Não poderia ser mais oportuno, até mesmo diante da divulgação na semana passada de uma lista atualizada de credores da Americanas, onde foram incluídos a Goldman e o BofA, com valores bem altos relativos aos derivativos que eles tinham com ela, que o Bacen tenha soltado uma nova resolução de número 291, que modifica exatamente o cálculo da parcela dos ativos ponderados pelo risco (RWA) relativa às exposições ao risco de variação do valor dos instrumentos financeiros derivativos em decorrência da variação da qualidade creditícia da contraparte (RWACVA).
Para os que não são familiarizados, esta tal parcela dos ativos ponderados pelo risco (RWA) é nada mais do que uma medida utilizada pelo Banco Central para avaliar a exposição de uma instituição financeira a diferentes tipos de risco, entre elas está relacionada à exposição ao risco de variação do valor dos instrumentos financeiros derivativos em decorrência da variação da qualidade creditícia da contraparte (RWACVA), que no fundo é usada para medir o risco de crédito associado a essas exposições.
O risco de variação do valor dos instrumentos financeiros derivativos em função da variação da qualidade creditícia da contraparte é geralmente calculado como o valor esperado de perda futura devido a uma inadimplência da contraparte. Esse cálculo pode incluir uma avaliação da probabilidade de inadimplência da contraparte, da recuperação dos ativos garantidos em caso de inadimplência, e da exposição ao risco de variação do valor dos instrumentos financeiros derivativos.
Algumas instituições financeiras usam modelos quantitativos para estimar o risco de crédito de contrapartes específicas, utilizando dados históricos de inadimplência e notações de crédito fornecidas por agências de classificação de risco. Outras instituições podem basear sua avaliação do risco de crédito em uma avaliação subjetiva da situação financeira da contraparte, incluindo informações sobre sua situação econômica e financeira e sobre sua capacidade de honrar suas obrigações financeiras.
Em geral, a avaliação da qualidade creditícia da contraparte é revisada periodicamente e o risco de variação do valor dos instrumentos financeiros derivativos é reavaliado com base nas informações atualizadas todos os dias. Fundamental o cuidado com a qualidade dos modelos quantitativos utilizados e a precisão das informações disponíveis sobre a situação financeira da contrapante.
O cálculo da RWACVA é baseado então nesta avaliação dos possíveis desfechos futuros, levando em conta a evolução das condições de mercado e o comportamento da contraparte. A RWACVA é determinada como o valor presente das perdas futuras estimadas em caso de inadimplência da contraparte, descontadas a uma taxa de juros apropriada.
Em resumo, o cálculo da RWACVA é uma parte importante da gestão de riscos em instituições financeiras, ajudando a garantir que as instituições estejam devidamente preparadas para eventuais perdas futuras associadas a exposições ao risco de variação do valor dos instrumentos financeiros derivativos.
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