Artigo
05/04/2025

Consulta Pública do Banking as a Service – Parte 4: Iniciação de Transação de Pagamento (ITP)

Analisa preocupações sobre a inclusão da Iniciação de Transação de Pagamento no Banking as a Service e seus impactos regulatórios.

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As manifestações das entidades na Consulta Pública nº 108/2024 do Banco Central  (BC) apresentam preocupações comuns em relação à Iniciação de Transação de Pagamento (ITP) e sua possível inclusão no escopo do Banking as a Service (BaaS).

1. Discordância quanto à Inclusão do ITP no BaaS

As entidades se opõem à inclusão do ITP dentro do conceito de BaaS, argumentando que esse serviço já possui regulamentação específica e bem estabelecida.

Principais argumentos:

  • O ITP já está devidamente regulado no Open Finance e no Arranjo Pix, sendo um serviço seguro e transparente.

  • A inclusão no BaaS criaria sobreposição regulatória, tornando a prestação do serviço mais burocrática e onerosa.

  • A regulamentação do Open Finance já prevê requisitos de segurança, transparência e concorrência, tornando desnecessária a imposição de novas regras.

2. Impacto para Empresas que Utilizam ITP

As entidades alertam que a regulamentação proposta pode afetar negativamente empresas que utilizam Iniciadores de Pagamento.

Principais preocupações:

  • Empresas que usam ITPs poderiam ser indevidamente enquadradas como Tomadores de BaaS, o que aumentaria os custos regulatórios e operacionais.

  • A exigência de que o ITP seja contratado exclusivamente por meio de um Prestador de BaaS poderia restringir a concorrência e a inovação no setor.

  • A inclusão do ITP no BaaS poderia criar barreiras para novos entrantes no mercado, afetando principalmente as startups.

3. Necessidade de Preservação da Estrutura do Open Finance

As entidades defendem que a inclusão do ITP no BaaS poderia comprometer o funcionamento do Open Finance, prejudicando a interoperabilidade entre diferentes instituições.

Principais argumentos:

  • O Open Finance já estabelece diretrizes claras sobre interconexão, segurança e compartilhamento de dados, garantindo que o ITP opere de forma eficiente.

  • A exigência de que Iniciadores de Pagamento operem exclusivamente via BaaS poderia restringir o modelo de negócios e limitar a adoção do Open Finance.

  • A inclusão no BaaS não traria benefícios regulatórios adicionais, pois os ITPs já cumprem exigências rigorosas de segurança e compliance.

Sugestões apresentadas para o Banco Central

As entidades propõem que o BC mantenha o ITP fora do escopo do BaaS, garantindo que sua regulamentação continue sendo conduzida dentro do Open Finance e do Arranjo Pix.

Em resumo, foram apresentados os seguintes fundamentos:

  1. Preservar a estrutura regulatória existente, evitando sobreposição de normas e aumento de custos operacionais.

  2. Permitir que empresas continuem utilizando ITPs de forma independente, sem necessidade de contratação via BaaS.

  3. Garantir que a regulamentação do ITP continue incentivando inovação e concorrência, sem criar barreiras para novos entrantes no mercado.

Portanto, ao manter o ITP regulado no contexto do Open Finance e do Arranjo Pix, sem sua inclusão no escopo do BaaS, assegura-se um ambiente concorrencial, seguro e eficiente para o mercado de pagamentos.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que abordou a Consulta Pública nº 108/2024 do Banco Central?
A Consulta Pública nº 108/2024 do Banco Central abordou preocupações relacionadas à Iniciação de Transação de Pagamento (ITP) e sua possível inclusão no escopo do Banking as a Service (BaaS).
Quais são os principais argumentos das entidades contra a inclusão do ITP no BaaS?
Os principais argumentos são: o ITP já possui regulamentação específica no Open Finance e no Arranjo Pix; a inclusão no BaaS criaria sobreposição regulatória, tornando o serviço mais burocrático e oneroso; e a regulamentação atual já estabelece requisitos de segurança, transparência e concorrência.
Como a possível inclusão do ITP no BaaS poderia impactar as empresas que utilizam Iniciadores de Pagamento?
As entidades alertam que poderia resultar em empresas sendo classificadas como Tomadores de BaaS, aumentando custos regulatórios e operacionais, restringindo a concorrência e a inovação, e criando barreiras de entrada para novos empreendedores, especialmente startups.
Quais preocupações foram levantadas sobre o possível impacto negativo no Open Finance?
As entidades estão preocupadas que a inclusão do ITP no BaaS poderia comprometer a interoperabilidade das instituições dentro do Open Finance, limitando o modelo de negócios e a adoção do Open Finance e não trazendo benefícios regulatórios adicionais.
O que as entidades propõem ao Banco Central quanto à regulamentação do ITP?
As entidades propõem que o Banco Central mantenha o ITP fora do escopo do BaaS, preservando a regulamentação no contexto do Open Finance e do Arranjo Pix, para evitar sobreposição normativa, custos operacionais adicionais e manter a inovação e concorrência no setor.
Quais são os principais pontos defendidos pelas entidades para manter o ITP fora do BaaS?
Os principais pontos são: preservar a estrutura regulatória existente, permitir que empresas continuem utilizando ITPs de forma independente e garantir que a regulamentação do ITP continue incentivando a inovação e a concorrência sem criar barreiras para novos entrantes no mercado.

Autor

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Thiago do Amaral Santos

Sócio BTLaw | Professor FGV e Insper | Fintech, Meios de Pagamento, Bancos Digitais