Nós vamos dar um outro exemplo com um hedge de valor justo. Uma instituição protege R$ 100 mil da sua carteira de recebíveis: uma carteira ativa. Essa carteira de recebíveis é prefixada. E para sair desse risco de ter um ativo prefixado -- e provavelmente essa instituição tem passivos pós-fixados --, a instituição faz um swap trocando Pré por CDI. Então swap está trocando uma taxa Pré de 2% pela variação do CDI. Claro que na vida real essa taxa prefixada provavelmente seria bastante maior para a gente comparar com 100% do CDI, mas considere que isso é apenas um exercício. Então vamos considerar que a taxa DI está mais próxima desses 2%. Historicamente isso nunca aconteceu no Brasil: de ter uma taxa tão baixa... Pelo menos, no período pós-redemocratização isso não aconteceu. A pergunta aqui é: "Qual seria a diferença no Balanço e na DRE, se tivesse designado essa estrutura como hedge accounting?" Antes de responder isso, vamos dar uma olhadinha para os números, para o que a gente tem. Nós temos uma carteira de empréstimos prefixada que tem um valor de R$ 102 mil. Ela tem um valor principal de R$ 100 mil e tem um valor de juros no Balanço de R$ 2 mil. O hedge que nós temos transforma pré em pós-fixada. E como não tem designação de hedge accounting ainda, o swap... Cada pedacinho do valor do swap está aqui. E logo abaixo você tem DRE. Os efeitos do empréstimo, o accrual dele, R$ 2 mil, já está na DRE. E o swap: tanto o accrual dele, que é R$ 500, como a marcação a mercado do swap, que é - R$ 1 mil, estão lançados na DRE. O valor de - R$ 1 mil é composto pelo quê? Vamos pegar cada valor aqui. O accrual do swap. O accrual do swap é R$ 500, esse R$ 500 é a diferença do accrual CDI, que é R$ 2500, e do accrual da ponta prefixada, que é R$ 2 mil: accrual menos accrual dá R$ 500. A marcação a mercado: a gente tem aqui um pedacinho dela, que é - R$ 200, na ponta ativa, mais R$ 800 na ponta passiva. Se a gente fizer - R$ 200 menos R$ 800 vai dar - R$ 1000. Então esse é o probleminha que a gente tem quando não faz hedge accounting: a marcação a mercado do derivativo lança volatilidade no resultado. Então, se eu fizer um hedge aqui, seria um hedge de valor justo, porque eu estou com uma carteira que é prefixada, ela já tem fluxos de caixa conhecidos, fixos, e eu estou destravando esses fluxos. Então "hedge de valor justo". Qual seria o efeito do hedge de valor justo? No hedge de valor justo, eu ia marcar a mercado a carteira de empréstimos. Mas quando a gente fala "marcar a mercado o objeto de hedge", o que a gente está fazendo, na verdade, é mensurar o valor justo somente do risco que está sendo protegido, não de todos os riscos dessa carteira, mas do risco que está sendo protegido. Então a gente está considerando que o valor justo dessa carteira de empréstimo, a marcação a mercado dela, seria a mesma marcação a mercado que nós temos no swap. Ou seja, se eu tenho uma marcação a mercado de - R$ 1 mil no swap, eu tenho uma marcação de R$ 1 mil na carteira de empréstimos. Como é um hedge de valor justo, a contrapartida desta marcação a mercado está na DRE. Então, quando a gente olha para essa DRE agora, o que sobra? Sobram somente o accrual do empréstimo e o accrual do swap. Na soma, a gente tem o quê? O accrual do CDI.