Comunicado
18/06/2025

Comunicado N° 43.359

Define a meta da Taxa Selic em 15,00% ao ano e apresenta avaliação do cenário econômico e riscos inflacionários.

Resumo

O Copom elevou a Taxa Selic, definindo a nova meta em 15,00% ao ano, com vigência a partir de 20 de junho de 2025.

📈 Nova Selic: 15,00% a.a., a partir de 20/06/2025.

🌍 Cenário Externo: Adverso e incerto, especialmente devido à política econômica dos EUA e tensões geopolíticas.

🏠 Cenário Doméstico: Moderação no crescimento, com inflação e suas medidas subjacentes acima da meta.

📊 Expectativas e Projeções: Focus aponta inflação de 5,2% (2025) e 4,5% (2026). Projeção do Copom para IPCA 2026 é de 3,6%.

⚠️ Riscos Inflacionários: Elevados, com destaque para desancoragem de expectativas e resiliência da inflação de serviços (alta); desaceleração econômica global e doméstica (baixa).

🔍 Próximos Passos: Copom sinaliza interrupção do ciclo de alta para avaliar os impactos do ajuste monetário e a suficiência da taxa atual para a convergência da inflação à meta.

🗓️ Próxima Reunião: 29 e 30 de julho de 2025.

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a taxa básica de juros, a Taxa Selic, para 15,00% ao ano. Esta nova meta passa a vigorar a partir de 20 de junho de 2025.

A decisão foi tomada considerando um ambiente externo adverso e particularmente incerto, influenciado pela conjuntura e política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes, especialmente em um contexto de acirramento da tensão geopolítica. No cenário doméstico, embora os indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho apresentem algum dinamismo, observa-se uma certa moderação no crescimento. As divulgações mais recentes indicam que a inflação cheia e as suas medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus para 2025 e 2026 permanecem acima da meta, situando-se em 5,2% e 4,5%, respectivamente. A projeção de inflação do próprio Copom para o ano de 2026, atual horizonte relevante de política monetária, é de 3,6% no cenário de referência. Para 2025, a projeção do IPCA é de 4,9%, com o IPCA de preços livres em 5,2% e o de preços administrados em 3,8%. Para 2026, o IPCA de preços livres está projetado em 3,4% e o de administrados em 4,1%.

O cenário de referência do Copom adota as seguintes premissas: trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus; taxa de câmbio partindo de R$5,60/US$ e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC); preço do petróleo seguindo aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e aumentando 2% ao ano posteriormente; e hipótese de bandeira tarifária “verde” em dezembro de 2025 e de 2026.

O Comitê avalia que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta, destacam-se: (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços devido a um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna com impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, através de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se: (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Copom continua acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O cenário atual é caracterizado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta, o Comitê entende ser necessária uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado. A elevação de 0,25 ponto percentual na taxa Selic é considerada compatível com essa estratégia de convergência da inflação para o redor da meta, buscando também suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

Em relação aos próximos passos, caso o cenário esperado se confirme, o Comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros. O objetivo é examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado e, então, avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando sua manutenção por período prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado.

A próxima reunião ordinária do Copom está agendada para os dias 29 e 30 de julho de 2025, com deliberação sobre as diretrizes de política monetária na tarde do dia 30.