A visão integrada de Prevenção à Fraude, Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) e Risco de Crédito representa um desafio significativo para as instituições financeiras, pois sabemos bem que muitos ainda não conseguem implementar estratégias eficientes e integradas para lidar com esses riscos.
Para ilustrar isto bem, de acordo com uma recente pesquisa de Maturidade dos Programas de PLD/FT realizada pela EY, apenas 36% dos respondentes afirmaram já atuar de forma integrada para mitigar crimes financeiros, ainda que minha experiência mostre, na minha opinião, que este número é ainda menor na prática.
No entanto, queria defender que a integração e o compartilhamento de informações, políticas e procedimentos trazem benefícios significativos, como a eliminação de redundâncias e a otimização de recursos. Afinal, onde tem fraude, as chances de ter lavagem também são grandes. Ainda que o inverso não seja verdadeiro.
Mas esta integração dos processos de Prevenção à Fraude, PLD/FT e Risco de Crédito envolve desafios como:
1) Diferentes regulamentações e requisitos legais:
A necessidade de cumprir diferentes normas e regulamentações pode dificultar a integração dos processos. Ainda que as últimas de gestão de riscos tenham começado a incentivar mais a visão integrada dos riscos. Mas, apesar da dificuldade, acho que isto não impede.
2) Silos organizacionais:
Muitas instituições operam com estruturas departamentais separadas, o que pode dificultar a colaboração e o compartilhamento de informações entre as áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito. Talvez este seja o maior deles.
3) Dificuldades tecnológicas:
A implementação de sistemas integrados requer investimentos em tecnologia e infraestrutura, o que pode ser um obstáculo para algumas instituições. Mas acho que o caminho é este: começar compartilhando dados e depois integrar os processos em um único workflow.
4) Falta de liderança e comprometimento:
A ausência de um compromisso claro da alta administração e de líderes que promovam ativamente a integração das áreas pode resultar em resistência interna e falta de apoio às iniciativas. Este processo é top-down. Se não vier da alta gestão e conselho, com o apoio e cobrança dificilmente acontece.
5) Cultura organizacional inadequada:
Uma cultura organizacional que não valoriza a colaboração, a comunicação e a inovação pode dificultar a integração dos processos e a implementação de práticas eficientes de gestão de riscos.
O compartilhamento de informações, políticas e procedimentos entre as áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito traz benefícios como:
1) Eliminação de redundâncias:
A integração dos processos de PLD/FT e antifraude permite otimizar recursos e reduzir a duplicidade de esforços, aumentando a eficiência das análises e diminuindo os custos operacionais.
Algumas das possíveis redundâncias são:
1.A) Processos de identificação e verificação do cliente (KYC):
Ambos os sistemas podem compartilhar informações obtidas durante o processo de identificação e verificação dos clientes, evitando a duplicidade de esforços e garantindo a consistência das informações.
1.B) Monitoramento de transações:
Integrar o monitoramento de transações pode permitir uma análise mais abrangente e eficiente, identificando comportamentos suspeitos e atividades fraudulentas em tempo real.
1.C) Análise de risco:
Avaliar o risco de clientes e transações em conjunto no mesmo momento e workflow pode otimizar a alocação de recursos e reduzir o tempo necessário para a análise, melhorando a eficácia das medidas de prevenção e detecção.
2) Melhoria na detecção e prevenção de riscos:
A visão integrada permite uma análise mais abrangente e eficiente das transações e dos clientes, melhorando a detecção e a prevenção de atividades suspeitas, fraudulentas e de risco de crédito. Acho este um dos maiores e mais importantes.
3) Fortalecimento da governança:
A integração das áreas fortalece a governança corporativa, contribuindo para uma melhor gestão de riscos e aumentando a resiliência das instituições financeiras.
4) Facilitação da conformidade regulatória:
A visão integrada facilita o cumprimento das regulamentações e normas aplicáveis, reduzindo os riscos de sanções e penalidades.
Mas como fazer na prática uma implementação desta visão integrada?
Algumas estratégias para promover a integração das áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito incluem:
1) Revisão das políticas e procedimentos:
As instituições financeiras devem revisar e atualizar suas políticas e procedimentos internos, garantindo que estejam alinhados com os requisitos legais e regulatórios e promovam a colaboração entre as áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito. Na hora de revisar é uma ótima oportunidade para já pensar e incluir este aspecto de integração dos processos e riscos.
2) Implementação de tecnologias avançadas:
A adoção de soluções tecnológicas, como inteligência artificial, aprendizado de máquina e análise de Big Data, pode facilitar a integração dos processos e aprimorar a detecção e prevenção de atividades ilegais e fraudulentas. Tanto PLD como Prevenção a Fraudes não conseguem mais sobreviver sem investir e passar a usar IA no seu dia a dia, tanto no processo de KYC como principalmente no monitoramento das operações.
3) Capacitação e treinamento conjunto de equipes:
A formação de equipes multidisciplinares e a capacitação conjunta de profissionais envolvidos em PLDFT, antifraude e risco de crédito podem melhorar a compreensão dos riscos e permitir uma resposta mais efetiva e rápida a incidentes e ameaças. Digo mais, vejo como muito saudável o rodízio e intercâmbio de especialistas entre estas áreas. Faça treinamento para todos eles juntos.
4) Estabelecimento de canais de comunicação:
As instituições financeiras devem criar canais de comunicação eficientes para compartilhar informações, conhecimentos e melhores práticas entre as áreas de PLDFT, antifraude e risco de crédito. Se as áreas não conversarem, esquece. Tudo começa por aqui.
A visão integrada da Prevenção à Fraude, PLDFT e Risco de Crédito é fundamental para enfrentar os desafios e riscos associados aos crimes financeiros. Apesar dos obstáculos, a integração dessas áreas e o compartilhamento de informações, políticas e procedimentos podem proporcionar benefícios significativos às instituições financeiras, como a eliminação de redundâncias, a otimização de recursos e a melhoria na detecção e prevenção de riscos. Para alcançar essa visão integrada, é essencial que as organizações invistam em tecnologias avançadas, capacitação de equipes e estabelecimento de canais de comunicação eficientes.
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