Vigente Impacto Médio Norma
14/08/2026
#286795

Solução de Consulta Cosit nº 149, de 14 de agosto de 2026

Receita Federal esclarece isenção de ganho de capital na venda de imóvel residencial e efeitos da denúncia espontânea sobre multas tributárias.

Resumo

Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
GANHO DE CAPITAL. VENDA DE IMÓVEIS RESIDENCIAIS. ISENÇÃO. ART. 39 DA LEI Nº 11.196, DE 2005.
É isento do Imposto sobre a Renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.
VENDA DE UM IMÓVEL E DAÇÃO EM PAGAMENTO DE OUTRO. APLICAÇÃO PARCIAL DO PRODUTO DO IMÓVEL VENDIDO.
A isenção de que trata o art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, aplica-se às operações de dação em pagamento de imóvel residencial para aquisição de outro imóvel residencial.
Caso haja primeiramente a venda de 1 (um) imóvel e posteriormente a dação em pagamento de outro imóvel por ocasião da aquisição de novo imóvel, o prazo de 180 (cento e oitenta) dias será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à primeira operação.
A aplicação parcial do produto da venda do primeiro imóvel na aquisição do novo imóvel implica a tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada.
Dispositivos legais: Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 3º, § 3º; Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, art. 39, caput e §§ 1º e 2º; Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza - RIR/2018, aprovado pelo Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018, art. 128, § 4º, inciso IV; Instrução Normativa SRF nº 599, de 28 de dezembro de 2005, art. 2º, caput e §§ 1º e 2º.
Assunto: Normas de Administração Tributária
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. FORMA DE INSTRUMENTALIZAÇÃO
A configuração da denúncia espontânea deve necessariamente obedecer aos preceitos do art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional - CTN, sob pena de sua inocorrência. A instrumentalização da denúncia espontânea se dá por meio das declarações em cumprimento a obrigações acessórias previstas na legislação tributária.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA E MULTA PUNITIVA.
Atendidos os requisitos do art. 138 do CTN, a denúncia espontânea afasta a aplicação de multa, inexistindo, nesse caso, diferença entre multa moratória e multa punitiva.
A prestação a destempo da obrigação acessória pelo sujeito passivo, para configurar denúncia espontânea da obrigação principal, não o elide da multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, visto que são obrigações autônomas.
A comunicação da infração tributária e o pagamento do tributo nos termos do art. 138 do CTN não impede o lançamento da multa pelo atraso no descumprimento das obrigações acessórias a que estava sujeita.
SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 233, DE 16 DE AGOSTO DE 2019.
Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional - CTN, arts. 138, 156 e 170; Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 16.

RODRIGO AUGUSTO VERLY DE OLIVEIRA
Coordenador-Geral
Documento disponibilizado pela Okai.

Perguntas e respostas

Na venda de um imóvel seguida de dação em pagamento de outro, de quando conta o prazo de 180 dias?
Nessa situação, o prazo de 180 dias conta da celebração do contrato relativo à primeira operação, e não da dação em pagamento posterior.
A denúncia espontânea afasta quais multas?
Quando atendidos os requisitos do art. 138 do CTN, a denúncia espontânea afasta a multa moratória e a multa punitiva relativas à obrigação principal.
Quando há isenção de IRPF sobre ganho de capital na venda de imóvel residencial?
A pessoa física residente no País tem isenção de IRPF se aplicar o produto da venda do imóvel residencial, em até 180 dias contados da celebração do contrato, na aquisição de imóvel residencial localizado no Brasil.
A dação em pagamento de imóvel residencial pode ser abrangida pela isenção?
Sim. A Solução de Consulta reconhece que a isenção pode se aplicar à dação em pagamento de imóvel residencial para aquisição de outro imóvel residencial, desde que observados os requisitos legais.
O que a Solução de Consulta Cosit nº 149/2026 trata?
A Solução de Consulta Cosit nº 149/2026 fixa entendimento sobre a isenção de IRPF no ganho de capital na alienação de imóveis residenciais e sobre os efeitos da denúncia espontânea em multas da obrigação principal e de obrigações acessórias.
A entrega em atraso de obrigação acessória deixa de gerar multa quando há denúncia espontânea?
Não. A entrega tardia de declaração ou obrigação acessória pode servir para formalizar a denúncia espontânea da obrigação principal, mas não afasta a multa pelo atraso da própria obrigação acessória.
O que ocorre se apenas parte do produto da venda for usada na compra do novo imóvel residencial?
A isenção não alcança todo o ganho de capital. O ganho será tributado proporcionalmente à parcela do produto da venda que não foi aplicada na aquisição do novo imóvel residencial.
Como deve ser formalizada a denúncia espontânea?
A denúncia espontânea deve atender aos requisitos do art. 138 do CTN e ser instrumentalizada por meio das declarações correspondentes às obrigações acessórias previstas na legislação tributária.