Estava discutindo com uma área de PLD de um banco outro dia sobre os critérios de classificação do risco de PLD de seus clientes, e mais especificamente sobre as chamadas Pessoas Politicamente Expostas, mais conhecidas como: "PEP", que ganha especial atenção neste momento eleitoral.
Mas afinal para quem não ainda sabe, o que é uma Pessoa Exposta Politicamente?
É considerada uma Pessoa Exposta Politicamente (PEP) aquela que ocupa cargos e funções públicas listadas nas normas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e de Financiamento ao Terrorismo, editadas pelos órgãos reguladores e fiscalizadores.
O cargo, emprego ou função pública relevante podem ser exercidos por chefes de Estado e de governo, políticos de alto nível, altos servidores dos poderes públicos, magistrados ou militares de alto nível, dirigentes de empresas públicas ou dirigentes de partidos políticos.
A denominação se estende aos representantes, familiares e outras pessoas de seu relacionamento próximo. Ou seja, esses indivíduos também são considerados PEP. Então também são considerados familiares os parentes, na linha direta, até o primeiro grau: o cônjuge; companheiro ou companheira; e o enteado ou enteada.
Mas voltando ao ponto que queria destacar aqui para a reflexão, era se todas os seus clientes classificados como PEP seriam automaticamente classificados (ou não) como risco alto?
Qual sua opinião? Coloque nos comentários.
Isto dentro da chamada abordagem baseada em risco (ABR), que permite que possa dar atenção diferenciada para os riscos mais altos, e que fez com que as áreas de PLD, começassem a fazer o rating de Risco de PLD dos clientes, tanto na entrada deles no cadastro, como também novamente no momento da operação e renovações, dado que poderia mudar de status entre uma e outra.
E usando mais uma vez o exemplo deste momento, a partir de janeiro, muitos dos clientes (novos e existentes) de sua instituição passarão a ser considerados PEP. Certamente as áreas de PLD terão um trabalho extra de rever suas bases e operações no começo do ano.
Neste caso, o critério adotado por este banco, era um pouco mais conservador, ou seja, todos PEPs eram classificados independente de outros fatores e perfil, como de risco alto.
O que eu pessoalmente acho digamos "conservador demais" colocar todos como risco alto de cara, sem olhar um pouco mais, ainda mais sabendo de que existem diversos tipos de "PEP", e não dá para achar que o risco de um político de cargo executivo, seja igual de um reitor de universidade pública, tão pouco o grau, ou seja, que o parente de um político seja necessariamente um risco alto.
Não que não deva ser dado uma atenção especial a todos PEPs, com uma diligência mais cuidadosa, derivando provavelmente para uma análise manual de um especialista mais sênior.
Talvez classificasse como risco médio, mas que dependendo de outros fatores, como mídia desabonadora, ou processos judiciais, que no conjunto da obra, aí sim fosse classificado como risco alto mesmo. Mas precisaria levar todos para um Comitê de PLD? O que acha?
Aliás me faz lembrar mais uma vez de que é fundamental que as instituições tenham um bom cadastro, que é o começo e a base depois de um bom trabalho de análise e classificação de riscos.
Mas voltando ao caso de classificar automaticamente para alto, o problema que pode trazer é mais operacional, ou seja, provavelmente um cliente deste de risco alto, vai derivar para uma aprovação de uma alçada superior, e na maioria das vezes de um Comitê de PLD, o que vai gerar um trabalho extra, que pode acumular e tirar atenção de quem realmente merece, ou sobrecarregar e atrasar a liberação do cliente e de sua operação.
Nunca devemos nos esquecer de que PEP não significa que ele é um criminoso, mas apenas alguém que tem algum tipo de exposição.