Queria comentar hoje, sobre uma iniciativa que implantei em algumas empresas que atuei como responsável pela área de compliance, que deu muito certo e queria compartilhar esta experiência com você, e passar esta dica.
Começo falando de que o compliance empresarial é um dos aspectos mais fundamentais no ambiente corporativo contemporâneo, sendo que sempre bom contar novamente de que a expressão, que deriva do verbo inglês "to comply", significa agir de acordo com uma regra, uma instrução interna, um compromisso, um comando ou um pedido, enfim, "estar em conformidade com" e "cumprir" o que é imposto.
O fortalecimento dessa cultura nas organizações, no entanto, exige um esforço conjunto e a formação de agentes de compliance internos, e aí que entra este novo "personagem": os chamados "agentes de compliance", ou profissionais de conformidade, que são os responsáveis por garantir que uma empresa esteja em conformidade com as leis, regulamentos, políticas internas e códigos de conduta aplicáveis à sua atividade.
O trabalho desses profissionais não apenas protege a empresa de multas e sanções, mas também ajuda a manter uma boa reputação no mercado.
Treinar e designar funcionários da própria área para atuarem como agentes de compliance é uma estratégia altamente eficaz. Esses profissionais, devido à sua familiaridade com o dia a dia e os processos internos, têm uma visão mais aprofundada das necessidades e desafios de compliance da empresa. São eles que podem identificar os principais pontos de risco e ajudar a implementar soluções práticas para garantir a conformidade.
Além disso, esses agentes internos de compliance se tornam pessoas-chave dentro da própria área. Eles servem como uma ponte entre a alta gerência e os demais funcionários, transmitindo e difundindo a cultura de compliance na empresa. Como conhecedores da linguagem e dos processos da área, conseguem comunicar efetivamente as políticas e diretrizes de conformidade, além de promover a aderência a elas.
Outro benefício de se ter agentes de compliance treinados dentro da própria área é a possibilidade de promover um ambiente mais aberto e confiável. Os funcionários tendem a se sentir mais confortáveis ao expressar preocupações e fazer perguntas sobre questões de compliance a um colega de trabalho do que a um supervisor ou a um estranho da área de compliance.
Bom reforçar a importância de estabelecer regras claras e bem definidas dentro de uma empresa para garantir o cumprimento das leis e regulamentos (compliance). Estas regras devem ser documentadas e comunicadas aos colaboradores para evitar desentendimentos e falsas acusações.
Também é crucial considerar a cultura local, as leis municipais, estaduais e federais na criação das regras corporativas. A liderança da empresa deve liderar pelo exemplo para motivar os funcionários a seguir as normas e se tornarem agentes de compliance.
Métodos de avaliação seguros e discretos devem ser estabelecidos para permitir que os colaboradores denunciem práticas antiéticas. Além disso, é importante definir a frequência com que os agentes de compliance devem relatar suas atividades.
A comunicação eficaz é fundamental para garantir que os colaboradores se sintam confortáveis e se tornem promotores do programa de compliance. As técnicas de comunicação, como a realização de entrevistas, apresentações e quizzes, podem ajudar a tornar o tópico mais envolvente e divertido, sem diminuir sua importância.
Transformar os colaboradores em agentes de compliance é um processo contínuo que requer treinamento e educação regulares. A gestão deve promover palestras e treinamentos para garantir que todos compreendam a importância do compliance e estejam dispostos a se engajar com as causas da empresa.
Dito isto, queria agora falar sobre a atuação deste agente, que engloba diversos aspectos, que vão desde a criação e implementação de políticas internas até a formação de funcionários e monitoramento contínuo das atividades da empresa. Vejamos de forma mais detalhada as responsabilidades e atuações desses profissionais:
1) Criação e Implementação de Políticas de Compliance:
O agente de compliance é responsável por desenvolver políticas e procedimentos que garantam que a empresa esteja em conformidade com todas as leis e regulamentos aplicáveis.
Por exemplo, numa empresa do setor financeiro, o agente de compliance pode ser encarregado de desenvolver políticas que cumpram as regulamentações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Bacen.
2) Formação e Treinamento:
Uma das responsabilidades do agente de compliance é educar e treinar os funcionários sobre a importância da conformidade e como cumpri-la.
Por exemplo, eles podem realizar sessões de treinamento sobre a política anti-suborno da empresa, explicando quais ações são consideradas subornos e quais são as consequências para a empresa e para o indivíduo em caso de violação.
3) Monitoramento e Auditoria:
Os agentes de compliance são responsáveis por monitorar regularmente as atividades da empresa para garantir que as políticas de conformidade estejam sendo seguidas. Eles também realizam auditorias internas para identificar possíveis áreas de risco.
Por exemplo, o agente de compliance pode realizar uma auditoria para verificar se a empresa está em conformidade com as regulamentações socioambientais.
4) Investigação de Violações:
Quando há suspeitas de violações às políticas de compliance, cabe ao agente de compliance investigar a situação.
Por exemplo, se houver suspeita de que um funcionário está realizando práticas anticoncorrenciais, o agente de compliance irá investigar e tomar as medidas necessárias para resolver a situação.
5) Relacionamento com Reguladores:
O agente de compliance também pode ser o ponto de contato entre a empresa e os órgãos reguladores. Eles devem estar preparados para fornecer toda a documentação necessária e responder a quaisquer perguntas que possam surgir durante uma auditoria externa.
6) Gestão de Riscos:
O agente de compliance deve identificar possíveis riscos que possam afetar a conformidade da empresa e propor medidas para mitigá-los.
Por exemplo, eles podem realizar uma análise de risco para identificar se a empresa está vulnerável a violações de dados e propor soluções para fortalecer a segurança da informação.
Os agentes de compliance enfrentam uma série de desafios práticos em suas áreas. Aqui estão alguns dos mais comuns:
1) Manter-se atualizado com as mudanças regulatórias:
As leis e regulamentações estão sempre em constante mudança, e manter-se atualizado pode ser um desafio.
2) Conscientização e envolvimento dos funcionários:
Fazer com que todos os funcionários entendam a importância do compliance e se comprometam com ele pode ser difícil.
3) Dificuldade na implementação de políticas de compliance:
Implementar novas políticas pode ser desafiador, especialmente em empresas grandes com diversas áreas e setores.
4) Detectar e gerenciar riscos:
Identificar possíveis riscos de compliance pode ser complexo, especialmente em indústrias altamente regulamentadas.
5) Gestão de violações de compliance:
Tratar adequadamente as violações quando ocorrem é essencial, mas pode ser um desafio delicado.
Além disso, existem erros comuns cometidos por profissionais de compliance como:
1) Não personalizar políticas de compliance para a empresa:
Cada empresa tem suas próprias necessidades e desafios de compliance. Uma abordagem padronizada pode não ser eficaz.
2) Falta de treinamento regular:
O treinamento de compliance não deve ser um evento único. Deve ser atualizado e repetido regularmente.
3) Não envolver a alta administração:
O compromisso da alta administração com o compliance é fundamental para o sucesso do programa.
Segue abaixo também algumas dicas para uma implementação bem-sucedida de um programa de agentes de compliance como:
1) Compromisso da liderança:
O envolvimento ativo da liderança da empresa é crucial. Eles devem demonstrar um compromisso claro com o compliance.
2) Treinamento e conscientização:
Os funcionários devem ser treinados regularmente sobre as políticas de compliance e entender por que elas são importantes.
3) Personalização:
O programa de compliance deve ser adaptado às necessidades específicas da empresa e às leis e regulamentações aplicáveis à sua indústria.
4) Comunicação eficaz:
As políticas de compliance devem ser comunicadas de maneira clara e eficaz a todos os funcionários.
5) Monitoramento contínuo:
A conformidade deve ser monitorada regularmente para identificar e corrigir rapidamente quaisquer problemas.
6) Canais de denúncia:
É necessário estabelecer canais seguros e anônimos para os funcionários reportarem suspeitas de violações de compliance.
Por fim, é importante lembrar que o compliance não é uma tarefa única, mas um processo contínuo que requer compromisso e vigilância constantes.
E como podemos ver acima, a implementação de agentes de compliance internos é, portanto, um passo significativo no fortalecimento da cultura de conformidade de uma empresa. Através dessa estratégia, as empresas podem minimizar riscos, melhorar a eficiência operacional e, em última análise, proteger sua reputação.
Material organizado pela Okai.