A profissão de gestão de riscos está entrando em uma nova fase de maturidade, impulsionada pela expansão do papel dos profissionais de gestão de riscos, que agora enfrentam um ambiente de riscos cada vez mais complexo e interconectado, onde tradicionalmente focados em apenas mitigar riscos, os gestores de riscos evoluíram para uma função estratégica dentro das empresas, desempenhando um papel essencial na formulação e execução da estratégia corporativa.
Gosto sempre de acompanhar o resultado de pesquisas da área, até para nos dar um panorama e fazer um benchmark para ver como nossas empresas estão, por isto mesmo queria comentar sobre um recente estudo com o nome de: "Global Risk Manager Survey 2024", produzido pela FERMA | Federation of European Risk Management Associations em parceria com a PwC.
A pesquisa de 2024 é a primeira edição global do estudo, abrangendo mais de 1.000 participantes de 77 países, e pela primeira vez incluiu a colaboração de associações de gestão de riscos de fora da Europa, como a RIMS (Risk and Insurance Management Society, Inc.) nos Estados Unidos, PARIMA na Ásia, a RMIA - Risk Management Institute of Australasia na Austrália, a Alarys na América Latina, a Institute of Risk Management South Africa - IRMSA na África do Sul e o Club Francophone du Management des Risques et des Assurances para gestores de riscos de língua francesa. Este escopo global oferece uma visão abrangente e profunda das práticas e tendências de gestão de riscos em diferentes mercados e setores.
Um dos principais conclusões da pesquisa foi a necessidade de gerir múltiplos horizontes de tempo para os riscos, onde por exemplo no curto prazo, com horizonte de 12 meses, os riscos mais preocupantes para as empresas incluem ataques cibernéticos, incertezas geopolíticas, crescimento econômico incerto, gestão de talentos e violações de dados. À medida que o horizonte se estende para três anos, as prioridades mudam para regulamentações e a velocidade das mudanças tecnológicas, refletindo a rápida evolução dos requisitos legais e das inovações disruptivas. Já no longo prazo, com foco em 10 anos, o estudo destaca um foco exclusivo nos riscos ambientais, como adaptação às mudanças climáticas, transição para a neutralidade de carbono e desastres naturais. Esses achados indicam que as empresas precisam equilibrar a gestão de riscos em diferentes prazos para garantir resiliência e continuidade dos negócios.
Outro ponto central da pesquisa é a crescente integração da gestão de riscos com a sustentabilidade e as práticas de ESG (Environmental, Social & Governance). O papel dos gestores de riscos na avaliação de riscos relacionados ao ESG aumentou substancialmente, com 57% dos respondentes relatando envolvimento direto na gestão desses riscos, um aumento de 22% em relação a 2022. Isso reflete o alinhamento cada vez maior entre sustentabilidade e gestão de riscos, à medida que as empresas buscam não apenas mitigar ameaças, mas também capturar oportunidades estratégicas relacionadas a práticas mais éticas e sustentáveis. Contudo, 58% dos participantes afirmaram que a quantificação dos riscos de sustentabilidade continua sendo o maior desafio, principalmente devido à falta de dados disponíveis, o que limita a capacidade de monitorar e avaliar o impacto desses riscos com precisão.
A pesquisa também revelou uma crescente participação dos gestores de riscos nos níveis mais altos de governança corporativa. Comparado com 2022, um número significativamente maior de gestores de riscos agora faz parte ou participa de comitês de diretoria e executivos, com quase 50% dos gestores integrando esses comitês em caráter permanente ou convidado. Esse aumento demonstra a importância da função de gestão de riscos na tomada de decisões estratégicas, especialmente em tempos de "policrise", onde riscos interconectados exigem uma abordagem coordenada e estratégica.
O estudo também destaca o papel crescente da digitalização no fortalecimento das capacidades dos gestores de riscos. A pesquisa aponta que 77% dos participantes utilizam tecnologias para a identificação e avaliação de riscos, sendo que a visualização interativa de mapas de riscos mais que dobrou, passando de 33% em 2022 para 71% em 2024. A adoção de inteligência artificial (IA) também está em crescimento, com 13% dos gestores de riscos utilizando IA para atividades de gestão de riscos empresariais (ERM), um aumento de 4% em relação a 2022. Essa transformação digital permite que os gestores de riscos usem ferramentas mais sofisticadas para quantificar riscos emergentes e monitorar ameaças em tempo real, além de otimizar a eficiência operacional e apoiar a tomada de decisões baseada em dados.
Em termos de maturidade dos modelos de gestão de riscos, o relatório revela que 50% dos participantes afirmam que suas organizações realizam avaliações anuais de riscos, que incluem a identificação de riscos emergentes e monitoramento específico dos riscos-chave. No entanto, ainda há espaço para melhorias, especialmente no que diz respeito à correlação entre riscos e à quantificação detalhada dos principais riscos. Apenas 35% dos gestores relataram ter uma estrutura abrangente de apetite ao risco em vigor, sugerindo que muitas empresas ainda estão aprimorando suas abordagens para vincular riscos a métricas quantitativas e qualitativas.
De modo geral a pesquisa destaca que o papel do gestor de riscos está passando por uma transformação significativa, com os profissionais da área assumindo mais responsabilidades estratégicas e se integrando mais profundamente à estrutura de governança corporativa, enquanto gerenciam uma gama cada vez mais diversificada e interconectada de riscos. À medida que as empresas enfrentam um ambiente global de incertezas, a gestão de riscos está se consolidando como uma função essencial para garantir a resiliência, a sustentabilidade e o sucesso a longo prazo.
Feita esta introdução, queira entrar em mais detalhes da pesquisa, e trazer pontos que me chamaram mais atenção, que acho que merecem destaque para que coloque no seu radar também, tais como:
Integração do Risco na Estratégia e a Governança do Risco Crescendo:
A pesquisa revela que os gestores de riscos estão se consolidando como peças fundamentais na estrutura corporativa, com 91% dos participantes relatando envolvimento direto com a estratégia corporativa, sendo que 70% estão focados em respostas estratégicas a riscos e 53% dedicam-se à análise de riscos de sustentabilidade. Isso evidencia o crescimento da função dos gestores de riscos, que não apenas protegem a empresa contra ameaças, mas também exploram oportunidades estratégicas de mitigação de riscos.
A crescente presença dos gestores de riscos em comitês estratégicos também demonstra a importância do papel desses profissionais nas discussões de alto nível. Cerca de 46% dos gestores participam de comitês de diretoria e 43% em comitês de auditoria, enquanto 66% dos participantes afirmaram que sua empresa possui um comitê de risco dedicado ou integrado ao comitê de auditoria. Isso indica que, cada vez mais, as empresas estão formalizando a governança de risco em todos os níveis, incluindo um enfoque específico em ESG e inovação.
Riscos no Tempo:
Os resultados da pesquisa destacam a evolução dos riscos em três diferentes horizontes temporais: curto, médio e longo prazo. Essa análise detalhada de riscos em diferentes prazos permite que as empresas estabeleçam estratégias dinâmicas e específicas para cada cenário.
- Curto Prazo: Próximos 12 meses: Os principais riscos identificados pelos participantes foram ataques cibernéticos, incertezas geopolíticas, crescimento econômico incerto, gestão de talentos e violação de dados. Estes riscos refletem o atual ambiente global de instabilidade, impulsionado pela intensificação de tensões como a guerra entre Rússia e Ucrânia e o conflito Israel-Palestina, além do aumento da complexidade dos ataques cibernéticos em ambientes híbridos de trabalho. Estatisticamente, os ataques cibernéticos permanecem no topo dos riscos em todos os setores, e 51% dos participantes de serviços financeiros colocaram a regulamentação entre os cinco maiores riscos no curto prazo.
- Médio Prazo: Próximos 3 anos: Os principais riscos incluem regulamentação, incertezas geopolíticas e a velocidade das mudanças tecnológicas. A regulamentação aparece em destaque, especialmente em setores fortemente regulados como o financeiro, que continua a enfrentar pressões relacionadas a conformidade, privacidade de dados e medidas contra lavagem de dinheiro. No âmbito geopolítico, os gestores de riscos estão preocupados com o impacto de conflitos prolongados, as sanções econômicas e os efeitos indiretos que estas tensões podem ter sobre cadeias de suprimentos globais e políticas de comércio exterior.
- Longo Prazo: Próximos 10 anos: A pesquisa mostra que as preocupações ambientais dominam o horizonte de longo prazo, com foco em adaptação às mudanças climáticas, transição para a neutralidade de carbono e desastres naturais. Isso reflete uma crescente conscientização de que os impactos das mudanças climáticas se tornarão mais agudos ao longo da próxima década, exigindo das empresas a implementação de análises de cenários e planejamento de longo prazo para gerenciar riscos ambientais. Entre os participantes da pesquisa, 35% citaram a adaptação às mudanças climáticas como o risco mais crítico a ser enfrentado nos próximos 10 anos, destacando a crescente prioridade dada à sustentabilidade.
Integração dos Gestores de Riscos com a Sustentabilidade (ESG):
Um dos resultados mais marcantes da pesquisa é o envolvimento crescente dos gestores de riscos em iniciativas de sustentabilidade e ESG. 57% dos participantes estão envolvidos na avaliação de riscos relacionados ao ESG, representando um aumento significativo em relação aos 35% reportados na pesquisa anterior. O aumento desse envolvimento reflete a pressão regulatória e de mercado para que as empresas integrem riscos ambientais e sociais em suas estratégias de gestão.
Entre os desafios identificados, a dificuldade de quantificar riscos de sustentabilidade continua a ser um dos mais prementes, com 58% dos participantes citando a falta de dados como o principal obstáculo para integrar ESG no processo de gestão de riscos. Este problema é especialmente relevante em relação a riscos climáticos e à transição para a neutralidade de carbono, que exigem uma abordagem baseada em dados robustos para avaliar o impacto financeiro e operacional dessas questões.
Além disso, 60% das empresas já realizam mapeamento de riscos dedicados a Direitos Humanos e 70% conduzem avaliações de risco relacionadas à transição para a neutralidade de carbono. Estes dados indicam uma tendência crescente de integração de questões sociais e ambientais nas práticas corporativas, uma evolução necessária para atender às crescentes demandas de regulamentações como o TCFD e a CSRD na Europa.
Transformação Digital e Uso de Novas Tecnologias:
A digitalização e o uso de tecnologias emergentes estão moldando a forma como os gestores de riscos desempenham suas funções. A pesquisa revela que 89% dos gestores de riscos já estão envolvidos na gestão de riscos relacionados à IA, focando principalmente em monitoramento regulatório e na implementação de políticas internas de uso de IA.
As ferramentas tecnológicas, como inteligência artificial generativa, blockchain, internet das coisas e automação de processos, têm sido amplamente adotadas para fortalecer as atividades de gestão de riscos, mas permanecem desafios significativos. 50% dos participantes relataram que o alto custo de implementação dessas tecnologias é uma barreira importante, enquanto 36% indicaram que há uma percepção limitada sobre o valor agregado dessas ferramentas. Apesar dessas dificuldades, 43% dos gestores de riscos já utilizam indicadores chave de risco (KRIs) baseados em dados internos e externos para monitorar riscos, o que reflete um aumento na maturidade das práticas de monitoramento de riscos digitais.
Condições de Mercado e Estratégias de Transferência de Riscos:
O mercado de seguros global continua a enfrentar desafios, com 42% dos gestores de seguros observando uma redução na cobertura para catástrofes naturais, tornando certas atividades ou locais potencialmente não seguráveis no futuro. Em resposta a esse ambiente, 62% dos participantes afirmaram que a retenção de riscos é a principal estratégia de financiamento, seguida pelo uso de veículos de autoseguro, como as cativas, que já são usadas por 35% dos gestores, com 17% considerando a criação de novos veículos de cativas.
Outra tendência importante observada foi o crescimento do uso de seguros paramétricos, citados por 19% dos gestores, refletindo a busca por soluções de transferência de risco mais inovadoras e flexíveis diante da complexidade dos riscos emergentes.
Maturidade do Modelo de Gestão de Riscos:
A maturidade dos modelos de gestão de riscos varia consideravelmente entre as empresas. 50% dos participantes relataram realizar uma avaliação de riscos anual abrangente, que inclui a identificação de riscos emergentes e o monitoramento específico de riscos-chave. No entanto, 25% dos gestores ainda utilizam indicadores chave de risco (KRIs) apenas para monitorar os principais riscos, o que destaca a necessidade de maior integração de dados em tempo real e dashboards interativos para uma gestão de riscos mais dinâmica.
Além disso, 40% dos participantes indicaram que utilizam tanto métricas qualitativas quanto quantitativas em seus processos de avaliação de riscos, mas apenas 12% possuem uma abordagem abrangente que considera correlações entre os riscos, evidenciando a necessidade de maior sofisticação nos métodos de avaliação e quantificação.
Desafios na Cultura de Riscos:
A pesquisa revela que 26% das empresas possuem uma cultura de riscos bem estabelecida, com processos estruturados de engajamento e monitoramento. Contudo, o fortalecimento dessa cultura ainda enfrenta desafios, especialmente relacionados ao "tom vindo de cima", onde apenas 22% das empresas relataram um forte apoio da alta administração na promoção da cultura de riscos.
Além disso, 19% dos participantes relataram que as campanhas anuais de avaliação de riscos são o principal meio de melhorar a cultura de riscos dentro das empresas, sugerindo que a comunicação e o treinamento ainda são focados em períodos específicos, em vez de serem uma prática contínua.
Desenvolvimento de Estratégias de Riscos:
A capacidade dos gestores de riscos em responder a ameaças emergentes e integrar novas práticas em suas estratégias de longo prazo é essencial para garantir a resiliência das empresas. A pesquisa demonstrou que 91% dos gestores de riscos estão envolvidos de forma plena ou parcial na estratégia corporativa de suas empresas, com foco no desenvolvimento de respostas estratégicas a riscos. Esse envolvimento inclui a identificação de oportunidades dentro de cenários de risco, um aumento de 47% em relação à pesquisa anterior, o que sugere um amadurecimento na visão dos riscos não apenas como ameaças, mas também como possíveis fontes de vantagem competitiva.
O foco na transformação digital é outro ponto relevante, com 32% dos gestores de riscos participando ativamente das iniciativas de transformação digital das empresas, e 20% analisando os impactos da IA. Este dado ressalta a crescente interseção entre gestão de riscos e inovação tecnológica, especialmente no que diz respeito ao uso de inteligência artificial generativa e tecnologias avançadas para prever e mitigar riscos.
Futuras Áreas de Investimento:
Nos próximos anos, os gestores de riscos pretendem concentrar seus investimentos em três áreas principais: a integração entre gestão de riscos e ESG, o uso de novas ferramentas de gestão de riscos e o fortalecimento da cultura de riscos. Isso reflete um esforço coordenado para alinhar a gestão de riscos às metas de sustentabilidade das empresas e garantir que os novos desafios ambientais e sociais sejam tratados com a devida importância.
46% dos gestores planejam investir na integração entre ESG e gestão de riscos nos próximos dois anos, enquanto 42% pretendem focar no fortalecimento da resiliência e na mitigação de riscos. A longo prazo, os investimentos estarão direcionados para o planejamento baseado em riscos para garantir que as empresas estejam alinhadas às suas estratégias de negócios e apetite ao risco. A ênfase na cultura de riscos também se destaca, com 36% dos gestores planejando melhorar os processos de treinamento e engajamento dos funcionários em todos os níveis organizacionais.
Implicações para o Futuro:
Os resultados do FERMA Global Risk Manager Survey Report 2024 indicam uma clara evolução na forma como os riscos são percebidos e geridos dentro das organizações. O papel do gestor de riscos está se tornando cada vez mais estratégico, com maior envolvimento na formulação de políticas corporativas e na condução de iniciativas de ESG e transformação digital.
As empresas que priorizam a integração de ferramentas tecnológicas avançadas e processos de quantificação de riscos robustos terão uma vantagem competitiva significativa. Além disso, o foco na gestão de riscos de sustentabilidade e no fortalecimento da cultura de riscos será crucial para atender às demandas regulatórias e de mercado nos próximos anos.
Em suma, o relatório enfatiza que os gestores de riscos, ao colaborarem com as áreas de ESG, tecnologia e estratégia corporativa, estão ajudando a criar empresas mais resilientes, preparadas e competitivas em um ambiente global cada vez mais incerto e volátil. Este novo papel estratégico, que vai além da mitigação de ameaças, transforma os gestores de riscos em agentes de mudança dentro das empresas, capazes de guiar as organizações em direção a uma governança de risco mais eficaz e adaptada aos desafios emergentes.
Desafios e Oportunidades para os Gestores de Riscos:
E como sempre gosto de trazer, os gestores de riscos enfrentam um conjunto cada vez mais complexo de desafios, mas também consigo uma variedade de oportunidades para desempenhar um papel estratégico dentro das empresas. A pesquisa destacou vários desafios críticos, muitos dos quais estão relacionados à transformação tecnológica e à necessidade de uma governança ambiental mais eficaz.
- Desafios Tecnológicos:
A pesquisa mostra que 40% dos gestores de riscos utilizam uma combinação de métricas qualitativas e quantitativas para avaliar os riscos, mas apenas 12% das empresas realizam a quantificação de riscos com uma abordagem integrada que considera correlações entre os riscos. Isso sugere que muitas empresas ainda não possuem uma abordagem madura para o uso de tecnologias avançadas na gestão de riscos. A lacuna no uso de ferramentas tecnológicas e dados avançados cria desafios tanto para a quantificação dos riscos quanto para a previsão de cenários futuros.
O uso da inteligência artificial é um exemplo claro de como as empresas estão começando a se adaptar a novos desafios, mas a adoção plena dessas tecnologias exige um entendimento mais profundo sobre como modelar, mitigar e prever riscos relacionados à IA e outras inovações tecnológicas. A falta de percepção do valor agregado por parte da alta direção também foi mencionada por 36% dos participantes, o que indica a necessidade de educar as lideranças sobre os benefícios do uso de tecnologias emergentes na gestão de riscos.
- Desafios Ambientais e ESG:
Embora a pesquisa tenha mostrado que 57% dos gestores de riscos estão envolvidos na avaliação de riscos ESG, as dificuldades de quantificação permanecem um obstáculo, principalmente devido à escassez de dados precisos sobre impactos ambientais e sociais. Este problema é ainda mais acentuado em riscos climáticos, onde a falta de dados históricos confiáveis e a complexidade dos modelos climáticos tornam difícil para as empresas prever os impactos financeiros a longo prazo.
Além disso, 60% das empresas ainda estão em fase inicial de implementação de mapas de risco relacionados à neutralidade de carbono, e 26% dos participantes afirmaram que as dificuldades para quantificar riscos de sustentabilidade são seu maior desafio na integração ESG. Para lidar com esses desafios, as empresas precisarão investir mais em coleta de dados e ferramentas analíticas para melhorar a visibilidade dos riscos relacionados à sustentabilidade e adaptar suas operações a normas regulatórias em constante evolução, como o TCFD (Task Force on Climate-Related Financial Disclosures).
- Oportunidades:
Apesar dos desafios, a pesquisa também revelou diversas oportunidades para os gestores de riscos consolidarem seu papel nas empresas:
Integração de ESG e Sustentabilidade: A crescente pressão por regulamentações ambientais e sociais oferece uma oportunidade única para os gestores de riscos liderarem a adaptação estratégica das empresas. A colaboração com especialistas em ESG está crescendo, e a pesquisa mostrou que 44% dos gestores de riscos já colaboram regularmente com equipes de ESG, sinalizando uma integração cada vez mais próxima entre essas funções.
Exploração de Oportunidades Estratégicas: A pesquisa também demonstrou que 47% dos gestores de riscos agora trabalham na identificação de oportunidades estratégicas relacionadas aos riscos. Esse foco renovado reflete uma mudança de abordagem, onde os gestores não se limitam apenas à mitigação, mas também identificam formas de utilizar os riscos como alavancas para inovação e vantagem competitiva. Por exemplo, a transformação digital e a adoção de IA oferecem às empresas novas maneiras de gerenciar riscos com mais precisão e eficiência.
Resiliência Organizacional: A pesquisa ressaltou a importância de construir uma cultura de riscos resiliente. Empresas que investem em fortalecer sua resiliência estarão mais bem preparadas para enfrentar crises emergentes. 36% dos gestores planejam investir no fortalecimento da cultura de riscos nos próximos anos, um reconhecimento da necessidade de educar e engajar as equipes sobre a importância de uma abordagem proativa à gestão de riscos. Isso inclui desde treinamentos regulares até a criação de mecanismos de monitoramento contínuo de riscos em toda a organização.
Tendências
Com base nos resultados da pesquisa, algumas tendências futuras foram identificadas para a gestão de riscos, que servirão como um guia para as empresas que desejam estar à frente das mudanças globais:
- Foco em Sustentabilidade a Longo Prazo: A pesquisa aponta que os gestores de riscos estão se preparando para um futuro dominado por desafios ambientais, com clima e transição para a neutralidade de carbono sendo identificados como os maiores riscos nos próximos 10 anos. Para muitas empresas, isso significa a necessidade de alinhar suas estratégias operacionais e de investimento a uma agenda de sustentabilidade de longo prazo.
- Adaptação Tecnológica e Digital: A adoção de IA e ferramentas digitais continuará a transformar a maneira como os riscos são avaliados, quantificados e mitigados. As empresas que forem capazes de alavancar tecnologias emergentes para prever cenários de risco e monitorar ameaças em tempo real terão uma vantagem considerável em termos de competitividade e resiliência. Isso também requer um investimento contínuo em capacitação e desenvolvimento de habilidades tecnológicas dentro das equipes de risco.
- Evolução da Regulamentação: A pressão regulatória continuará a aumentar, especialmente nos setores financeiros e de serviços, onde as demandas por conformidade com normas de segurança de dados, anti-corrupção e ESG estão crescendo rapidamente. 42% dos gestores indicaram que a regulamentação será um dos maiores riscos nos próximos três anos, e a capacidade de responder rapidamente a essas mudanças será essencial para evitar penalidades e manter a conformidade.
- Dicas Estratégicas:
Diante dos desafios e oportunidades revelados pela pesquisa, algumas recomendações estratégicas podem ser destacadas para que as empresas aprimorem suas práticas de gestão de riscos e se preparem para o futuro:
Desenvolver uma Estrutura de Quantificação de Riscos Robusta: As empresas precisam investir em ferramentas e processos que permitam a quantificação eficaz dos riscos, especialmente aqueles relacionados ao ESG. Isso envolve a implementação de dashboards interativos, indicadores chave de riscos (KRIs) baseados em dados internos e externos, e uma abordagem mais sofisticada para modelagem de cenários.
Promover uma Cultura de Riscos Proativa: As empresas devem promover uma cultura de riscos forte, onde todos os colaboradores estão cientes dos riscos e são incentivados a agir de forma proativa. A realização de treinamentos periódicos e o fortalecimento do "tom vindo de cima" são essenciais para garantir que a gestão de riscos esteja profundamente enraizada em todas as camadas organizacionais.
Alinhar a Gestão de Riscos à Estratégia Corporativa: É fundamental que os gestores de riscos estejam diretamente envolvidos na definição da estratégia corporativa, identificando tanto ameaças quanto oportunidades. A gestão de riscos deve ser vista não apenas como uma função de mitigação, mas como um mecanismo para explorar inovações e responder a mudanças no ambiente competitivo.
Fortalecer a Governança e os Comitês de Riscos: A pesquisa mostrou que a participação dos gestores de riscos em comitês estratégicos está aumentando, mas ainda há margem para crescimento. As empresas devem continuar a fortalecer a governança de risco, formalizando a criação de comitês de risco, assegurando que os gestores de risco tenham uma posição de liderança em decisões-chave.
A análise destes resultados acima nos dá uma boa visão abrangente deste novo papel crítico que os gestores de riscos desempenham no cenário corporativo moderno. Aonde cada vez mais as crises globais se tornam mais interconectadas e a pressão por sustentabilidade e transformação digital aumenta, a gestão de riscos evolui de uma função operacional para uma função altamente estratégica.
Neste sentido, as empresas que souberem aproveitar o conhecimento e a visão dos gestores de riscos para navegar pelos desafios emergentes estarão em melhor posição para não apenas sobreviver, mas prosperar em um ambiente de negócios cada vez mais volátil e incerto.
Aos interessados em saber mais detalhes a respeito, fica a dica do link para baixar o documento original (em inglês) da pesquisa em:
https://www.ferma.eu/app/uploads/2024/10/FERMA-Global-Risk-Manager-Survey-Report-2024.pdf