Desatualizado Artigo
05/04/2025

Consulta Pública do Banking as a Service - Parte 6: Subcredenciadores

Analisa os impactos da inclusão dos Subcredenciadores na regulamentação do Banking as a Service pela Consulta Pública nº 108/2024.

Desatualizado Verificado em 16/07/2026

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A análise da minuta da Consulta Pública nº 108/2024 permanece compreensível como registro histórico. A matéria foi decidida pela Resolução Conjunta nº 16/2025, que exclui expressamente as atividades desempenhadas por subcredenciadores da prestação de BaaS, embora mantenha o credenciamento entre os serviços possíveis nesse regime. A delimitação atual deve seguir a norma final.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

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Em complemento ao artigo anterior, sobre a inclusão da atividade dos Subcredenciadores na regulamentação do Banking as a Service (BaaS), vale destacar alguns pontos adicionais sobre as manifestações analisadas e que reforçam o impacto decorrente da regulamentação proposta pela Consulta Pública nº 108/2024.

1. Falta de Justificativa Regulatória para a Inclusão dos Subcredenciadores no BaaS

  • Ausência de problema regulatório identificado: A regulação das Bandeiras e as exigências das Credenciadoras estabelecem obrigações rigorosas para os Subcredenciadores. Portanto, para justificar sua inclusão como Tomadores de BaaS, é necessário apresentar evidências concretas de falhas ou riscos sistêmicos que não estejam devidamente endereçados na Resolução BCB nº 150/2021.

  • Contradição com princípios regulatórios: A legislação exige que qualquer mudança normativa passe por uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) antes da implementação. Como apontado pelas entidades, a inclusão dos Subcredenciadores no BaaS não foi precedida de um estudo técnico sobre seus impactos.

2. Possível Efeito de Desestruturação do Modelo de Subcredenciamento

Impacto direto no modelo de negócios: Os Subcredenciadores desempenham um papel crucial na inclusão financeira, permitindo que pequenos Estabelecimentos aceitem pagamentos digitais sem necessidade de vínculo direto com Credenciadores. Caso sejam obrigados a atuar apenas como Tomadores de BaaS, podem perder sua capacidade de agregar serviços e gerenciar o fluxo financeiro, o que pode inviabilizar o modelo.

A mudança pode levar a um aumento no custo operacional para pequenos e médios Estabelecimentos, que precisarão contratar serviços diretamente de Credenciadores.

3. Exclusão dos Subcredenciadores do Fluxo Financeiro Gera Riscos de Liquidez para os Estabelecimentos

  • A liquidação centralizada já está em curso: A Consulta Pública nº 104/2024 do Banco Central já trata de aprimoramentos na liquidação centralizada dos Subcredenciadores, tornando desnecessária sua inclusão no BaaS.

  • Risco de descasamento financeiro: Caso os Subcredenciadores percam a capacidade de gerir diretamente os repasses financeiros, podem enfrentar problemas de liquidez e risco operacional, o que pode atrasar pagamentos e afetar Estabelecimentos que dependem desse fluxo.

  • A antecipação de recebíveis pode ser prejudicada: Muitos Subcredenciadores atuam no financiamento de Estabelecimentos por meio da antecipação de recebíveis. Se forem excluídos do fluxo financeiro, perderão essa capacidade, reduzindo a oferta de crédito no varejo e encarecendo os custos para os lojistas.

4. Risco de Redução da Diversidade e Inovação no Mercado de Pagamentos

  • Dificuldade para novos entrantes: A regulação pode criar barreiras para novos Subcredenciadores entrarem no mercado, pois exigirá que dependam integralmente dos Credenciadores (como Prestadores de BaaS), aumentando a complexidade operacional e os custos.

  • Favorecimento de grandes players: Com menos Subcredenciadores no mercado, Credenciadores tradicionais terão maior domínio sobre a aceitação de pagamentos, reduzindo a concorrência e potencialmente aumentando as tarifas.

  • A inovação pode ser prejudicada: Subcredenciadores são responsáveis por grande parte da inovação nos meios de pagamento, oferecendo soluções personalizadas para nichos de mercado. A regulamentação pode restringir essa capacidade, tornando o setor menos dinâmico.

5. Insegurança Jurídica e Impacto nos Contratos Existentes

  • Mudança regulatória sem período de transição adequado: A proposta atual pode exigir alterações significativas nos contratos entre Credenciadores e Subcredenciadores, sem um prazo adequado para adaptação.

  • Risco de litígios: Empresas que investiram na estruturação do modelo de Subcredenciamento podem questionar judicialmente a mudança, alegando quebra de expectativas regulatórias.

  • Falta de clareza sobre responsabilidades: A mudança de papel dos Subcredenciadores pode gerar conflitos contratuais entre Adquirentes, Bandeiras e Estabelecimentos Comerciais, impactando a operacionalização dos pagamentos.

 Dentre os pontos acima indicados, pode-se concluir que:

  1. O BCB deve esclarecer a necessidade dessa mudança regulatória - A inclusão dos Subcredenciadores no BaaS não foi precedida de uma Análise de Impacto Regulatório (AIR).

  2. A inclusão no BaaS pode inviabilizar o modelo de Subcredenciamento. Os Subcredenciadores podem perder autonomia e enfrentar custos operacionais mais altos, prejudicando pequenos Estabelecimentos.

  3. A proibição de participação no fluxo financeiro pode gerar riscos de liquidez. Pode haver atrasos nos repasses financeiros e dificuldade na antecipação de recebíveis, afetando a oferta de crédito para lojistas.

  4. A mudança pode reduzir a inovação e favorecer grandes Adquirentes. Dificulta a entrada de novos Subcredenciadores e reduz a diversidade de soluções no mercado de pagamentos.

  5. A regulamentação pode gerar insegurança jurídica e litígios. Alterações contratuais abruptas podem levar a possíveis disputas judiciais.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que são Subcredenciadores?
Subcredenciadores são entidades que permitem que pequenos estabelecimentos aceitem pagamentos digitais sem a necessidade de vínculo direto com Credenciadores, facilitando a inclusão financeira.
Qual é a principal função dos Subcredenciadores?
Os Subcredenciadores desempenham um papel crucial na inclusão financeira, agregando serviços e gerenciando o fluxo financeiro para pequenos e médios estabelecimentos, permitindo que aceitem pagamentos digitais.
O que é Banking as a Service (BaaS)?
Banking as a Service (BaaS) é uma plataforma que permite que terceiros ofereçam serviços bancários utilizando a infraestrutura de um banco licenciado através de APIs.
O que aborda a Consulta Pública nº 108/2024?
A Consulta Pública nº 108/2024 se refere à proposta de inclusão da atividade dos Subcredenciadores na regulamentação do Banking as a Service (BaaS).
O que as entidades apontam sobre a inclusão dos Subcredenciadores no BaaS?
As entidades apontam que a inclusão dos Subcredenciadores no BaaS não foi precedida de uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) e mencionam a ausência de evidências concretas de falhas ou riscos sistêmicos não endereçados pela regulação atual.
Qual é o impacto da inclusão dos Subcredenciadores no BaaS sobre o modelo de negócios?
A inclusão pode inviabilizar o modelo de subcredenciamento, fazendo com que Subcredenciadores percam a capacidade de agregar serviços e gerenciar o fluxo financeiro, além de aumentar os custos operacionais para pequenos estabelecimentos.
Quais são os riscos de exclusão dos Subcredenciadores do fluxo financeiro?
A exclusão pode gerar problemas de liquidez e risco operacional, atrasar pagamentos, dificultar a antecipação de recebíveis, reduzir a oferta de crédito no varejo e aumentar os custos para lojistas.
Quais as possíveis consequências da nova regulamentação sobre a inovação e diversidade no mercado de pagamentos?
A nova regulamentação pode dificultar a entrada de novos Subcredenciadores, favorecer grandes players tradicionais, reduzir a concorrência, potencialmente aumentar tarifas, e prejudicar a inovação ao restringir soluções personalizadas para nichos de mercado.
Quais são os possíveis impactos jurídicos da regulamentação proposta?
A regulamentação pode gerar insegurança jurídica, devido à falta de um período de transição adequado para alterações contratuais significativas, e aumentar o risco de litígios, conforme empresas questionem judicialmente as mudanças por quebra de expectativas regulatórias.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

TS

Thiago do Amaral Santos

Sócio BTLaw | Professor FGV e Insper | Fintech, Meios de Pagamento, Bancos Digitais