Estava escrevendo estes dias alguns posts com reflexões e lições aparentemente aprendidas deste caso da crise no mercado de criptoativos, com a quebra da corretora FTX, e me deparei com um post do Christiano Lo Bianco com uma abordagem bem similar e interessante, que trazia uma palavra que bem resumiu meus pontos sobre o caso: Basiléia.
Que gerou uma série de comentários, e que um me chamou mais atenção, e que resolvi escrever mais aqui a respeito, em que o Eder C. da Costa e Silva (埃德尔) compara o caso da FTX com a situação de crise que passa o Credit Suisse, dizendo que os dois casos são "iguais".
Havia comentado lá com ele, de forma resumida que os comentários permitem, de que não achava que eram exatamente iguais, exatamente pela grande diferença de que aconteceram em mercados bem distintos em termos de regulamentação, o que nos retoma a destacar novamente a palavra: Basiléia.
Este tipo de conforto e proteção contra o risco sistêmico é que deu o conforto de saber primeiro que o CS, apesar de seus problemas, tem todo um colchão de liquidez para enfrentar a situação e sobreviver, com seus planos de contingência e capital regulatório, o que não aconteceu no caso da FTX, onde este tipo de exigência não existe, e aí a crise é mais rápida, e a corrida aos saques mortal em poucas horas ou dias. Todos querem sair na frente e proteger os seus.
A série de crises que o mercado financeiro passou desde 98, em especial a de 2008, fez com que uma série de aprendizados tenham acontecido, entre eles da criticidade do risco sistêmico, que é o que estamos vendo acontecer neste momento no mercado de cripto, fazendo que estes ativos despenquem a níveis históricos, quando não estão "virando pó".
Apesar dele não achar que a FTX ainda não quebrou, tenho a visão diferente, até de quem já passou por outras crises de quebra de bancos na vida, e garanto que esta já foi, e pelo visto nem comprador de graça vai ter com a saída da Binance. Apesar dos boatos de que um fundo abutre estaria comprando na xepa os tokens para tentar obter o controle barato.
Mas voltando ao risco sistêmico, as pessoas ainda não perceberam, mas ele já está acontecendo ainda silenciosamente dentro desta cadeia, ou seja, quem havia aplicado dinheiro entrando de acionista da corretora, e alguns fundos, outras exchanges, e grandes investidores já realizaram o investimento a prejuízo e disseram que não têm esperanças de recuperar nada, até porque mais uma vez não existe este tipo de proteção de capital em mercados desregulados.
O risco agora é o efeito dominó atingir vários players deste segmento e furar esta bolha. O resultado pode ser imprevisível e bem perigoso diante dos bilhões envolvidos. Bom ficar de olho e acompanhar de perto.
Mas voltando ainda ao comentário, havia dito lá, e repito aqui, de que sim há grandes e importantes diferenças entre os dois casos, e aqui olhando com o olhar de regulado ou não.
No caso da FTX primeiro a corretora quebrou e ficou insolvente, o que não foi o caso do CS, depois a corretora deixou seus acionistas e principalmente clientes a ver navios sem seus ativos custodiados, o que também não foi o caso do CS. São diferenças significativas entre os casos. São crises de origem e principalmente finais distintos.
Mas não quer dizer que cada uma delas não tenha deixado lições para todos nós com os erros que outros cometeram para aprendermos com eles para não repetir do nosso lado nunca mais.
Plataforma de consulta: Okai.