Artigo
23/09/2020

O que é o método de equivalência patrimonial - MEP?

Explica como o MEP mensura investimentos em participações societárias com base na variação proporcional do patrimônio líquido.

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Conceito

Trata-se de um método de mensuração de investimentos em participações societárias, aplicado quando o relacionamento societário entre as empresas seja do tipo controladora/controlada (relação de controle), investidora/coligada (relação de influência significativa) ou investidora/joint venture (empreendimentos controlados em conjunto), conforme mencionado em outro texto, onde explicamos quais investimentos devem ser avaliados pelo MEP. Outros investimentos em participações societárias, sem controle, influência significativa ou controle compartilhado, em geral, não são avaliados pelo MEP.

Antes de descrever o método, torna-se necessário estabelecer os limites que balizam um relacionamento societário considerado apropriado para a aplicação da equivalência patrimonial.

Duas situações podem ocorrer com respeito a influência que um acionista individual exerce em uma assembleia de acionistas:

  1. Influência preponderante: capacidade possuída por um acionista em influir nas decisões da assembleia (políticas operacionais e financeiras) em decorrência da parcela de ações com direito a voto por ele possuídas. Presume-se que uma participação de 20% ou mais no capital votante confira ao seu possuidor esta condição de influir preponderantemente nas assembleias;
  2. Controle acionário: o controle acionário caracteriza-se quando um acionista possui um número suficiente de ações com direito a voto que lhe permite controlar as decisões das assembleias de acionistas, determinando as políticas operacionais e financeiras da companhia. Geralmente (mas não necessariamente), essa condição resulta da posse pelo acionista controlador de mais de 50% das ações com direito a voto.

Como o nome indica, pelo Método de Equivalência Patrimonial, o valor contábil do investimento (no balanço da companhia investidora) corresponde ao valor contábil do patrimônio líquido da empresa investida, na proporção equivalente à sua participação acionária. Se a companhia investidora tiver, por exemplo, uma participação acionária de 65% em determinada empresa, a avaliação de seu investimento será equivalente a 65% do valor contábil do patrimônio líquido da empresa investida.

Para que essa equivalência seja sempre mantida, após o registro do investimento ao seu respectivo custo na data de aquisição, a empresa investidora precisará transmitir, através de lançamentos, as variações do patrimônio líquido da empresa controlada (lucros ou prejuízos do período), para sua conta de investimentos. Com efeito, os recebimentos a título de dividendos pagos pela controlada à investidora, são reduzidos do valor contábil do investimento.

Reconhecimento inicial de investimento em participação societária

Suponhamos que empresa Alfa adquiriu 2.000 (duas mil) ações que, por sua vez, representam 50% (cinquenta por cento) do patrimônio líquido da empresa Beta, ao valor total de R$ 2.000,00 (dois mil reais), perfazendo um custo unitário por ação de R$ 1,00. Tendo em vista a avaliação do investimento pelo MEP, a investidora Alfa registra como investimento em Beta, o valor de R$ 2.000,00 demonstrado conforme a seguir:

Aquisição do investimento realizado por Alfa em Beta

Débito:
    Investimento (ativo não circulante) R$ 2.000,00
Crédito:
    Caixa (ativo circulante) R$ 2.000,00

Resultado de investimento avaliado pelo MEP

Considerando que, no exercício após aquisição, Beta aufere lucro de R$ 12.000,00 (doze mil reais), e ainda, que a investidora Alfa detém 50% de participação na empresa Beta, com a aplicação do MEP, seu investimento deve ser atualizado para R$ 8.000,00 (oito mil reais). A diferença desses R$ 8.000,00 para o valor de aquisição de R$ 2.000,00, é equivalente à participação de 50% de Alfa no resultado de Beta (R$ 12.000,00 x 50%), a qual é considerada como resultado de equivalência patrimonial – REP na DRE, demonstrado conforme a seguir:

Resultado de equivalência patrimonial

Débito:
    Investimento (ativo não circulante) R$ 6.000,00
Crédito:
    Resultado de equivalência patrimonial (DRE) R$ 6.000,00

Dividendos pagos por empresa avaliada pelo MEP

Admitindo ainda que Beta distribuiu 70% dos lucros para os sócios, por meio de dividendos, e que Alfa recebeu R$ 4.200,00 (R$ 12.000,00 x 70% x 50%), o investimento de Alfa em Beta seria atualizado para R$ 3.800,00 (R$ 8.000,00 – R$ 4.200,00), equivalente à participação no patrimônio líquido de Beta após a distribuição (R$ 7.600,00 x 50%). Os registros efetuados por Alfa são demonstrados a seguir:

Recebimento dos dividendos distribuídos pela investida

Débito:
    Caixa (ativo circulante) R$ 4.200,00
Crédito:
    Investimento (ativo não circulante) R$ 4.200,00

Lucro não realizado em transações com empresas ligadas

Sempre que há transações comerciais envolvendo a investida e a investidora pode ocorrer a figura do Lucro Não Realizado – LNR, referente a um resultado que ocorre em uma empresa individual, mas que para o grupo, ainda não realizado. Por exemplo, quando a investida vende qualquer ativo com lucro (ou prejuízo) para a investidora, e esse ativo é mantido pela empresa, sem venda a terceiros, sob a visão de grupo econômico, esse lucro não foi realizado. Portanto, o resultado relativo à aquisição do ativo pela investidora deverá ser eliminado quando da atualização do MEP, até sua efetiva “realização”.

Descontinuidade do uso do método da equivalência patrimonial

De acordo com o CPC 18 (R2), a entidade deve descontinuar o uso do método da equivalência patrimonial a partir da data em que o investimento deixar de se qualificar como coligada, controlada, ou como empreendimento controlado em conjunto.

FONTES
IAS 28 / CPC 18 (R2) - Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto
IFRS 10 / CPC 36 (R3) - Demonstrações Consolidadas
Instrução CVM nº 247 de 27 de março de 1996
Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007
Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976
Manual de contabilidade societária FIPECAFI: aplicável a todas as sociedades: de acordo com as normas internacionais e do CPC / Gelbcke, Ernesto R.; Santos, Ariovaldo; Iudícibus, Sérgio; Martins, Eliseu. – 3. ed. – São Paulo: Atlas, 2018.

As opiniões dos autores convidados da nossa comunidade são independentes e não necessariamente representam a opinião da Okai.

Perguntas e respostas

O que é o Método de Equivalência Patrimonial (MEP)?
O Método de Equivalência Patrimonial (MEP) é um método de mensuração de investimentos em participações societárias, aplicado quando há um relacionamento societário do tipo controladora/controlada, investidora/coligada ou investidora/joint venture.
Quais tipos de relacionamento societário são apropriados para a aplicação do MEP?
O MEP é aplicado em relacionamentos societários do tipo controladora/controlada, investidora/coligada (influência significativa) ou investidora/joint venture (controle compartilhado).
O que é influência preponderante em uma assembleia de acionistas?
Influência preponderante é a capacidade de um acionista influir nas decisões da assembleia, devido à parcela de ações com direito a voto que possui. Presume-se que uma participação de 20% ou mais no capital votante confere essa condição.
O que caracteriza o controle acionário?
O controle acionário ocorre quando um acionista possui um número suficiente de ações com direito a voto que lhe permite controlar as decisões das assembleias de acionistas, determinando as políticas operacionais e financeiras da companhia. Geralmente, isso resulta da posse de mais de 50% das ações com direito a voto.
Como é calculado o valor contábil de um investimento pelo MEP?
Pelo MEP, o valor contábil do investimento corresponde ao valor contábil do patrimônio líquido da empresa investida, na proporção equivalente à participação acionária da investidora. Por exemplo, se a investidora possui 65% de participação, o valor do investimento será 65% do valor contábil do patrimônio líquido da investida.
Como são registradas as variações do patrimônio líquido da empresa investida no MEP?
Após o registro inicial do investimento, a empresa investidora deve transmitir as variações do patrimônio líquido da empresa controlada (lucros ou prejuízos) para sua conta de investimentos. Os dividendos pagos pela controlada à investidora são reduzidos do valor contábil do investimento.
Como é feito o reconhecimento inicial de um investimento em participação societária pelo MEP?
O reconhecimento inicial é feito registrando o valor do investimento ao custo de aquisição. Por exemplo, se a empresa Alfa adquiriu 2.000 ações que representam 50% do patrimônio líquido da empresa Beta por R$ 2.000,00, Alfa registra esse valor como investimento em Beta.
Como é calculado o resultado de equivalência patrimonial (REP) no MEP?
O REP é calculado atualizando o valor do investimento com base no lucro ou prejuízo da empresa investida. Por exemplo, se Beta teve um lucro de R$ 12.000,00 e Alfa possui 50% de participação, o investimento de Alfa é atualizado para R$ 8.000,00, refletindo 50% do lucro de Beta.
Como são registrados os dividendos pagos por uma empresa avaliada pelo MEP?
Os dividendos pagos são registrados reduzindo o valor contábil do investimento. Por exemplo, se Beta distribuiu 70% dos lucros e Alfa recebeu R$ 4.200,00, o investimento de Alfa em Beta é atualizado para R$ 3.800,00.
O que é lucro não realizado em transações com empresas ligadas?
Lucro não realizado (LNR) ocorre quando há transações comerciais entre a investida e a investidora, e o lucro gerado ainda não foi realizado sob a visão do grupo econômico. Esse lucro deve ser eliminado na atualização do MEP até sua efetiva realização.
Quando deve ser descontinuado o uso do método da equivalência patrimonial?
De acordo com o CPC 18 (R2), o uso do MEP deve ser descontinuado quando o investimento deixar de se qualificar como coligada, controlada ou empreendimento controlado em conjunto.

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Eric Barreto

Partner e Prof. do Insper