Artigo
10/12/2025
Atualizado em 22/05/2026

SPSAV: políticas e manuais exigidos; quais são, por que existem e quem precisa

A aderência das SPSAV à Resolução BCB 519/2025 depende de políticas, manuais e evidências proporcionais ao porte, com governança, tecnologia e riscos integrados.

Resumo

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A Resolução BCB 519/2025 organiza os processos de autorização e exige compatibilidade entre governança, TI e gestão de riscos para as SPSAV (sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais) nas modalidades intermediária, custodiante e corretora. Parte central da aderência é manter políticas e manuais claros, aprovados pela administração, com evidências de implementação (treinamentos, registros, testes, auditorias) e transparência ao público quando aplicável.

1) Código de Conduta e Divulgação de Boas Práticas

  • O que é: regras objetivas de comportamento e relacionamento com clientes/mercado (o que pode e o que não pode).
  • Por que: coíbe abusos e fraudes; padroniza atendimento.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

2) Política de Governança

  • O que é: organograma decisório, comitês, papéis, alçadas e gestão de conflitos.
  • Por que: decisões consistentes e rastreáveis, proporcionais ao risco.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

3) Política de Segurança Institucional

  • O que é: proteção física e organizacional (acessos a áreas, credenciais, visitantes, mídias).
  • Por que: reduz intrusão, perda de ativos e interrupções.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

4) Política de Segurança da Informação e Cibersegurança

  • O que é: regras de acesso a sistemas e dados, monitoramento, resposta a incidentes e testes.
  • Por que: protege dados e operação contra ataques/vazamentos.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs. Observação: integra o conjunto “governança + riscos + incidentes”.

5) Política de Segregação de Ativos

  • O que é: separa dinheiro e cripto do cliente dos recursos próprios (contas, carteiras e controles).
  • Por que: protege patrimônio do cliente e dá transparência.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

6) Política de Guarda e Proteção de Chaves Privadas (clientes/usuários)

  • O que é: geração, armazenamento e uso de chaves (ex.: HSM, multisig, cofres, auditorias).
  • Por que: impede acessos indevidos e perdas.
  • Quem precisa: custodiante e corretora.

7) Política de Controles Internos

  • O que é: checkpoints por processo (ordens, saques, listagem, custódia), validações a quatro olhos e trilhas de auditoria.
  • Por que: reduz erros/fraudes e permite auditoria eficiente.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

8) Política de Gestão de Riscos

  • O que é: identificação de riscos (operacional, tecnológico, liquidez, conduta), limites e mitigação.
  • Por que: operação dentro do apetite de risco.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

9) Política de Gestão de Serviços Providos por Terceiros

  • O que é: critérios para contratar/supervisionar serviços relevantes (custódia, nuvem, PL/MM, BaaS), com due diligence, SLA e plano de saída.
  • Por que: terceiros críticos impactam clientes e continuidade.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

10) Política de Proteção de Dados Pessoais e de Instrumentos de Controle

  • O que é: tratamento de dados conforme LGPD e guarda de instrumentos sensíveis (documentos, chaves, logs).
  • Por que: evita incidentes, multas e danos reputacionais.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

11) Plano de Continuidade de Negócios (PCN)

  • O que é: roteiro para manter/retomar serviços em incidentes (RTO/RPO, testes, comunicação a clientes).
  • Por que: resiliência operacional e proteção ao usuário.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs (custodiantes têm exigências adicionais de dados).

12) Políticas e Mecanismos contra Práticas Espúrias

  • O que é: regras para coibir manipulação de mercado (wash trading, spoofing, pump & dump, insider).
  • Por que: integridade de mercado e tratamento equitativo.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

13) Manuais KYC, KYE e KYP

  • O que é: procedimentos para conhecer clientes, empresas (parceiros/fornecedores) e produtos (adequação).
  • Por que: oferta adequada e redução de ilícitos.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

14) Política de Perfil de Risco de Clientes/Usuários

  • O que é: critérios de classificação por risco e ajustes de limites/avisos.
  • Por que: compatibiliza oferta e proteções ao perfil.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

15) Política de Depósito e Retirada de Recursos Financeiros

  • O que é: prazos, limites, conferências, devoluções e comunicação de status.
  • Por que: clareza operacional e menos disputas.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

16) Política de PLD/FT e Sanções (incl. CSNU)

  • O que é: controles para prevenir lavagem, financiamento do terrorismo e violações de sanções; monitoramento e reporte.
  • Por que: cumprimento regulatório e proteção do sistema.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

17) Política de Prevenção a Fraudes e Monitoramento de Transações

  • O que é: mecanismos de detecção de golpes/anomalias, fluxos de revisão e bloqueio.
  • Por que: reduz perdas e protege clientes.
  • Quem precisa: todas as SPSAVs.

18) Política de Seleção, Listagem, Suspensão e Exclusão de Ativos Virtuais

  • O que é: critérios objetivos de entrada, acompanhamento e retirada de ativos; página do ativo e avisos.
  • Por que: transparência e proteção ao cliente desde a origem.
  • Quem precisa: intermediária (e corretora, quando ofertar ativos).

19) Política de Mitigação de Conflitos de Interesses

  • O que é: segregação cliente vs. conta própria, fontes de preço independentes e relatório de melhor execução.
  • Por que: confiança, preço justo e isonomia.
  • Quem precisa: intermediária (e corretora).

20) Política de Contas de Margem (se oferecidas, conforme norma específica)

  • O que é: regras de elegibilidade, garantias, chamadas de margem e liquidação forçada.
  • Por que: controle de alavancagem e risco sistêmico.
  • Quem precisa: intermediária/corretora que ofereçam margem (condicionado a norma específica aplicável).

21) Política de Custódia de Ativos Virtuais

  • O que é: guarda, reconciliação, Prova de Reservas (PoR) com auditoria independente bienal e relatório público, e plano de transferência/saída; evidências e documentação do processo.
  • Por que: segurança patrimonial e continuidade do serviço.
  • Quem precisa: custodiante (e corretora quando custodiar).

Implementação

  • Proporcionalidade: ajuste a profundidade ao porte/complexidade.
  • Aprovação e treinamento: aprovação formal; divulgação interna; capacitação recorrente.
  • Evidências: mantenha logs, atas, relatórios, testes e auditorias arquivados.
  • Transparência ao cliente: publique no site/app as informações essenciais (quando aplicável).
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Atualizado

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Perguntas e respostas

Por que aprovação formal não basta?
O regulador espera evidências de treinamento, execução, monitoramento, teste e melhoria.
Todas as políticas se aplicam igualmente?
Não. O conjunto depende da modalidade, dos serviços oferecidos e dos riscos assumidos.
Quais registros demonstram implementação?
Atas, logs, relatórios, auditorias, testes, treinamentos e decisões documentadas.
O que é crítico na custódia?
Gestão de chaves, segregação, reconciliação, prova de reservas, continuidade e plano de saída.
Como aplicar proporcionalidade?
Ajustando profundidade e controles ao porte, à complexidade, à modalidade e aos riscos reais.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

TS

Thiago do Amaral Santos

Sócio BTLaw | Professor FGV e Insper | Fintech, Meios de Pagamento, Bancos Digitais