Começamos então agora o módulo três.
E você deve estar se perguntando assim: "Nossa, esse módulo três, o que você vai
trazer nesse módulo três?". Vamos lá.
Primeiro, tem uma coisa interessante, que a gente fala sobre fluxo de garantias.
Como que esse fluxo de garantia funciona
adequadamente? E aí você começa a pensar assim: "Puxa vida, tem um fluxo de
garantia,
onde as operações têm que ser muito bem determinadas,
mas como que esse fluxo está olhando para o nosso
processo?" Então vamos pensar da seguinte maneira.
Vamos
pensar no teu processo em si.
A gente faz operação e a gente promove
toda uma questão da nossa operação em si.
E você começa a pensar: "Olhando bem para isso, eu falo assim: 'Às vezes, o nosso
grande problema aqui não é fazer a operação em si, é entender até
onde esse nosso cliente, o nosso cooperado,
o nosso associado, vai nos auxiliar nesse processo'".
Porque ele também, às vezes, não é tão claro.
Porque eu digo assim: uma operação de crédito é igual uma
foto. Pensa na seguinte situação: imagina você,
quando você casou.
E olha a sua foto agora, depois de alguns anos de casado. Mudou bastante.
Eu mesmo posso garantir
que a foto do meu casamento para agora, deve estar uns 20 quilos mais pesada.
Fácil. Mas você pega alguma coisa de um período anterior seu e olha
isso agora e vê como que isso está evidenciado no teu processo.
Como que isso funcionou dentro do seu
trabalho, dentro dessa questão sua de fazer essa operação.
Então eu sempre falo para as pessoas que o fluxo de garantia
tem algumas questões que são muito particulares.
Por que ela é particular? Porque às vezes, a gente olha para as
questões e pensa o seguinte: eu tenho que documentar, ter
uma proposta de negócios
a ser realizada, eu tenho uma questão que eu preciso olhar,
que é a aprovação disso, quais são as garantias que estão sendo dadas para essa
questão,
como constituir essa garantia, como formalizar e, obviamente, aguardar essa
documentação,
que será comprobatória. Então as garantias podem ser: nas pessoais, você vai ter
aval e fiança.
Você tem a questão do avalista.
Ou você tem a questão do devedor.
Eu vou até adicionar aqui para vocês.
A garantia pessoal, aval ou fiança, ou quando você pensa na pessoa
jurídica. Na pessoa jurídica, você começa a pensar o seguinte:
olhando a operação em si, você tem as garantias reais, que
são cessão fiduciária, a questão da hipoteca, alienação fiduciária, penhor e
outras garantias que possam ser recebíveis e assim por
diante, que vão te dar essa condição.
Mas aí você fica pensando: então, por que quando você estava falando aqui, no
começo, sobre a questão da
constituição da garantia, da formalização da garantia e aguardar a documentação?
Por essa questão básica, que eu vou mostrar para você agora.
Porque se você pensar, o registro da garantia é um instrumento
contratual, que você tem a ser realizado, entre as partes.
E aí você tem o seu cartório, com cartório de registro de imóveis e títulos de
documentos.
Então você pode ter alienação fiduciária, hipoteca, você pode ter CCBs,
com contrato com hipoteca, você pode ter alienação e cessão fiduciária, a alienação
fiduciária de veículos, penhor mercantil e assim por diante.
Então você tem N questões que podem ser utilizadas como garantias reais,
principalmente no que tange a gente falar de pessoa jurídica.
A pessoa jurídica, e às vezes até com a pessoa física, dependendo da
operação. E aí você pensa o seguinte: a gente tem tudo isso, a gente cria todo esse
processo de formalização, de análise, e aí eu vou fazer uma pergunta para você:
como monitora?
Como monitorar para saber se estão usando bem o nosso produto, estão usando nosso
serviço, as nossas operações, como eu faço o monitoramento?
Até porque a gente tem regras muito pesadas com relação a isso pelo próprio Banco
Central. Então quando você fala de monitoramento de transações, a gente pode ter o
seguinte: olhando as regulamentações e olhando a questão de
compatibilidade das transações com a situação patrimonial, a ocupação profissional,
a oscilação comportamental em relação ao volume, frequência e modalidade das
transações, das operações, identificação dos benefícios finais e operacionais,
dos beneficiários finais e operacionais, não são benefícios, beneficiários.
A transferência e pagamentos a terceiros, clientes categorizados como alto risco e
clientes com especial atenção dentro dessa operação, aqueles clientes que têm os
benditos red flags, as pessoas politicamente expostas em sua totalidade,
procuradores, representantes legais.
Então assim, gente, a questão que eu quero deixar bem clara com vocês aqui é assim:
dar crédito pode ser até fácil, o problema é trazer o dinheiro de volta.
Emprestar dinheiro,
ele tem que ter regras específicas, você está tratando com dinheiro que não é seu,
com dinheiro que é dos outros.
Então você tem que prestar conta. Você tem toda uma questão dos riscos
envolvidos. E só para vocês terem uma ideia disso.
O Conselho Monetário Nacional, por meio do Banco Central, tem criado algumas regras
específicas, já utilizando o IFRS 9, que está
justamente falando sobre a questão da gente entender as operações de crédito, o
reconhecimento das provisões, com base no histórico, com base no
perfil de utilização do nosso produto.
Então você está criando uma ferramenta, que vai determinar que você tenha que
monitorar melhor os teus processos.
Então o monitoramento é entender o comportamento, entender o perfil, o histórico
dele de bom pagador ou não, porque a gente vinha com algumas regras já
específicas, que era a classificação.
Entrava classificado como A, B, C, D, E, F, até o H.
E agora, na realidade, não bem agora, a partir do ano que vem, já começa a
ter uma mudança de entender o histórico dos últimos cinco anos, se ele é bom
pagador. Lembra do Cadastro Positivo?
É mais ou menos aquilo, mas com uma forma mais financeira, com uma forma mais
técnica, não só o cadastro financeiro, Cadastro Positivo, mas toda a forma como
opera, como se relaciona, como gasta.
Todo o processo tem que ser analisado para entender se aquela possibilidade de
perda existe ou não. Isso é um processo, é uma abordagem baseada em
risco. Então a abordagem baseada em risco é o entendimento de processo, operação,
fluxo. Tem todo um contexto que tem que ser muito bem trabalhado pela gente.
Então internamente, não é só pegar as resoluções do Conselho Monetário, do Banco
Central. Lembre-se, você tem que conversar com a sua mesa de operações, você vai
ter que conversar com sua área fiscal, vai ter que conversar com a sua
contabilidade, com a sua TI, porque é tudo uma questão tecnológica, de obtenção de
base, de indicadores, de informações, para que isso seja bem classificado
internamente e análise dessa questão. E um detalhe, não é só receber a garantia.
A garantia também com o passar do tempo, também perde o seu valor.
Vamos pensar num simples, num carro.
Você acabou de financiar um veículo de R$ 120.000.
No primeiro ano, esse carro sofre uma depreciação de 20%.
No segundo ano, mais 20. Então em cinco anos, esse carro não tem mais valor
contábil, porque ele está 100% depreciado.
Existe um valor econômico,
mas depende do estado dele também, porque se o carro não foi bem conservado, ele
não vai ter aquele valor econômico.
Se ele estiver em má condição, não vai ser aquele valor.
E aí tem uma questão, que se você é uma pessoa jurídica e vende esse carro depois,
ele vai te dar um imposto, porque você depreciou ele 100%.
E depois de cinco anos,
ainda você vai fazer uma venda, sei lá, calculou 120, vai vender ele por 50 ou 60,
que seja. Aí a questão é que você vai ainda pagar imposto em cima disso.
Então tudo tem que ser uma questão do entendimento do processo, das garantias, do
valor, da valorização e assim por diante.
Os recebíveis, se o seu cliente está trocando os recebíveis dois, três dias
antes do vencimento e te dando um nó, ele está dando uma barrigada na operação.
Monitore esse comportamento do teu cliente, do teu associado, do teu
cooperado, sobre essa questão. Toma cuidado, porque isso é muito importante nessa
questão. Não é só criar um processo de garantia, mas é a questão do acompanhamento,
da utilização do teu produto, da utilização do teu serviço e o principal, do teu
dinheiro.
Isso é o principal ponto que a gente tem que entender.
É essa a questão principal do módulo três.
Não é fazer toda a operação de crédito, de liberação da operação.
É o monitoramento do comportamento dele com relação ao nosso produto, ok?
A gente se vê em breve, no próximo módulo.
Mas olha o seguinte, lembre-se: tem dúvida?
Faça sua pergunta, questione. Nós vamos ter o formulário de perguntas para que eu
possa responder vocês e obviamente, com todas essas perguntas geradas por vocês, a
gente vai criar um módulo complementar para tirar dúvidas e possivelmente também um
SAC interno no próprio treinamento.
E eu conto muito com vocês nessa questão também.
Até mais, até o próximo módulo.