Artigo
22/04/2023
Atualizado em 10/04/2026

Visão integrada de Prevenção à Fraude, Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) e Risco de Crédito

Integrar prevenção a fraudes, PLD e risco de crédito reduz duplicidades e melhora a detecção de clientes, transações e comportamentos suspeitos por meio de dados compartilhados.

Resumo

A visão integrada de Prevenção à Fraude, Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) e Risco de Crédito representa um desafio significativo para as instituições financeiras, pois sabemos bem que muitos ainda não conseguem implementar estratégias eficientes e integradas para lidar com esses riscos.

Para ilustrar isto bem, de acordo com uma recente pesquisa de Maturidade dos Programas de PLD/FT realizada pela EY, apenas 36% dos respondentes afirmaram já atuar de forma integrada para mitigar crimes financeiros, ainda que minha experiência mostre, na minha opinião, que este número é ainda menor na prática.

No entanto, queria defender que a integração e o compartilhamento de informações, políticas e procedimentos trazem benefícios significativos, como a eliminação de redundâncias e a otimização de recursos. Afinal, onde tem fraude, as chances de ter lavagem também são grandes. Ainda que o inverso não seja verdadeiro.

Mas esta integração dos processos de Prevenção à Fraude, PLD/FT e Risco de Crédito envolve desafios como:

1) Diferentes regulamentações e requisitos legais:

A necessidade de cumprir diferentes normas e regulamentações pode dificultar a integração dos processos. Ainda que as últimas de gestão de riscos tenham começado a incentivar mais a visão integrada dos riscos. Mas, apesar da dificuldade, acho que isto não impede.

2) Silos organizacionais:

Muitas instituições operam com estruturas departamentais separadas, o que pode dificultar a colaboração e o compartilhamento de informações entre as áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito. Talvez este seja o maior deles.

3) Dificuldades tecnológicas:

A implementação de sistemas integrados requer investimentos em tecnologia e infraestrutura, o que pode ser um obstáculo para algumas instituições. Mas acho que o caminho é este: começar compartilhando dados e depois integrar os processos em um único workflow.

4) Falta de liderança e comprometimento:

A ausência de um compromisso claro da alta administração e de líderes que promovam ativamente a integração das áreas pode resultar em resistência interna e falta de apoio às iniciativas. Este processo é top-down. Se não vier da alta gestão e conselho, com o apoio e cobrança dificilmente acontece.

5) Cultura organizacional inadequada:

Uma cultura organizacional que não valoriza a colaboração, a comunicação e a inovação pode dificultar a integração dos processos e a implementação de práticas eficientes de gestão de riscos.

O compartilhamento de informações, políticas e procedimentos entre as áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito traz benefícios como:

1) Eliminação de redundâncias:

A integração dos processos de PLD/FT e antifraude permite otimizar recursos e reduzir a duplicidade de esforços, aumentando a eficiência das análises e diminuindo os custos operacionais.

Algumas das possíveis redundâncias são:

1.A) Processos de identificação e verificação do cliente (KYC):

Ambos os sistemas podem compartilhar informações obtidas durante o processo de identificação e verificação dos clientes, evitando a duplicidade de esforços e garantindo a consistência das informações.

1.B) Monitoramento de transações:

Integrar o monitoramento de transações pode permitir uma análise mais abrangente e eficiente, identificando comportamentos suspeitos e atividades fraudulentas em tempo real.

1.C) Análise de risco:

Avaliar o risco de clientes e transações em conjunto no mesmo momento e workflow pode otimizar a alocação de recursos e reduzir o tempo necessário para a análise, melhorando a eficácia das medidas de prevenção e detecção.

2) Melhoria na detecção e prevenção de riscos:

A visão integrada permite uma análise mais abrangente e eficiente das transações e dos clientes, melhorando a detecção e a prevenção de atividades suspeitas, fraudulentas e de risco de crédito. Acho este um dos maiores e mais importantes.

3) Fortalecimento da governança:

A integração das áreas fortalece a governança corporativa, contribuindo para uma melhor gestão de riscos e aumentando a resiliência das instituições financeiras.

4) Facilitação da conformidade regulatória:

A visão integrada facilita o cumprimento das regulamentações e normas aplicáveis, reduzindo os riscos de sanções e penalidades.

Mas como fazer na prática uma implementação desta visão integrada?

Algumas estratégias para promover a integração das áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito incluem:

1) Revisão das políticas e procedimentos:

As instituições financeiras devem revisar e atualizar suas políticas e procedimentos internos, garantindo que estejam alinhados com os requisitos legais e regulatórios e promovam a colaboração entre as áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito. Na hora de revisar é uma ótima oportunidade para já pensar e incluir este aspecto de integração dos processos e riscos.

2) Implementação de tecnologias avançadas:

A adoção de soluções tecnológicas, como inteligência artificial, aprendizado de máquina e análise de Big Data, pode facilitar a integração dos processos e aprimorar a detecção e prevenção de atividades ilegais e fraudulentas. Tanto PLD como Prevenção a Fraudes não conseguem mais sobreviver sem investir e passar a usar IA no seu dia a dia, tanto no processo de KYC como principalmente no monitoramento das operações.

3) Capacitação e treinamento conjunto de equipes:

A formação de equipes multidisciplinares e a capacitação conjunta de profissionais envolvidos em PLDFT, antifraude e risco de crédito podem melhorar a compreensão dos riscos e permitir uma resposta mais efetiva e rápida a incidentes e ameaças. Digo mais, vejo como muito saudável o rodízio e intercâmbio de especialistas entre estas áreas. Faça treinamento para todos eles juntos.

4) Estabelecimento de canais de comunicação:

As instituições financeiras devem criar canais de comunicação eficientes para compartilhar informações, conhecimentos e melhores práticas entre as áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito. Se as áreas não conversarem, esquece. Tudo começa por aqui.

A visão integrada da Prevenção à Fraude, PLDFT e Risco de Crédito é fundamental para enfrentar os desafios e riscos associados aos crimes financeiros. Apesar dos obstáculos, a integração dessas áreas e o compartilhamento de informações, políticas e procedimentos podem proporcionar benefícios significativos às instituições financeiras, como a eliminação de redundâncias, a otimização de recursos e a melhoria na detecção e prevenção de riscos. Para alcançar essa visão integrada, é essencial que as organizações invistam em tecnologias avançadas, capacitação de equipes e estabelecimento de canais de comunicação eficientes.

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Atualizado

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Perguntas e respostas

Como a integração reduz duplicidades?
Áreas deixam de repetir coleta e análise e passam a reutilizar informações e conclusões com governança adequada.
Qual é o benefício para a detecção?
A visão conjunta facilita reconhecer padrões que poderiam parecer isolados em cada processo.
Que dados podem ser combinados?
Informações cadastrais, perfil financeiro, histórico, transações, vínculos e eventos de fraude ou alerta.
Por que integrar fraude, PLD e risco de crédito?
As três frentes observam clientes e operações por perspectivas complementares e podem compartilhar sinais relevantes.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante