Artigo
27/08/2026

O papel do CFO na era do split payment: 5 frentes que precisam ser revisadas agora

O CFO deve revisar cinco frentes essenciais para adaptar a gestão financeira ao split payment e evitar impactos negativos no caixa a partir de 2027.

Resumo

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Durante décadas, o CFO brasileiro contou com o intervalo entre receber uma venda e recolher o imposto sobre ela. Nesse tempo, o valor do tributo circulava dentro da empresa, funcionando como uma espécie de capital de giro informal — o chamado "float tributário", prática em que o imposto é temporariamente usado como capital de giro até a data de vencimento.

Com a chegada do split payment, esse recurso é praticamente eliminado.

No modelo atual, a empresa recebe o valor integral da venda e recolhe o imposto depois; com o split payment, ela passa a receber apenas o valor líquido, sem acesso ao valor do imposto.

O cronograma já está desenhado, não tem como correr dele. 2026 é o ano de teste operacional, com alíquota simbólica de 1% dividida entre CBS e IBS, mas em 2027, a CBS entra em vigor de fato, enquanto o IBS segue uma transição mais longa, com substituição progressiva do ICMS e do ISS até 2032/2033.

Isso significa que o tempo de preparação é agora, nesses 4-5 meses restantes do ano e passa por cinco frentes que, na minha visão, ainda estão fora do radar da maioria dos CFOs.

São elas:

1. Gestão clínica de entradas e saídas

O CFO vai precisar tratar caixa como quem trata um paciente em observação constante; sem folga para margem de erro. Um olhar clínico em relação às entradas e saídas, principalmente porque o intervalo que hoje absorve pequenos desencontros de prazo deixa de existir, é a tarefa número 1.

Recomendações: mapear, operação por operação, quanto do caixa atual depende desse intervalo e quanto desaparece no dia em que o split payment entrar em vigor para o seu setor.

2. Revisão da política de parcelamento de clientes

Toda condição de pagamento estendida a um cliente hoje é financiada, em parte, por esse “float tributário”. Sem ele, cada parcela mais longa passa a ser financiada só pela própria empresa.

Recomendações: revisar prazos de parcelamento considerando que o imposto sai antes de o valor total da venda ser recebido, e não depois.

3. Análise de viabilidade por negócio antes de emitir a nota

Nem toda venda vai continuar sendo boa quando o custo financeiro da antecipação do imposto entrar na conta, principalmente as de ticket alto e prazo estendido.

Recomendações: criar um filtro simples de viabilidade financeira antes da emissão, olhando prazo, ticket e margem juntos, não isoladamente.

4. Revisão de precificação considerando a antecipação do imposto

Se o custo de capital de giro sobe, e o preço não é revisado, quem absorve a diferença é a margem.

Recomendações: simular o novo custo financeiro por linha de produto ou serviço e verificar se ele já está embutido no preço praticado hoje.

5. Análise de acesso a crédito para cobrir o gap de caixa

A perda dessa flexibilidade exige reavaliação de linhas de crédito que hoje compensam o intervalo entre venda e recolhimento. Esperar o gap aparecer para negociar crédito é o pior momento possível para negociar qualquer coisa.

Recomendações: mapear hoje, com o banco, linhas pré-aprovadas específicas para esse cenário — antes que o mercado inteiro esteja pedindo a mesma coisa ao mesmo tempo.

O ano de 2026 é a fase de teste, portanto, a alíquota simbólica de 1% ainda não vai quebrar o caixa de ninguém.

Mas é exatamente por isso que este é o momento certo para revisar essas cinco frentes. O custo de errar agora, em ambiente controlado, é muito menor do que o custo de errar em 2027, quando a CBS já estiver valendo para valer.

O fiscal sempre foi papel do time técnico e o caixa é papel do CFO.

Na era do split payment, os dois times vão precisar estar na mesma mesa e quanto antes isso acontecer, menor o susto lá na frente.

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Autor

RL

Régis Lima

Ajudo empresas a evoluírem através de soluções fiscais inovadoras | CEO | CMO | COO | Partner & Board Member da Lumen IT e SignaMedic | Diretor Executivo Comercial | Solução Fiscal | BPO Fiscal