Artigo
08/09/2024
Atualizado em 02/05/2026

Relatório do Bacen sobre Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos

A agenda de sustentabilidade do Banco Central integra governança, riscos climáticos, cidadania financeira, inovação e finanças sustentáveis à resiliência do sistema financeiro nacional.

Resumo

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Queria comentar hoje sobre o recente Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos (RIS) do Banco Central do Brasil, em sua quarta edição divulgado há poucos dias, que apresenta uma análise profunda das ações realizadas pela instituição entre julho de 2023 e junho de 2024.

O relatório destaca a gestão dos riscos e oportunidades relacionados a questões sociais, ambientais e climáticas, refletindo o compromisso do BC com a sustentabilidade e a resiliência do sistema financeiro nacional (SFN).

Baseado nas orientações do World Economic Forum e da International Sustainability Standards Board (ISSB), este relatório traz informações em quatro pilares principais: Governança, Planeta, Pessoas e Prosperidade, além de um capítulo dedicado às Perspectivas futuras.

Queria então falar abaixo sobre os pontos que mais me chamaram atenção em cada um desses pilares, tentando abordar de forma abrangente os esforços do BC na promoção de um sistema financeiro sólido e sustentável.

1) Governança: Estrutura, Estratégia e Integridade:

O capítulo Governança do relatório enfatiza o compromisso do Bacen com a integração dos princípios de sustentabilidade em suas estratégias e na gestão dos riscos corporativos.

A missão institucional do Bacen que é garantir a estabilidade do poder de compra da moeda, promover um sistema financeiro sólido, eficiente e competitivo, e fomentar o bem-estar econômico, é a base das ações voltadas para a inclusão dos fatores sociais, ambientais e climáticos nas políticas da instituição.

Propósito e Estratégia

O propósito do Bacen conforme descrito no relatório, é promover a estabilidade financeira e econômica do Brasil, garantindo que as políticas monetárias e de gestão de reservas sejam sustentáveis no longo prazo.

A Agenda BC#, que orienta as ações estratégicas do Bacen, possui uma dimensão dedicada à Sustentabilidade, visando incorporar práticas de gestão de riscos sociais, ambientais e climáticos. A estrutura da Agenda BC# reflete o esforço contínuo da instituição para democratizar o acesso a serviços financeiros, reduzir o custo do crédito e aumentar a eficiência do SFN, tudo isso sob a ótica da responsabilidade socioambiental.

O relatório destaca a importância de integrar a sustentabilidade na estratégia de longo prazo da instituição. As iniciativas nessa área visam garantir que o BC esteja alinhado às melhores práticas internacionais, como as orientações da FSB Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) e as diretrizes do Network for Greening the Financial System (NGFS), das quais o Bacen é signatário.

Estrutura, Políticas e Integridade

A estrutura de governança do Bacen é composta pela Diretoria Colegiada, que é responsável por definir e implementar as políticas da instituição. O Comitê de Governança, Riscos e Controles (GRC) desempenha um papel crucial na supervisão dos riscos sociais, ambientais e climáticos, assegurando que esses fatores sejam integrados nas políticas corporativas e de gestão de riscos. O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) também tem um papel fundamental ao garantir a solidez e a resiliência do sistema financeiro diante de eventos climáticos e sociais adversos.

Uma das principais políticas destacadas é a Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática (PRSAC-BC), que estabelece diretrizes para que o BC conduza suas atividades de forma sustentável, tanto interna quanto externamente. O relatório também menciona a Política de Conformidade (Compliance), atualizada em 2024, que reforça a adesão a elevados padrões éticos e de integridade, promovendo a transparência e a prevenção de fraudes e corrupção dentro da instituição.

Gestão Integrada de Riscos Corporativos

A gestão integrada de riscos corporativos é uma das áreas de maior foco do Bacen. Com base no Enterprise Risk Management (ERM), o Bacen adota uma abordagem abrangente, considerando a inter-relação entre diferentes tipos de riscos.

O Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos destaca a importância de considerar os riscos climáticos e sociais nas decisões estratégicas da instituição. A matriz de riscos estratégicos do Bacen identifica, avalia e prioriza os riscos, permitindo que a alta administração tome decisões informadas para mitigar os efeitos desses riscos no sistema financeiro.

Um dos pontos-chave levantados no relatório é o impacto dos riscos climáticos sobre a estabilidade financeira. Eventos como as enchentes no Rio Grande do Sul e o desastre de Mariana evidenciam a necessidade de o Bacen estar preparado para responder a esses choques.

O relatório também aponta que a falta de recursos humanos e financeiros para conduzir novos estudos sobre o impacto dos riscos climáticos pode representar uma vulnerabilidade para o Bacen, e, portanto, a instituição está buscando fortalecer suas capacidades nesse campo.

2) Planeta: Mudanças Climáticas e a Economia:

O capítulo Planeta foca no gerenciamento dos riscos resultantes das mudanças climáticas e suas implicações para a economia e o SFN. O Bacen está profundamente comprometido em mitigar os impactos econômicos de eventos climáticos adversos e em promover práticas sustentáveis no setor financeiro.

Impactos Econômicos e Financeiros dos Desastres Climáticos

O relatório discute os impactos econômicos e financeiros de tragédias climáticas como as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul e o desastre de Mariana, demonstrando que eventos climáticos severos podem ter efeitos duradouros sobre a economia nacional. Esses eventos afetam diretamente o custo de alimentos e energia, o que, por sua vez, pode gerar pressões inflacionárias e comprometer a estabilidade financeira.

O Bacen está desenvolvendo modelos macroeconômicos capazes de lidar com essas questões, integrando variáveis climáticas nas suas simulações de política monetária. Essas simulações são essenciais para que o Bacen possa antecipar e mitigar os efeitos das mudanças climáticas na economia, ajustando suas políticas de acordo.

Gestão das Reservas Internacionais e Sustentabilidade

A gestão das reservas internacionais também é abordada com ênfase no alinhamento às recomendações da TCFD. O relatório destaca que o Bacen incorporou métricas de sustentabilidade na gestão das reservas, visando minimizar os riscos climáticos associados ao portfólio de investimentos internacionais. Isso reforça o compromisso da instituição em promover uma governança ambientalmente responsável e resiliente.

Emissões de Gases de Efeito Estufa e Sustentabilidade Interna

Outro ponto abordado é a redução das emissões de gases de efeito estufa geradas pelas operações do Bacen. O relatório traz informações detalhadas sobre as iniciativas voltadas para a diminuição do impacto ambiental das atividades da instituição, como a diminuição da emissão de papel moeda com a adoção do Pix, a implementação de coleta seletiva nos prédios da instituição e o incentivo ao uso de bicicletas.

3) Pessoas: Cidadania Financeira e Bem-Estar Organizacional:

No capítulo Pessoas, o relatório destaca as ações do Bacen para a promoção da cidadania financeira e o fortalecimento das políticas de diversidade, aprendizado e bem-estar no ambiente de trabalho.

Cidadania Financeira

Uma das iniciativas de destaque é o programa Aprender Valor, que busca promover a educação financeira entre estudantes do ensino fundamental de escolas públicas. O relatório menciona os avanços obtidos em 2023, com uma melhora significativa no letramento financeiro dos estudantes. Esse programa está alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, que promove a educação de qualidade e a aprendizagem ao longo da vida.

Diversidade, Aprendizado e Bem-Estar

O Bacen também está focado em promover um ambiente de trabalho inclusivo e diverso. O relatório menciona o Programa de Diversidade, Equidade e Inclusão, que está em desenvolvimento, e ações voltadas para o bem-estar dos funcionários, como políticas de qualidade de vida no trabalho. O Bacen reconhece que um ambiente de trabalho saudável é fundamental para manter a eficiência e a inovação dentro da instituição.

4) Prosperidade: Inovação e Inclusão Financeira:

O capítulo Prosperidade discute as iniciativas do Bacen voltadas para a inovação e a inclusão financeira, com destaque para o papel do Pix e do Open Finance na transformação do sistema financeiro brasileiro.

Inclusão Financeira e Competitividade

O relatório destaca que o Pix, lançado pelo Bacen, tem sido uma ferramenta fundamental para promover a inclusão financeira, especialmente entre microempreendedores e pequenas empresas. O Pix facilitou as operações financeiras diárias para esses grupos, melhorando sua capacidade de competir no mercado. Além disso, o Open Finance está sendo implementado para aumentar a transparência e a concorrência no SFN, permitindo que os consumidores tenham maior controle sobre suas informações financeiras e acessem serviços de forma mais eficiente.

Instrumentos Financeiros Sustentáveis

O uso de títulos sustentáveis é uma das oportunidades destacadas no relatório. O Bacen reconhece o potencial desses instrumentos para direcionar investimentos a projetos que gerem impactos positivos ao meio ambiente e à sociedade. Os títulos verdes e os títulos sociais são vistos como ferramentas eficazes para promover o desenvolvimento sustentável, com o Bacen trabalhando para aprimorar a regulamentação e aumentar a transparência nesse setor.

5) Perspectivas: Iniciativas Futuras:

O capítulo final do relatório, Perspectivas, apresenta as iniciativas que estão em andamento e que têm conclusão prevista para o futuro próximo. O destaque vai para o desenvolvimento da Taxonomia Sustentável Brasileira, que visa a combater o greenwashing e criar uma estrutura clara para classificar investimentos sustentáveis. Essa taxonomia será um marco importante para o desenvolvimento das finanças sustentáveis no Brasil, facilitando o alinhamento entre investidores e projetos que promovam impactos positivos para o meio ambiente.

Outras iniciativas importantes incluem a conclusão de ações voltadas à educação financeira, o fortalecimento da regulação e supervisão das instituições financeiras, e a implementação de critérios de sustentabilidade nos processos de aquisição do Bacen.

Pelo que vimos acima este Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos do Bacen é uma demonstração clara do compromisso da instituição em liderar a agenda de sustentabilidade no Brasil. As ações descritas no relatório mostram claramente que o Bacen está se adaptando às demandas globais por maior responsabilidade social e ambiental, ao mesmo tempo em que fortalece a resiliência do sistema financeiro nacional.

Indexação documental: Okai.
As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.
Atualizado

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Perguntas e respostas

Qual é a função das perspectivas futuras?
Indicar prioridades de capacidade, estudos, supervisão e integração de sustentabilidade às decisões do Banco Central.
Como o pilar Pessoas contribui para a agenda?
Por iniciativas de cidadania, inclusão e acesso responsável a serviços financeiros.
Por que riscos climáticos importam para a estabilidade financeira?
Eventos extremos afetam preços, atividade, crédito, seguros, inadimplência e capacidade de instituições absorverem perdas.
Quais pilares estruturam o relatório do Banco Central?
Governança, Planeta, Pessoas e Prosperidade, acompanhados de perspectivas para ações futuras.
Como sustentabilidade entra na governança institucional?
Ela é incorporada à estratégia, aos comitês, às políticas e à gestão integrada dos riscos corporativos.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante