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Créditos problemáticos: causas e acompanhamento

Transcrição

Módulo cinco. Nós vamos falar um pouquinho dos créditos problemáticos. "Como assim, Ace?" Nós vamos falar como surgem os créditos problemáticos. Mas deixa eu entender. Às vezes já começa a pensar na negligência dos critérios básicos de crédito. Entender a falta de finalidade clara e de fontes líquidas de repagamentos. Como que eu dou crédito para alguém, e não tenho certeza de como ela vai me pagar? E é interessante, gente, vou até minimizar aqui pra vocês olharem bem pra mim, que é o seguinte: vocês estão percebendo que tudo que a gente for fazer na sequência do negócio, da operação com a instituição, vai estar sempre embasada na nossa principal entrada de quem entrou pra fazer a operação conosco? Como facilita muito mais o nosso processo de operacionalização do nosso crédito, das nossas transações, das movimentações com o que a gente faz? É impressionante isso, e eu fico pensando às vezes como que as pessoas não olham pra isso. As garantias inexistentes, superavaliadas ou pouco líquidas. Eu uma vez ouvi de um cliente, que o cara recebeu um terreno como garantia, e aí nós fomos fazer a visita no terreno. O terreno era uma ribanceira. Ela tinha uma calçada, tinha alguns prédios do lado, a gente foi olhar os prédios do lado, eles tinham três ou quatro lajes pra poder chegar na altura da rua. E alguém recebeu aquilo como garantia. O cara deu como garantia e não pagou e falou assim: "Vai lá e toma". Porque ele sabia que não tinha o que fazer com aquele terreno. Mas a gente fala, a gente é chato, a gente fica criticando, e aí quando o problema acontece. Outra coisa, cronograma de liquidação incerto ou muito dilatado, aprovação de limite excessivo para o porte do cliente, análise de crédito superficial, pressões recorrentes da competição comercial levam à aprovação em condições e termos inadequados. Ele fala assim: "Se você não fizer, vou fazer com fulano que a taxa está melhor". E às vezes você já sabe que o fulano não tem a taxa melhor. Por que ele está falando isso pra mim? Lógico, faz uma pressão pra você não perder o negócio, então às vezes é melhor não perder. É melhor perder o negócio, na realidade, não fazer. Então olhando bem pra isso, e aí uma falha na avaliação dos pontos fortes e fracos da administração do cliente. Poxa vida, gente, por que essas coisas acontecem? Porque às vezes a gente não tem o preparo de fazer o trabalho adequado do entendimento do nosso cliente. Falha no entendimento do controle do grupo econômico, depois quando acontece, você não sabe quem é quem. Por exemplo, eu estou com um problema sério aqui no prédio. Foi contratado um administrador, que na época muita gente criticou, mas não foi feito nada. Assinou o contrato com essa empresa, essa empresa não tinha cliente suficiente, não aguentou, e aí ela foi vender a carteira toda, que ela tinha sei lá, cinco ou seis clientes, pra uma outra empresa. Essa empresa não viu que tinha condição de assumir essas questões. O que aconteceu? Eles sumiram. Nós agora estamos fazendo busca e apreensão de documentação do condomínio, porque simplesmente esses caras sumiram, desapareceram do mapa. Então isso acontece o tempo todo. E cadê o pessoal que trabalhava? Eram tudo terceiros, que também saíram antes, quando viram que a coisa não estava adequada, picaram a mula, só que ninguém avisa a gente. Aí você acaba se tornando vítima, isso porque é o prestador de serviço. A nossa sorte aqui, que estava tudo sendo monitorado adequado, não houve desvio. Mas poderia acontecer. Então, essa questão sempre de entender essas operações de controle. Financiamentos concedidos a clientes concentrados em um só produto, com fraca capacidade de adaptação a riscos sistemáticos, ignorar mudanças nas condições econômicas, falta de contato contínuo e planejado com a administração da empresa, tem que estar sempre próximo, principalmente dos clientes com problemas, aumento rápido de risco em pouco tempo, e às vezes a gente também é um grande participante nisso. Incapacidade de detectar ou falta de vontade de reportar os primeiros sinais de perigo. Sabe uma preguiça de mostrar que a empresa está endividada, que você fez uma operação indevida, e aí: "Ai, eu fui surpreendido". Não, não foi surpreendido, é só monitorar adequadamente, como a gente já falou lá nos módulos anteriores, se não me engano, no módulo dois e três, olhando o monitoramento, você já perceberia que alguma coisa não estava adequada, não precisava dar mais liberação de operação. E aí você tem que começar a olhar os possíveis sinais de perigo. Quais são os fatores externos que podem acontecer com o nosso cliente? Acontecimentos adversos no setor, desempenho desfavorável de concorrentes, deterioração da economia, fatores gerenciais, respostas evasivas pras questões diretas referentes à performance, recusa à solicitação de informações internas, uso de práticas contábeis incomuns ou mudança nos princípios contábeis. Nossa, isso chama-se contabilidade criativa. Gastos excessivos com benefícios a credores, que é justamente transferindo dinheiro da empresa. Tirando dinheiro da empresa pra outros fins, outros propósitos. Fatores financeiros, deterioração de indicadores financeiros dessa empresa, vencimento de dívida de curto prazo descasado das realizações a curto prazo, capital de giro negativo, incapacidade de liquidar seus compromissos de curto prazo em determinado momento, evidências de que outros bancos ou outros credores, fornecedores, estejam recusando crédito ou concedendo em termos e condições mais rígidos, tipo se você pagar visto eu te entrego. Então às vezes os sinais estão tão próximos. E dependendo de onde a gente está, eu trabalho muito com cooperativa de crédito no interior de Rondônia, no interior do Mato Grosso, no interior de São Paulo, interior do Rio Grande do Sul, interior de Santa Catarina, do Paraná, Minas. Gente, a cidade sabe o que está acontecendo. A gente sabe quem está ruim das pernas, quem não está, quem está com dificuldade, quem está endividado. A gente sabe quem está se dando muito bem. A gente sabe tudo isso. E aí essas questões são essenciais pra que esse negócio funcione. É muito importante que a gente entenda isso. E mais, descumprimento ou violação de cláusulas contratuais com o banco ou com terceiros, pedido de extensão ou prorrogação dos prazos e vencimento das obrigações, uso excessivo de limites, inclusive contas devedoras, perspectiva de redução de faturamento, volume de pedidos, redução dos padrões de crédito pra aumentar as vendas, venda de ativos, e aí começa toda essa celeuma que eu vou dizer aqui, pra que os processos não sejam devidamente avaliados, entendidos e preparados. Então não é só fazer o crédito, é acompanhar, entender se está pagando, se não está pagando, se está tendo problema ou não. Gente, é muito simples, demanda um pouco mais de carinho e atenção pro processo. Aí você deve falar assim: "Simples nada, Ace". Exatamente, estou falando de simples pra quem tem domínio, pra quem já está acostumado com isso e vê essa questão funcionando. E aí, como que a gente faz isso funcionar adequadamente? Com procedimentos, com indicadores de performance, com reuniões periódicas pra que isso funcione. Eu lembro quando eu trabalhava no Banco ABC Brasil, eu tinha um diretor de crédito que todo dia 20 fazia eu gerar todo o relatório de atrasos e fazia a classificação dizendo o seguinte: "O cara está aqui com uma previsão de 3%. Esses 10 dias que vão passar, se a gente não acertar, ele sai de 3% pra 10% da dívida dele". Então a gente fazia toda essa projeção, ele chamava cada um dos gerentes de negócio e cobrava deles alguma solução pra aquilo, uma renegociação, pedia recebíveis, mandava ir atrás. E aí quando chegava o fechamento do mês, a gente não era surpreendido, porque a gente já tinha noção do que poderia acontecer. Se resolveu, renegociou, aí estava tranquilo. Se não, a gente já sabia qual era o impacto, e aí na reunião seria uma briga bacana. Mas a gente fazia todo esse monitoramento. E aí, você já fez isso do teu lado? Já pensou em fazer isso adequadamente? Chamar os gerentes que estão com os clientes, com os problemas, pra saber o que eles estão fazendo com esse monitoramento? Então, essa é a nossa dica do módulo cinco. Entender esses créditos problemáticos e como buscar solução pra eles, ok? Até mais, a gente se vê no próximo módulo.