Artigo
15/07/2024
Atualizado em 21/04/2026

Gestão de Riscos de Terceiros

A dependência de fornecedores terceirizados amplia eficiências, mas exige governança contínua para reduzir riscos financeiros, reputacionais, legais, regulatórios e operacionais.

Resumo

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Nos tempos modernos, as empresas não operam mais de forma isolada, mas sim cada vez mais dependem de uma rede de fornecedores terceirizados para agregar valor e vantagem competitiva, e temos visto nos últimos anos que o uso de fornecedores terceirizados tem crescido exponencialmente, e muitas empresas passaram a terceirizar funções essenciais para obter eficiências e economias.

Porém, o ponto que queria levantar aqui hoje é que, além destes benefícios e oportunidades, essa prática também expõe ao mesmo tempo as empresas a riscos de alto perfil como nunca antes, e um desafio daqui em diante será fornecer a supervisão adequada a esses terceiros antes que seja tarde demais.

Historicamente, a gestão de riscos de terceiros era uma questão de compras, e o processo era simples, onde o setor de compras identificava potenciais economias com a terceirização, o setor jurídico redigia um contrato, e a relação com o fornecedor raramente era acompanhada de perto.

Mas, infelizmente, esse tradicional modelo simplório já não é mais suficiente, pois as ações dos seus fornecedores têm consequências legais e reputacionais, mesmo que um incidente de segurança ou risco ocorra em outra parte do mundo.

Dito isto, queria comentar sobre algumas novas tendências emergentes que trazem um aumento do risco de terceiros:

  • Aumento de Incidentes Relacionados a Fornecedores: Fornecedores estão causando mais interrupções e os riscos não estão sendo gerenciados adequadamente. Exemplos incluem segurança da informação, privacidade e gestão antifraude.
  • Foco Regulatório no Risco de Fornecedores: Reguladores estão aumentando a pressão sobre as organizações para que melhorem a gestão do risco da cadeia de suprimentos.
  • Pressões da Volatilidade Econômica: As condições econômicas resultam em margens mais apertadas para os fornecedores e aumento do risco de interrupção dos fornecedores.

O panorama de ameaças está em constante evolução e novos riscos surgem regularmente, e podemos dizer que os riscos associados a isto normalmente se enquadram em uma de três categorias, com base em como ameaçam impactar os negócios:

  • Financeiro/Reputacional: O risco de que um terceiro possa danificar sua receita ou reputação. Por exemplo, sua reputação pode ser prejudicada se um fornecedor fornecer um componente defeituoso para seus produtos.
  • Legal e Regulatório: O risco de que um terceiro impacte sua conformidade com leis ou regulamentos. Se um fornecedor violar leis trabalhistas ou ambientais, sua organização ainda pode ser responsabilizada.
  • Operacional: O risco de que um terceiro possa interromper suas operações. Por exemplo, se o fornecedor de software for hackeado, deixando seu sistema inoperante.

Esses tipos de riscos de terceiros podem se sobrepor, onde, por exemplo, uma violação de dados além de ser uma ameaça regulatória, também pode ser operacional.

Uma pesquisa global revelou os riscos mais críticos enfrentados pelas empresas:

  • Interrupção no serviço ao cliente devido a ações de terceiros.
  • Violação de regulamentações ou leis por terceiros.
  • Danos reputacionais.
  • Ruptura na cadeia de suprimentos.
  • Fraude financeira/exposição.
  • Falha na viabilidade financeira de um terceiro, impactando a entrega.

Os riscos começam quando empresas dão acesso a terceiros a suas instalações, redes e dados, muitas vezes com menos cuidado do que com seus próprios funcionários. Se um fornecedor terceirizado é comprometido, a empresa enfrenta consequências financeiras, reputacionais, regulatórias e operacionais. Os clientes e, possivelmente, os tribunais, responsabilizarão a empresa.

Conteúdo do artigo
Gestão de Riscos de Terceiros

Para ter uma ideia do tamanho do problema e como ele é mais comum do que imagina, uma pesquisa global da Deloitte sobre Governança e Gestão de Riscos de Terceiros mostrou que 87% das 170 empresas pesquisadas tiveram um incidente com terceiros que interrompeu suas operações, e 11% experimentaram uma falha completa na relação com o fornecedor, o que mostra a necessidade crescente de mitigar a exposição ao risco antes que seja tarde demais.

Mas como enfrentar este problema? Simples: com uma melhor governança, pois uma governança forte oferece benefícios claros na redução de riscos, como maior transparência, melhor alinhamento à estratégia e conformidade regulatória consistente.

As empresas podem reduzir seu perfil de risco geral de terceiros ao incorporar práticas de gestão de riscos de terceiros em todos os níveis da empresa com:

  • Passar de Nenhuma Governança Formal para uma Abordagem Inteligente Baseada em Riscos: Em vez de assumir riscos para benefícios de curto prazo, alinhar melhor a abordagem de riscos à estratégia da empresa.
  • Evoluir de Funcionários com Pouca Capacitação para Profissionais Treinados e Executivos Campeões: Alinhar a entrega de serviços aos objetivos estratégicos.
  • Desenvolver Processos Padronizados e Tomada de Decisões Proativas Usando Análises: Sair do modo "combate a incêndios" e abordar problemas antes que eles surjam.
  • Criar Ferramentas Personalizadas que Agreguem Valor ao Suporte à Tomada de Decisões.

A gestão de riscos de terceiros é um processo contínuo e preventivo, que traz consigo enormes benefícios em abraçar a empresa estendida, e o ambiente competitivo atual exige isso. A governança forte deve andar de mãos dadas com a mitigação de riscos, melhorando as recompensas e impactando positivamente a reputação e o resultado financeiro.

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Atualizado

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Perguntas e respostas

Por que o modelo tradicional de compras é insuficiente?
Porque contrato e economia inicial não cobrem riscos e mudanças que surgem durante toda a relação.
Quais etapas formam o ciclo de gestão?
Diligência, contratação, onboarding, monitoramento, gestão de mudanças, renovação e saída.
Como análises apoiam decisões proativas?
Agregando dados e alertas para identificar deterioração antes de uma falha ou incidente relevante.
Como priorizar fornecedores para supervisão?
Pela criticidade do serviço, acesso a dados, substituibilidade, concentração e impacto de uma interrupção.
Quais categorias de risco de terceiros são destacadas?
Financeiro e reputacional, legal e regulatório e operacional.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante