Artigo
28/07/2023
Atualizado em 10/04/2026

"Siga o Dinheiro" X Fortes Indicadores de PLD: Notícias de Casos Suspeitos envolvendo: Bens de Luxo + Uso de Laranjas sem Capacidade + Vaquinhas

Investigações revelam suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo carros de luxo registrados em nomes de laranjas, movimentações financeiras incompatíveis e uso de vaquinhas para ocultar origem dos recursos.

Resumo

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A frase “Siga o dinheiro” (“Follow the money”) ficou mundialmente conhecida durante a investigação feita pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein do jornal Washington Post durante o caso Watergate na primeira metade da década de 1970, e se tornou um clássico da prevenção à lavagem de dinheiro de origem criminosa.

Muitas décadas se passaram, mas esta estratégia continua mais atual do que nunca, e trouxe ao longo dos anos com novas exigências regulatórias, uma maior responsabilidade para as instituições e empresas envolvidas, assim como um maior "poder de fogo" para o órgão de inteligência financeira, e consequentemente os órgãos investigativos.

Falo tudo isto porque não paro de ler diariamente notícias de sinais claros de lavagem de dinheiro, seja envolvendo criminosos organizados de facções, seja de políticos e órgãos públicos, e hoje resolvi comentar a respeito, pois os sinais são claros de que algo estranho estava acontecendo, tanto que foram pegos e estão sendo investigados.

Sem entrar no mérito de como é que a mídia consegue informações sigilosas como estas, mas acabamos ficando sabendo do resultado de prováveis comunicados feitos por instituições, que geraram relatórios de inteligência do Coaf.

Mas começo falando do caso desta foto, envolvendo bens de luxo, com McLaren, Ferrari, Porsche e outras dezenas de carros de luxo que foram apreendidos pela polícia em SP por suspeita de lavagem de dinheiro para o crime organizado (PCC - facção criminosa que age dentro e fora dos presídios).

Segundo a investigação, alguns dos carros estão registrados nos nomes de pessoas com poder aquisitivo incompatível com os valores, levando à suspeita de que são apenas laranjas. Além dos carros, uma pessoa foi presa por porte ilegal de munição e muito dinheiro em espécie (normalmente um forte indicador de lavagem).

Me lembrou ainda o caso de uma recente Ferrari vermelha com um ano de uso, que foi apreendida na semana passada no porto do Rio vinda da Alemanha em um contêiner, em nome também de outro laranja, que nem IRPF tinha declarado, também sem conseguir comprovar a capacidade financeira. O que me faz neste caso pensar em quem fechou esta operação de câmbio sem a devida diligência de verificar esta informação básica de conheça seu cliente (KYC).

Veja este caso outro que ganhou destaque na mídia hoje, em que a empresa "Cedro Líbano Comércio de Madeira e Materiais de Construção", cujo faturamento mensal é estimado ao redor de R$ 250K, mas movimentou mais de R$ 33M entre janeiro de 2020 e abril de 2023, sendo R$ 16,6 milhões em crédito e R$ 16,6 milhões em débito, ou seja, entra e sai da conta. Infelizmente não temos mais detalhes de quem mandou o dinheiro e para onde foi o dinheiro, mas que deveria despertar atenção dos sistemas de monitoramento não tenho dúvida.

Sendo que os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do COAF ao analisar essas transações destacam que “chama atenção a aparente incompatibilidade entre o porte/estrutura vis a vis e o volume transacionado a crédito no período analisado, o que supostamente pode demonstrar que o cliente esteja utilizando a conta para transacionar recursos provenientes de atividades não declaradas”.

A Cedro Líbano, criada em 2008 e sediada em Goiânia, recebeu do governo federal aprox. R$ 300K entre 2020 e 2022, sendo que desse valor total aprox. R$ 188K foram pagos pela estatal Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). Sendo que depois de questionada a Codevasf informou que o montante se referia à compra de “quatro plantadeiras e adubadeiras mecanizadas” para um projeto no Amapá, o que pode ser uma possível boa explicação, mas por outro lado a empresa envolvida nada falou a respeito. Vamos aguardar as investigações da PF.

Mas no relatório do COAF outras operações envolvendo a Cedro Líbano chamaram a atenção do Coaf, envolvendo uma série de repasses a um servidor público, que passou a ser investigada pela PF sobre movimentações financeiras de cartões corporativos.

Sem entrar no mérito político, e falando genericamente, mas acho que o uso de sites e contas de vaquinhas arrecadatórias para um motivo qualquer, também precisa entrar no radar das instituições, pois recebem muitas vezes um volume alto de recursos, de diversas pessoas (algumas vezes milhares), e podem ser uma forma de lavar dinheiro de origem suspeita, no meio de outras legítimas. Quem está mandando dinheiro para quem? Mais uma vez siga o dinheiro, que algumas vezes propositalmente dá algumas voltas maiores para não chamar tanta atenção e atingir seu objetivo de ser lavado.

É um caso atrás do outro! O que mostra que as instituições precisam estar ligadas e fazer um bom conheça seu cliente, assim como um bom monitoramento das operações, para evitar que casos como estes que depois saem na mídia, e podem ter impacto de risco de imagem, para não dizer também de multas e processos administrativos.

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Atualizado Verificado em 16/07/2026

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Perguntas e respostas

Como KYC e monitoramento se complementam?
O KYC verifica perfil e capacidade do cliente, enquanto o monitoramento compara transações reais com esse perfil e investiga origem, destino e propósito dos recursos.
Por que bens de luxo podem ser indicadores de lavagem de dinheiro?
Veículos e outros bens registrados em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível podem indicar uso de laranjas para ocultar propriedade e origem de recursos.
Por que contas de arrecadação coletiva merecem monitoramento?
Elas podem receber muitos pagamentos e grandes volumes, exigindo análise sobre remetentes, beneficiários e finalidade para distinguir fluxos legítimos de operações suspeitas.
Qual incompatibilidade chamou atenção no caso da empresa comercial?
A movimentação financeira era muito superior ao faturamento estimado e à estrutura aparente da empresa, com valores semelhantes entrando e saindo da conta.

Conteúdo gerado com apoio de IA. Não substitui análise profissional.

Autor

LL

Luiz Henrique Lobo

Membro Independente de Conselhos | Comitê de Riscos da Caixa e de Auditoria da BR Partners | Consultor e Palestrante