Artigo
16/09/2026

Arquitetura dos Pagamentos Internacionais: Swift X Stablecoins

A transformação dos pagamentos internacionais envolve a convivência entre redes tradicionais e stablecoins, exigindo avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios de cada modelo.

Resumo

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A arquitetura invisível dos pagamentos internacionais está mudando, e compreender a diferença entre a rede SWIFT e as stablecoins se tornou indispensável para avaliar custo, velocidade, liquidez, segurança e risco.

Neste meu novo artigo abaixo eu mostro por que essa transformação não é uma simples disputa entre uma infraestrutura antiga e uma tecnologia nova, mas uma mudança na própria forma de movimentar valor entre países.

Quando uma empresa realiza um pagamento internacional, a mensagem que instrui a operação não é a mesma coisa que a liquidação financeira. A SWIFT funciona como uma rede segura e padronizada de comunicação entre instituições, mas o dinheiro pode percorrer uma cadeia de bancos correspondentes, contas, verificações e diferentes fusos horários. Cada elo pode acrescentar prazo, custo, necessidade de liquidez, opacidade e risco operacional.

As stablecoins propõem uma arquitetura distinta em que o valor digital pode ser transferido em redes que funcionam continuamente, com liquidação próxima do tempo real e maior rastreabilidade técnica. Isso abre possibilidades importantes para tesourarias, comércio exterior, remessas e gestão de liquidez. Mas rapidez não elimina risco. Ela pode apenas mudar sua natureza e acelerar sua materialização.

Entram nessa análise a qualidade das reservas, o direito de resgate, a estabilidade do emissor, a segurança da tecnologia, a custódia das chaves, a dependência de redes e intermediários, a conformidade com PLD, as sanções internacionais, a proteção de dados e a clareza regulatória. Uma moeda digital estável no preço pode, ainda assim, carregar riscos jurídicos, operacionais, de liquidez, de contraparte e de governança.

O debate mais produtivo, portanto, não é decidir prematuramente qual modelo vencerá. A tendência pode estar na convivência e na integração entre infraestruturas bancárias tradicionais, depósitos tokenizados, moedas digitais de bancos centrais e stablecoins reguladas. Para conselhos, comitês e gestores de riscos, a pergunta relevante é: quais riscos desaparecem, quais apenas migram e quais novas concentrações surgem quando a liquidação se torna programável e quase instantânea?

A inovação em pagamentos não deve ser avaliada somente pelo que acelera, mas também pelo que exige controlar.

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Atualizado

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Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante