Comunicado
07/05/2025

Comunicado N° 43.153

Define a meta da Taxa Selic em 14,75% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos inflacionários.

Resumo

O Copom definiu a nova meta da Taxa Selic em 14,75% a.a., válida a partir de 08/05/2025.

📈 Aumento de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros.

🌍 Cenário externo adverso (política comercial EUA) e doméstico com inflação acima da meta e atividade resiliente, mas com incipiente moderação.

📊 Expectativas de inflação (Focus) para 2025 e 2026 em 5,5% e 4,5%, respectivamente. Projeção do Copom para IPCA 2026 é de 3,6%.

⚠️ Riscos inflacionários de alta (desancoragem de expectativas, resiliência em serviços) e de baixa (desaceleração econômica global/doméstica) mais elevados.

⚖️ Política monetária contracionista por período prolongado. Próximas decisões exigirão cautela e flexibilidade.

🗓️ Próxima reunião do Copom: 17 e 18 de junho de 2025.

O Comitê de Política Monetária (Copom) definiu que a meta para a Taxa Selic será de 14,75% ao ano, com vigência a partir de 8 de maio de 2025. Esta decisão foi tomada em reunião realizada conforme o Regulamento anexo à Resolução BCB nº 61/2021.

O cenário externo é considerado adverso e incerto, principalmente devido à política econômica nos Estados Unidos, especialmente sua política comercial. Isso gera incertezas sobre a economia global, a magnitude da desaceleração econômica, o efeito heterogêneo na inflação entre países e tem repercussões na condução da política monetária global, afetando também as condições financeiras. Este contexto exige cautela de países emergentes, em um ambiente de maior tensão geopolítica.

No cenário doméstico, observa-se dinamismo na atividade econômica e no mercado de trabalho, embora com uma incipiente moderação no crescimento. A inflação cheia e suas medidas subjacentes permanecem acima da meta estabelecida.

As expectativas de inflação para 2025 e 2026, apuradas pela pesquisa Focus, estão em 5,5% e 4,5%, respectivamente, ambas acima da meta. A projeção de inflação do Copom para 2026, horizonte relevante da política monetária, é de 3,6% no cenário de referência. As projeções detalhadas para o IPCA no cenário de referência são: IPCA total de 4,8% em 2025 e 3,6% em 2026; IPCA livres de 5,3% em 2025 e 3,4% em 2026; e IPCA administrados de 3,5% em 2025 e 4,0% em 2026.

Entre os riscos de alta para a inflação e suas expectativas, o Copom destaca: (i) uma desancoragem mais prolongada das expectativas de inflação; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços, devido a um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma combinação de políticas econômicas (externa e interna) com impacto inflacionário maior do que o esperado, por exemplo, através de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Os riscos de baixa incluem: (i) uma desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada, decorrente do choque de comércio e de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Copom decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 14,75% a.a.. O Comitê avalia que a conjuntura externa e interna, especialmente a política fiscal, têm impactado os preços de ativos e as expectativas. O cenário de expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho justifica uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período prolongado, visando a convergência da inflação à meta. Essa decisão também busca suavizar flutuações na atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

O cenário de referência do Copom utiliza as seguintes premissas: trajetória da taxa de juros extraída da pesquisa Focus; taxa de câmbio partindo de R$5,70/US$ e evoluindo conforme a paridade do poder de compra (PPC); preço do petróleo seguindo a curva futura nos próximos seis meses e aumentando 2% ao ano posteriormente; e bandeira tarifária “verde” em dezembro de 2025 e de 2026.

Para a próxima reunião, o Copom adotará cautela adicional e flexibilidade na condução da política monetária, devido à elevada incerteza e ao estágio avançado do ciclo de ajuste. O Comitê permanecerá vigilante, e a calibragem do aperto monetário dependerá da evolução da inflação, das projeções, das expectativas, do hiato do produto e do balanço de riscos. A próxima reunião ordinária do Copom está agendada para os dias 17 e 18 de junho de 2025, com deliberação no dia 18.