Artigo
27/07/2026

SWIFT e Stablecoins nos Pagamentos Internacionais: Duas infraestruturas, diferentes modelos de risco e um mesmo desafio de liquidação

Análise comparativa dos modelos de risco e desafios de liquidação entre SWIFT e moedas digitais estáveis em pagamentos internacionais.

Resumo

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O futuro dos pagamentos internacionais não será definido por uma disputa simples entre o sistema Swift e as moedas digitais estáveis, mas será construído pela capacidade de escolher para cada operação o caminho que melhor combine velocidade, segurança, liquidez, conformidade e custo total.

No modelo tradicional, o Swift transmite instruções entre bancos, enquanto o dinheiro percorre contas no exterior, bancos correspondentes e sistemas locais de liquidação. A mensagem pode viajar em segundos, mas o crédito final depende de horários, fusos, feriados, disponibilidade de recursos, análise de sanções e validações regulatórias. É uma infraestrutura madura e adequada a pagamentos corporativos de grande valor.

Já as moedas digitais estáveis permitem que o ativo seja transferido por uma cadeia de blocos, a qualquer hora e em poucos minutos. Isso pode reduzir intermediários, acelerar remessas e melhorar a gestão de caixa. Porém, rapidez técnica não significa liquidação completa, pois o pagamento somente termina quando o valor é convertido, disponibilizado e aceito pelo beneficiário.

Também é um erro comparar apenas a tarifa bancária com o custo da rede digital. O custo real inclui margem cambial, compra, venda, conversão, liquidez, custódia, controles, conciliação e tecnologia. Uma transferência barata pode se tornar cara na entrada ou na saída. A comparação correta considera quanto saiu do pagador e quanto chegou ao recebedor.

Os riscos mudam de lugar, em que no Swift predominam atrasos, custos intermediários, reconciliações e dependência de bancos correspondentes. Nas moedas digitais estáveis, surgem riscos ligados ao emissor, às reservas, à perda da paridade, à custódia das chaves, à liquidez, à tecnologia, às fraudes e à regulação. A cadeia de blocos amplia a rastreabilidade, mas endereços digitais não substituem a identificação das partes, a origem dos recursos e a finalidade econômica.

Não vamos esquecer que no Brasil o uso dessas moedas não elimina as obrigações cambiais. Entradas e saídas de recursos relacionadas ao exterior continuam exigindo documentação, identificação, classificação da finalidade, controles contra lavagem de dinheiro, observância das regras do Banco Central e adequada contabilização. A tecnologia pode mudar o caminho, mas não muda a natureza econômica da operação.

Acredito que o futuro será híbrido, em que bancos, empresas e prestadores combinarão diferentes caminhos conforme valor, moeda, destino, urgência, liquidez e risco. A melhor infraestrutura não será apenas a mais rápida, mas aquela capaz de entregar o valor correto, ao beneficiário correto, no momento certo, com segurança jurídica, custo previsível e riscos compatíveis com o apetite da empresa.

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Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante