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O momento da Contabilidade Corporativa

Transcrição

O momento da contabilidade corporativa. Nos últimos 20 anos, acho que a principal grande mudança na contabilidade, tanto no Brasil quanto. No resto do mundo foi uma harmonização contábil, com mais de 100 países adotando normas internacionais de contabilidade. Normas é emitidas pelo IFRS ou IFRS. Então adotamos um padrão Internacional de contabilidade, a normatização contábil, ela evolui. À medida que a gente tenha. Grandes casos de fraude, grandes crises, né? Os normatizadores são empurrados por por esses eventos e também pela evolução dos negócios, pela evolução. Tecnológica. Eu vou lembrar de um bordão do meu grande mestre, professor Nelson Carvalho, que é account infolows Economics quem foi aluno do professor Nelson Carvalho? Já deve ter escutado essa frase, né? A contabilidade ela evolui à medida que os negócios evoluem também, mas ela evolui também quando acontecem casos de fraude. Quando acontecem crises, então, lá em 2008, quando a gente teve aquela, é grande crise Internacional, uma crise que afetou mercado imobiliário americano. O mercado bancário, primeiro americano, depois europeu. E isso respingou até aqui no Brasil também, né? A gente teve 11. Problema de liquidez bastante grande. A gente fala dos bancos, mas isso afetou. Bastante. Mercado de commodities como você fecha o mercado Internacional? É o mercado de commodities ou o mercado é de o comércio Internacional? Ele fica travado também, né? Então. Muitas coisas aconteceram, EE acabaram forçadamente evoluindo nesse nesse período. Né, em termos de normas contábeis, é, a gente teve um comitê de estabilidade, né? Que que? Teve é pessoas do dos Estados Unidos, da Europa, de diversos países, inclusive do do Brasil também, né? Participando para discutir o que motivou, o que agravou aquela crise e fazer AAA normatização. Aqui eu não estou falando só da normatização contábil, mas. Da normatização relacionada à à fluxos financeiros. A pagamentos nacionais e internacionais. A é, é concentração bancária? É, é, é um Monte de coisas, mas. Vamos falar aqui e vamos voltar para o nosso tema, que é normatização contábil. Então, nesse período foi discutido a contabilidade e a valor justo. Ou seja, será que faz sentido a gente? Ter itens do Balanço contabilizados pelo valor justo, né? Pelo seu valor de mercado e não só pelo custo histórico tradicional. Custo histórico. Isso foi discutido lá. É, é após crise de 2008, né? Por quê? Porque tinha uma teoria, inclusive. Esse é o tema da minha dissertação de mestrado, que eu defendi em 2009, se eu não me engano. É, esse foi Oo ano. É Oo tema da minha dissertação de mestrado era Oo impacto da contabilidade e a valor. Justo na crise de 2008, né? E aí eu conversei com uma série de economistas. Como é Delfim Netto, Mailson da Nóbrega, Armínio Fraga, Gustavo Franco, Gustavo Loyola, Ilan Goldfajn, enfim, estou esquecendo. Uns 10 aqui, mas são economistas bastante relevantes aqui no. No Brasil, né? E a ideia era justamente conversar com economistas e não com contadores, para saber se, na visão deles, a contabilidade é valor justo. Tinha alguma culpa no agravamento da crise, né? AAA teoria que alguns colocavam é que. Quando você mostrava no Balanço, ó, eu tenho um ativo que custava 100, e aí, com a crise, o preço desse ativo caiu para 70. Quando você mostra isso no Balanço, você cria mais pânico, e esse preço que caiu para 70, ele cai mais ainda. E cada vez que você mostra no Balanço que esse preço caiu, ele vai criando um efeito espiral e vai caindo mais ainda, né? A conclusão do meu trabalho baseado. Na Na entrevista que eu fiz com esses economistas é que a contabilidade é valor justo. Era só o mensageiro, né? E de alguma forma? Os entes do mercado, eles teriam essa informação do da queda do valor justo dos ativos por outras formas, não é exatamente pelo Balanço, pela contabilidade. Está. Outro assunto que foi bastante discutido nesse período foi sobre a provisão. Para perdas de crédito, né? As perdas esperadas dos créditos de liquidação duvidosa. É esse item? Ele foi discutido por quê? Na contabilidade padrão Internacional, padrão IFRS. Oo modelo de perdas que era reconhecido era de perdas incorridas. Ou seja, você só reconhecia a perda quando já tinha um efeito. É, é um evento de perda na contabilidade norte-americana. Se reconhecia? É essa essas perdas, não é essa provisão num conceito de perdas esperadas. Então, pós 2008, esse item foi bastante discutido e. A conclusão foi que é o modelo mais próximo do americano, né? O modelo de perdas esperadas deveria ser adotado e isso mudou AA contabilidade do IFRS, né? A agora a gente. É no IFRS no Brasil, a gente adota modelo de perdas esperadas também, porque você é reportar perdas pelo modelo de perdas incorridas em um momento de crise, um momento que essa perda aparece mesmo. Parece que é muito tarde você informar o leitor das demonstrações financeiras, então é melhor você antecipar essas essas perdas, né? Essa informação das perdas. É estimando as perdas esperadas, está. Um outro assunto foi a venda ou a baixa de ativos financeiros, né? As regras? Para baixa de ativos financeiros. É por que que esse assunto foi tão importante? Pós-crise de 2008? Porque o próprio. Lemhamb Brothers, que foi o grande banco americano que quebrou lá na época. Um dos problemas do do banco é que ele vinha fazendo um tipo de transação. Que ele tinha um ativo é deteriorado, não é? 11 parte da carteira de crédito estava com. Com problemas de crédito e sempre às vésperas do Balanço. O que que eles faziam? Eles pegavam essa carteira de crédito, vendiam para um terceiro e depois da data do Balanço, eles recompravam de volta. Pelas regras da contabilidade Americana da época. Essa esse tipo de transação que eles chamavam de ripple 105. Quem for? Quiser pesquisar isso é um é um item, é um negócio interessante. Ripple é 11 sigla, né? De ripper chace agreement, mas normalmente se escreve REPO, né? REPO 105 é é o tipo de transação que o Lehman Brothers fazia de vender esses ativos podres na véspera do Balanço, comprar de volta alguns dias depois do Balanço e ele era ripple 105 porque. Comprava por 105% do do do valor de venda. Não é mais ou menos esse Oo negócio. E o que acontecia não é essa, essa transação com com essa transação. O Lehman Brothers tirava o ativo podre do Balanço e trocava ele por caixa, então o Balanço era apresentado. Bonitinho, né? Na contabilidade Internacional, na regra que a gente tinha lá já Na Na época, né, em 2008? Se o Lehman Brothers fizesse essa mesma transação e contabilizasse pelo padrão IFRS. É, ele IA olhar. Para essa transação e perceber que os riscos e os benefícios desses ativos vendidos eles. Substancialmente permaneceriam dentro da instituição. Então os ativos podres não sairiam do Balanço, eles continuariam dentro do Balanço do do Lemann Brothers, tá? Então isso mudou, nesse caso, a contabilidade Americana, né? OOOOIFRS, ele já vinha com 11. Regra adequada, né? Para esse tipo de negócio, para esse tipo de risco, e aí? Quem adotava o padrão Internacional padrão IFRS permaneceu. Com com as regras existentes à época? Bom, falando aqui eu estou falando da da evolução da normatização, né? E me vem à cabeça uma atividade que eu executei. Por alguns meses ou anos, né? É no começo da minha carreira isso. É século passado, né? É, e ele literalmente século passado. Não estou nem forçando a barra aqui. Foi quando eu comecei a minha carreira. Nessa época, cada vez que o banco central mudava alguma norma, uma norma contábil é alguma coisa que esbarrasse ali No No contábil. Tinha uma atualização da norma, obviamente, né? E. O banco que eu trabalhava, ele mantinha fisicamente. Uns livros, né? Que tinha lá o cosif, a contabilidade bancária tinha OMNIO, manual de normas é e instruções do cosif, então, quando mudava uma norma. É, a gente recebia pelo correio. Um envelope. Dentro desse envelope tinha as páginas que deveriam ser trocadas nesses livros, né? No MNI, No No cosif. Então eu recebia, vinha lá trocar a página. 115 por esta nova página. Ou às vezes ele mandava uma instrução simplesmente para rasgar algumas páginas, porque era alguma norma que foi revogada, né? Algum é dispositivo ali que foi revogado, que não tinha mais validade, então sempre vinha isso, ó, substituir, incluir em tal, em tal parte. Destruir, né? Eu fazia isso de forma manual. Era um negócio que dava. Um baita de um trabalho. Imagina você fazer isso hoje, não é? É? Como é que você faz esse tipo de atividade hoje em dia, hoje? É, no geral, a as legislações, as normatizações da CVM, do banco central, da susep, da agência nacional de águas. Essa, essa normatização toda, toda essa, esse regulatório, ele chega às empresas de forma eletrônica. As é, é as instituições aí. Elas publicam normalmente nos seus sites, né? É nas suas plataformas. Elas publicam a normatização e aí as empresas vão lá consultar essas novidades. Né? Esse é o tipo de atividade que eu falo que tem que ser automatizada, né? O contador, ele não precisa ficar atuando em atividades repetitivas, como é. É essa que eu fazia. AAA, mais de 20 anos atrás, né? Ele precisa de produtividade para poder focar em atividades Nobres. Né, e eu estou dando como exemplo aqui o que eu fazia lá. Com atualização dos dos manuais do banco central. Mas a gente pode pensar em em em outras atividades repetitivas, como conciliação de contas, né? É conciliação de de saldos. O contador. Ele tem que focar em atividades Nobres. Ele tem que multiplicar conhecimento, fazer análises, dar insights para tomada de decisão. Esse é o papel do contador do futuro.