de investimento fraudulentas. Nessas situações, o relacionamento pessoal pode ofuscar a necessidade de verificar e avaliar cuidadosamente o investimento.
5) Desespero financeiro:
Indivíduos enfrentando dificuldades financeiras podem ser mais vulneráveis a fraudes, pois estão ansiosos para encontrar soluções rápidas e fáceis para melhorar sua situação financeira.
6) Medo de perder oportunidades:
O medo de perder uma oportunidade única de investimento pode levar as pessoas a tomar decisões impulsivas e arriscadas sem realizar a devida diligência.
7) Efeito manada:
Muitas vezes, as pessoas tendem a seguir o comportamento de outras pessoas que acreditam serem bem-sucedidas ou bem informadas. Os fraudadores podem explorar esse fenômeno ao apresentar seu esquema como algo popular e amplamente aceito.
8) Falta de ceticismo:
Algumas pessoas podem ser naturalmente menos céticas e mais dispostas a acreditar em promessas e reivindicações, mesmo que pareçam boas demais para ser verdade.
Mas que são estas pessoas que mais caem nestes golpes?
Mas não fui o único que se interessou pelo tema, e nas minhas pesquisas sobre o tema me deparei com um interessante estudo e pesquisa feita em 2020 pelo Centro de Estudos Comportamentais e Pesquisas (CECOP) da CVM, que foi entender mais sobre os casos de pirâmides financeiras, esquemas de Ponzi, ofertas irregulares de investimentos e outros golpes da mesma natureza junto a vítimas e não vítimas desses esquemas, buscando mapear as características mais recorrentes de fraudes financeiras e analisar possíveis ações preventivas a serem elaboradas, buscando identificar características sociodemográficas e comportamentais de vítimas de fraudes financeiras e compará-las com as de investidores que não foram vítimas, bem como reconstruir a trajetória do envolvimento da vítima com o golpe, desde o momento do seu primeiro investimento até a resolução, ou não, do problema.
Os resultados obtidos na pesquisa quantitativa sugerem que os voluntários não vítimas de fraudes financeiras possuem um portfólio mais refinado e diversificado que as vítimas de fraude. Aquele público investe mais que este em ações, fundos de investimento, FII, previdência privada, CDB, LCI/LCA e na maioria das demais opções apresentadas. Em contrapartida, as vítimas investiam mais, proporcionalmente, em poupança, criptomoedas e start-ups; também afirmam, em maior número, não possuírem investimentos financeiros.
Na pesquisa quantitativa, fica claro de que os cripto ativos aparecem como o produto de investimento mais citado pelas vítimas de golpes financeiros, sendo mencionadas por 43,3% dos respondentes. Os demais principais mercados mencionados foram câmbio (29,8%), opções binárias (16,9%) e ações (15,2%), com as vítimas falando do entusiasmo por sua proposta inovadora, disruptiva e revolucionária, acreditando se tratar de uma boa alternativa para diversificar o portfólio.
Sobre o fraudador, metade dos respondentes afirmou conhecê-lo de alguma forma, sendo que 28,1% conhecia o golpista pessoalmente, enquanto 21,9% conhecia, mas não pessoalmente, podendo ser um conhecido de um conhecido. Para 29,8% das vítimas o fraudador era um estranho e outros 9,0% disseram não ter recebido a oferta por terceiros.
Já o meio de divulgação para fraude mais citado foi o aplicativo Whatsapp com 27,5%, seguido pela divulgação boca-a-boca pessoalmente com 19,7%, assim como e-mail e ligação telefônica, ambos citados por 12,4%.
Sobre o valor perdido varia bastante, desde R$ 100 até acima de R$100 mil, mas houve maior concentração de resposta nas faixas entre R$10 a 50 mil com 22,5% e entre R$ 1 mil a 5 mil com 21,3%.
Achei interessante de ver na pesquisa o fator "influência" para cair no golpe, principalmente quando recebem indicação de amigos, influenciadores e youtubers.
Perguntadas as vítimas dos golpes falaram o que as fizeram cair mais fácil nos golpes, sendo que a aparência do site transmitindo confiança (citada por 39,9%), mas também por que outros familiares/amigos já haviam feito o investimento (38,8%), e um "bom" atendimento por parte dos profissionais (35,4%), até pequeno investimento exigido (30,9%), e logicamente desconhecimento da modalidade do golpe (24,7%).
Mas qual o perfil mais comum desta vítima?
Segundo a pesquisa o público que caiu em golpes financeiros é composto majoritariamente de homens com 91%, com idade entre 30 e 39 anos com 36,5% com renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos com 23% e com pós-graduação com 38%.
Aos interessados podem baixar o relatório da CVM em:
A Serasa também fez uma pesquisa sobre o tema em 2022, que me chamou atenção alguns números, que mostram de que 4 em cada 10 brasileiros já caíram ou se envolveram em algum tipo de fraude, sendo as principais a clonagem de cartão e uso do nome e dados em compras, assim como golpes de sites de venda e usando PIX e boletos falsos, com 25% dos casos aconteceram recentemente nos últimos 3 meses, sendo que 60% não conseguiu solucionar e reaver o prejuízo.
A pesquisa mostrou de que quase 60% tem medo de cair em golpes, em especial na clonagem de cartão, mas também na abertura de contas em seu nome e compras com seus dados, até abertura de empresas usando o seu nome.
Podem baixar os resultados desta outra pesquisa em:
Indexação documental: Okai.