Artigo
10/11/2022
Atualizado em 10/04/2026

Risco de Liquidez, Plano de Contingência, o Papel do Regulador e as Lições Aprendidas do Caso da Quebra da Corretora de Crypto FTX

Reflexão sobre risco de liquidez, plano de contingência, regulação e lições do caso da quebra da corretora de crypto FTX.

Resumo

Nos momentos difíceis é que mais se aprende! Vamos então aproveitar o momento para aprender um pouco mais...

Assim como é fundamental aprender com os erros, sejam eles seus, sejam eles dos outros (melhor ainda), para principalmente nunca mais cometê-los igual.

Falo isto pois há algumas lições a serem aprendidas do caso da quebra da corretora (Exchange) FTX, que abalou nestes últimos dias e horas o mercado de crypto ativos, e que queria abordar aqui nesta reflexão de hoje. Elas valem tanto para o mercado de crypto, mas também para o mercado financeiro.

Inclusive queria aproveitar e ressaltar mais uma vez as diferenças entre um mercado regulado, como o financeiro, dos outros sem qualquer regulação, como os de crypto, em que nestas horas de stress, você percebe bem a vantagem de um sobre o outro, e exatamente o que vamos abordar abaixo.

Começo dizendo de que foi o próprio CEO da Binance, quem atuou rapidamente para pagar o incêndio (em um pasto seco, em dia quente e com vento, o que sabemos que tem o risco de se alastrar rapidamente), o que por sinal foi bom e importante, pois nestes momentos de stress de liquidez, perda de credibilidade, e corrida aos saques, é essencial ter uma resposta rápida e dura, iniciando um plano de contingência de liquidez e capital. Foi ele que estendeu a mão e correu em ajuda para resgatar a ferida concorrente FTX. Diria que ele foi o plano que a outra não tinha.

Obviamente ele esperto, percebeu logo o possível (para não dizer provável) risco sistêmico, e um possível efeito cascata para as demais corretoras, e atuou para acalmar o mercado, antes que o fogo chegasse na sua...

Queria então destacar o papel importante que ele fez deste, mas que se fosse necessário haver algo similar em um mercado regulado, para preservar a liquidez e o risco sistêmico do mercado, em mercado regulado seria o papel do regulador, e aqui no nosso caso primeiro do Bacen, somado a eles a CVM e até das bolsas (B3) e clearings.

São estas redes de proteção criadas em nosso mercado financeiro regulado, com suas margens, fundos de garantia, compulsórios, além de limites (de liquidez, de alavancagem, de crédito, de mercado, etc), que nestas horas mostram o seu valor, e evitam que situações estruturais de players relevantes como aconteceu agora com a FTX aconteçam, e mesmo que aconteça o estrago e efeito sistêmico é mitigado.

Nestas horas que se valoriza todo este trabalho, que por sinal não aconteceram de uma hora para outra, mas depois de décadas de crises e quebradeiras de instituições, que deixaram lá atrás suas lições, que foram responsáveis por toda esta infraestrutura de proteção do mercado, que temos hoje, e bom lembrar de que custa caro, mas que nestas horas de crise se mostram todo seu valor.

Não dá para deixar que o concorrente faça o papel de regulador do sistema. É preciso que haja uma regulação e se crie também as suas proteções de acordo com o perfil de produtos e riscos assumidos.

O próprio CEO da Binance, falou das lições que ele aprendeu do caso, e uma que ele disse claramente, foi a importância em um mercado volátil, de ter reservas, assim como de não se alavancar muito com seu capital. Ou seja, ele abordou indiretamente exatamente o papel do capital regulatório.

A gestão de capital em uma instituição financeira é algo importante, e levado a sério pelos acionistas e controlado de perto pelas áreas de riscos. Não podemos dizer o mesmo do segmento de crypto, que ainda não entendeu as similaridades, inclusive de riscos, com o mercado financeiro. Vamos então destacar estas exigências regulatórias, que impõem limites de: capital, de liquidez, de alavancagem, que foram exatamente os problemas que a FTX teve depois de um risco de imagem.

Para isto que serve na prática o chamado "patrimônio de referência", que é esta garantia de que tem separado um colchão de segurança, para momentos difíceis como passou a FTX. Da mesma forma que também existem limitações da alavancagem que uma instituição pode ter (em especial na parte de crédito e risco de mercado), para evitar como já vimos no passado de quebra. Aprendemos localmente as lições de quenta de bancos como: o Econômico ou Nacional, ou ainda do Fonte-Cindam ou Marka. Hoje bem mais difícil isto acontecer.

Um destes aprendizados e melhorias que vieram destas crises passadas, foi a exigência de ter exatamente um plano de contingência de liquidez e de capital para momentos como estes de crise. Pessoalmente acho por si só o exercício de criação deste plano em si, já bem importante, pois faz com que a instituição trace cenários de crise, e veja os impactos que eles podem ter. Importante pensar em cenários adversos, pois infelizmente eles acontecem, e não podem quebrar a empresa. Pensar nestas possibilidades é de grande ajuda. Ainda que muitos gestores não acreditem que possa acontecer, e acabam chamando o risk manager de pessimista, ou até de coisa pior. Quem já não ouviu isto na sua carreira?

Se não ouviu ainda, talvez por ser mais jovem em início de carreira, eu garanto que com certeza vai ouvir muitas vezes.

Bom voltando aos importantes planos de contingência, outra vantagem clara que vejo é conseguir em momentos de tranquilidade, de cabeça fria e aberta, discutir previamente as possíveis ações, entendendo qual o retorno que elas podem dar, e também a velocidade que serão efetivas, ou seja, importante saber o que fazer, quanto vai entrar de caixa, e quando isto vai acontecer, pois medidas têm valores diferentes e principalmente prazos de efetividade diferente. Não dá para contar com o dinheiro de uma venda de um ativo imobilizado em alguns dias, levado em consideração que os primeiros dias, são os mais críticos e importante que tenha uma resposta rápida, até para acalmar o pânico que se instala, no mercado e também internamente.

Neste sentido ter um plano bem definido com as ações claras e as responsabilidades colocadas e entendidas, isto em um momento de crise, aonde muitos poderiam estar perdidos, batendo cabeça, quem tem este plano bem feito e discutido, saem na frente e mais rápido, de implantá-lo, e as chances de sobrevivência aumentam bem.

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Perguntas e respostas

Como o conteúdo contextualiza a aplicação de Risco de Liquidez, Plano de Contingência, o Papel do Regulador e as Lições Aprendidas do Caso da Quebra da Corretora de Crypto FTX?
Foi ele que estendeu a mão e correu em ajuda para resgatar a ferida concorrente FTX.
Que aspecto de atenção é destacado em Risco de Liquidez, Plano de Contingência, o Papel do Regulador e as Lições Aprendidas do Caso da Quebra da Corretora de Crypto FTX?
Começo dizendo de que foi o próprio CEO da Binance, quem atuou rapidamente para pagar o incêndio (em um pasto seco, em dia quente e com vento, o que sabemos que tem o risco de se alastrar rapidamente), o que por sinal foi bom e importante, pois nestes momentos de stress de liquidez, perda de credibilidade, e corrida aos saques, é essencial ter uma resposta rápida e dura, iniciando um plano de contingência de liquidez e capital.
Qual é o foco central da análise sobre Risco de Liquidez, Plano de Contingência, o Papel do Regulador e as Lições Aprendidas do Caso da Quebra da Corretora de Crypto FTX?
Reflexão sobre risco de liquidez, plano de contingência, regulação e lições do caso da quebra da corretora de crypto FTX.
Quais elementos estruturam a discussão sobre Risco de Liquidez, Plano de Contingência, o Papel do Regulador e as Lições Aprendidas do Caso da Quebra da Corretora de Crypto FTX?
A gestão de capital em uma instituição financeira é algo importante, e levado a sério pelos acionistas e controlado de perto pelas áreas de riscos.

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Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante